A escalada da guerra entre EUA e Israel conta o Irão fez com que as bolsas despencassem a meio da semana. Um ataque iraniano a uma importante instalação de gás natural no Qatar fez subir os preços da energia e aumentou os receios de efeitos negativos na economia global.
A destruição de capacidade de produção é mais um passo na escalada do conflito, com potencial impacto prolongado nos preços da energia e no crescimento económico.
Nos EUA, o S&P 500 e o Nasdaq desceram 1,9 e 2,1%, respetivamente. Como se previa, dada a inflação atual e projetada, a Fed manteve as taxas de juro e estima agora apenas um corte este ano. A gigante Nvidia perdeu 4,2%, apesar do anúncio dos seus planos de desenvolvimento que, todavia, foram considerados insuficientes.
Os bancos centrais do Reino Unido e da zona euro também mantiveram as taxas de juro. Mais afetado pela subida dos preços da energia, o Stoxx Europe 600 recuou 3,8%. Frankfurt e Zurique desvalorizaram 4,6 e 4%.
Os setores europeus mais sensíveis aos preços da energia fecharam em queda, como o transporte aéreo (-3,5%) e o setor químico (-3,7%). A Europa foi das regiões mais afetadas: alimentação e bebidas (-4,8%), bens de consumo (-4,4%), automóvel (-4,7%), matérias-primas (-5,7%). A subida das taxas de juro de longo prazo, dado os receios de inflação, levou à queda do ouro (-8,8%).
O setor energético subiu 2,1% (+22,7% em 2026, em euros), com algumas ações em máximos: TotalEnergies (+6,4%), Shell (+1,6%), Exxon (+2,3%) e Chevron (+2,5%).
Lisboa não escapa às quedas
Com a escalada da guerra no Médio Oriente, a bolsa nacional (-4,2%) não escapou às quedas, numa semana marcada pela divulgação de mais resultados anuais, que apesar das melhorias, não entusiasmaram.
Os CTT (-14,3%) lideraram as perdas depois de anunciarem uma subida dos lucros de 11,4%, ligeiramente abaixo do que prevíamos devido ao forte aumento do imposto sobre os lucros. A atividade corrente evoluiu bem e o dividendo bruto de 0,19 euros por ação está em linha com o esperado.
No setor da distribuição, a Jerónimo Martins (-9,6%) aumentou os lucros em 7,9%, um pouco baixo do previsto, mas subiu o dividendo em 10%, para 0,65 euros por ação.
No caso da Sonae (-11,8%), os lucros também não progrediram tanto como se estimava, tendo subido 11,1%. O dividendo vai aumentar 5%, como tem sido hábito.
Por fim, os lucros da Altri (-3,8%) caíram 80,1% e ficaram abaixo das estimativas. A subir, apenas a Galp (+3,3%) a beneficiar da alta do preço do petróleo.
Números da semana
-2,6%
Apesar do início de ano positivo, a guerra no Médio Oriente já inverteu o rumo das bolsas, com a índice mundial MSCI Worls a acumular uma perda de 2,6% em 2026 (em euros). Os receios de uma subida da inflação e, consequentemente, das taxas de juro, está na origem desta descida.
+16,4%
Aumento do preço do gás natural na semana passada, após ataques militares a importantes instalações de gás no Irão e no Qatar. A forte subida dos preços da energia é uma ameaça séria, com repercussões nos preços de muitos bens e serviços à escala global, o que fará subir a inflação.
Top subidas
Vallourec +7,2%
TotalEnergies +6,4%
ENI +5,7%
Repsol +5,5%
Applied Materials +4,5%
Top descidas
CTT -14,3%
Sonae -11,8%
Jerónimo Martins -9,6%
MTU Aero Eng -8,1%
Sonova -8,0%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 -3,8%
EUA S&P 500 -1,9%
EUA Nasdaq -2,1%
Lisboa PSI -4,2%
Frankfurt DAX -4,6%
Londres FTSE 100 -3,3%
Tóquio NIKKEI 225 -0,8%
Variação das cotações entre 13/3/25 a 20/3/25, em moeda local.