Tecnológicas e IA suscitam receio
A subida do preço do petróleo para os 100 dólares por barril e anúncios preocupantes de investimentos no setor tecnológico penalizaram as bolsas.
O Nasdaq caiu 2,1%, enquanto o S&P 500 recuou 0,6%, apesar da subida do setor de semicondutores (+2,1%) ter limitado as perdas. A NXP Semiconductors subiu 1% e a ASML 1,7%.
Na Europa, o Stoxx Europe 600 ganhou 0,5%, impulsionado pelo setor da energia. A bolsa de Frankfurt avançou 1,1%.
Após o anúncio da Alphabet (−7,8%) de um forte aumento do investimento em 2026, as tecnológicas voltaram a gerar receio quanto à rentabilidade das despesas com IA.
A Tesla divulgou resultados dececionantes e liderou as quedas, ao afundar 17,8%.
A conjuntura geopolítica também aconselha prudência. O conflito entre os EUA e o Irão evolui de forma incerta, aumentando o risco de perturbações no comércio mundial e de uma nova subida do preço do petróleo. Como consequência, as taxas de juro de longo prazo voltaram a subir devido ao risco de inflação. Uma inflação persistente poderá levar os bancos centrais a adotarem políticas monetárias mais restritivas, o que é um fator desestabilizador para as bolsas.
O setor da defesa subiu 5,8%, com a Thales (+6%) e a Lockheed Martin (+14,5%) a anunciarem boas carteiras de encomendas.
O setor das matérias-primas ganhou 3,7% e o da energia subiu 2,3%. A TotalEnergies valorizou 7,6% após publicar bons lucros e aumentar o dividendo. A Repsol (+5,4%) também obteve bons resultados.
O setor automóvel europeu recuou 2,1%. A Volkswagen perdeu 2,3% devido à diminuição das vendas na Europa.
Lisboa continua em alta
A bolsa nacional subiu 1,7%, numa semana marcada pelo início da época de divulgação de resultados semestrais. A abrir as “hostilidades”, a NOS (-3,8%) registou um aumento de 19,2% do lucro semestral, embora uma parte desta subida se deva a efeitos não recorrentes positivos (alienação de torres e processos judiciais).
No setor da pasta e do papel, o lucro semestral da Navigator (-1,8%) caiu 42,3% e ficou ligeiramente abaixo das nossas previsões. No caso da Altri (-0,4%), os lucros do segundo trimestre duplicaram face ao período homólogo, graças à recuperação do preço da pasta.
Já esta segunda-feira, a Galp Energia, que liderou os ganhos com uma subida de 5,7%, anunciou resultados acima do esperado e aumentou as estimativas para o resto do ano.
Esta semana estão agendadas diversas apresentações de resultados em Portugal.
Números da semana
+44%
A Galp obteve uma subida de 44% do lucro líquido recorrente no primeiro semestre, a beneficiar da subida da produção e do preço do petróleo e do aumento da margem de refinação. A petrolífera anunciou ainda uma subida das estimativas para o resto do ano e um crescimento do dividendo de 0,64 para 0,70 euros.
-7.8%
Queda do índice Nasdaq Composite desde o máximo histórico do início de junho. As preocupações com a rentabilidade do investimento em IA e a elevada valorização de algumas empresas justificam esta correção.Top subidas
Lockheed Martin +14,5%Anglo American +9,4%
TotalEnergies +7,6%
Vallourec +6,7%
Aperam +6,6%
Top descidas
Tesla -17,8%Swatch Group -17,6%
Amex -8,2%
Meta Platforms -7,9%
Alphabet -7,8%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 +0,5%
EUA S&P 500 -0,6%
EUA Nasdaq -2,1%
Lisboa PSI +1,7%
Frankfurt DAX +1,1%
Londres FTSE 100 +1,3%
Tóquio NIKKEI 225 +0,7%
Variação das cotações entre 17/07/26 a 24/07/26, em moeda local.