As exportações da China continuam a crescer a um ritmo impressionante, impulsionadas pela tecnologia e pela procura global.
Apesar da fragilidade do consumo interno e do desempenho dececionante das bolsas, as valorizações atrativas mantêm o interesse dos investidores.
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O desempenho das bolsas chinesas tem dececionado. O comércio externo suporta a economia da China, mas a procura interna continua frágil.
Quando se fala de inteligência artificial, a atenção recai frequentemente sobre os investimentos massivos em centros de dados e infraestruturas digitais que estão a ser realizados nos Estados Unidos. Porém, esta dinâmica também beneficia a China.
As exportações de semicondutores, circuitos integrados e numerosos componentes destinados a infraestruturas tecnológicas estão a acelerar fortemente. O aumento explica-se pelos volumes exportados e pelos preços, que continuam elevados.
Os números do comércio externo da China refletem esta tendência. Em setembro, as exportações progrediram 36% em termos homólogos e o excedente comercial ultrapassou os 133 mil milhões de dólares, o equivalente a mais de 4 mil milhões por dia. A este ritmo, a China deverá atingir um excedente anual acima de 1 bilião de dólares.
China e Ocidente: uma dependência económica recíproca
A forte dependência da China face às suas exportações constitui naturalmente um fator de risco. O crescimento do país continua parcialmente dependente da procura mundial e da evolução das relações com os seus principais parceiros comerciais.
O recente acordo celebrado com a União Europeia para limitar as importações de veículos híbridos ilustra as tensões que a competitividade da indústria chinesa pode suscitar. Em vários setores, as empresas ocidentais têm dificuldade em competir com os custos e as capacidades de produção das concorrentes chinesas.
No entanto, esta dependência não é unilateral. Atualmente, numerosas cadeias de valor mundiais assentam na produção chinesa. Os setores da inteligência artificial, das energias renováveis e da eletrónica de consumo beneficiam amplamente das capacidades industriais desenvolvidas pela China ao longo das últimas décadas.
O papel da China no controlo da inflação global
Além das indústrias estratégicas, a China desempenha igualmente um papel importante no controlo dos custos de produção à escala mundial. Numa conjuntura em que a inflação continua a ser uma preocupação relevante, reduzir significativamente as importações provenientes da China implicaria um aumento do custo de numerosos bens de consumo e equipamentos industriais.
Tal traduzir-se-ia numa inflação mais elevada, numa diminuição do poder de compra e, potencialmente, em condições de crédito mais restritivas. Embora determinadas indústrias possam justificar uma diversificação das cadeias de produção, uma redução rápida da dependência da China não é concebível nem desejável para uma grande parte da economia mundial.
Porque continua a existir potencial na economia chinesa
A economia mundial e a China continuam fortemente interdependentes. Apesar das tensões geopolíticas e comerciais, a procura internacional por produtos chineses permanece robusta e o «Made in China» continua a apresentar vantagens significativas.
A persistente fraqueza da procura interna recomenda prudência, mas a capacidade exportadora continua a constituir um importante suporte para a economia. Os progressos tecnológicos e a competitividade dos produtos chineses permanecem igualmente fatores favoráveis no longo prazo.
Bolsas chinesas ficam aquém do crescimento económico
Se o potencial económico da China é incontestável, os respetivos mercados acionistas não têm correspondido. Nos últimos anos, as bolsas de Xangai, Shenzhen e Hong Kong apresentaram um desempenho dececionante em comparação com a média global.
Esta divergência é difícil de justificar e colocou estes mercados em níveis de valorização atrativos. Os respetivos rácios cotação/lucro estão muito abaixo da média global e, sobretudo, aquém das suas médias históricas. Este fenómeno constitui um trunfo extra para apostar em ETF dedicados às ações chinesas.
No entanto, o risco não é negligenciável. Xangai e Shenzhen são bolsas emergentes, bastante sensíveis às flutuações do sentimento dos investidores locais e às intervenções de Pequim.
ETF e fundos para investir em ações chinesas
Xtrackers MSCI China A UCITS ETF
- Ticker: DBX9 - Código ISIN: LU0292109856
- TER: 0,35%
- Rentabilidade média 5 anos: -0,3%
- Rentabilidade média 3 anos: 9,2%
- Variação 12 meses: 0,2%
- Principais ações: Kweichow Moutai, Contemporary Amperex Technology, Zhongji Innolight, China Merchants Bank, Cambricon Technologies
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