Ao contrário do que foi usual nos últimos anos, em 2025 as bolsas europeias superaram as americanas, em parte devido à forte queda do dólar face ao euro (-11,8%) mas não só. As políticas da administração americana também justificam este desempenho, com as tarifas anunciadas por Trump a afetarem as perspetivas para a inflação dos EUA e a levarem a Fed a ser mais prudente nos cortes de taxas de juro, que se fixaram nos 3,75% contra 2% do BCE.
Além disso, com a guerra na Ucrânia como pano de fundo, a Europa pôs em marcha planos agressivos para o setor da defesa (+80,5% na Europa) e o governo alemão anunciou elevados investimentos para estimular a economia. Assim, medidos em euros, o S&P 500 e o Nasdaq subiram apenas 2,6 e 6,1%, respetivamente, ao passo que o Stoxx Europe 600 valorizou 16,6%. Frankfurt e Madrid ganharam 23 e 49,3%.
As empresas ligadas à inteligência artificial voltaram a estar no centro das atenções, mas perderam algum gás no final do ano devido ao receio de estarem demasiado valorizadas. O setor tecnológico subiu 12,4% com os semicondutores a ganharem 28,5%. A Intel recuperou 62,3% e a Nvidia (+22,4%) foi a primeira cotada a ultrapassar a barreira dos 5 biliões de dólares de capitalização, em outubro.
Em grande destaque esteve ainda a banca europeia (+58,7%), com 3 dos 5 títulos que mais subiram em 2025 a serem deste setor: Société Générale, Santander e BBVA.
Lisboa não subia tanto desde 2009
A bolsa de Lisboa foi uma das que mais subiu em 2025, ao ganhar 29,6%, o seu melhor desempenho anual desde 2009. Na base desta boa performance estão sobretudo o BCP (+92,9%), que foi estimulado pela conjuntura favorável do setor e pela contínua subida dos lucros, e a Sonae (+76,4%), que beneficiou dos bons resultados da Modelo Continente e dos benefícios trazidos pelas compras efetuadas.
Em muito bom plano estiveram também a Semapa (+47,4%), estimulada pela venda da Secil já no final do ano, a REN (+41%), que apesar de ser um título defensivo superou as expectativas com a transição energética a dar algum impulso à atividade, e os CTT (+37,6%), que beneficiam do forte crescimento do negócio do Expresso e encomendas na Península Ibérica. Nota ainda para a recuperação do grupo EDP: EDP (+26,7%) e EDP Renováveis (+19,9%).
Pela negativa, destaque para a Corticeira Amorim (-17,9%), Altri (-15,6%) e Navigator (-12,5%), que foram afetadas pelo momento menos positivo dos respetivos setores.
Os números da semana
-11,8%
A forte desvalorização de quase 12% do dólar face ao euro foi um dos temas de 2025, tendo penalizado muito os investidores europeus com ativos em dólares. As políticas erráticas de Donald Trump e a elevada dívida pública americana estão na origem desta desconfiança face à nota verde.
4325 dólares
Apesar de já ter registado uma boa subida de 27,1% em 2024, o ouro bateu todos os recordes, ao fechar 2025 com uma valorização de 64,8% (para os 4325 dólares por onça), o que levou as empresas de mineração de ouro a liderar os ganhos bolsistas.
Top subidas
Société Générale +153,0%
Santander +125,6%
Kion Group +114,2%
BBVA +112,1%
Telecom Itália +108,4%
Top descidas
Novo Nordisk -48,0%
Diageo -40,2%
Harley-Davidson -40,0%
Accenture -32,8%
Zoetis -31,9%
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +16,6%
EUA S&P 500 +2,6%
EUA Nasdaq +6,1%
Lisboa PSI +29,6%
Frankfurt DAX +23,0%
Londres FTSE 100 +15,1%
Tóquio NIKKEI 225 +11,6%
Variações em 2025 (em euros)
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