Os semicondutores tornaram-se um dos pilares da economia digital, sustentando tecnologias como inteligência artificial, cloud computing, redes avançadas e infraestruturas de dados.
Embora o setor apresente elevado potencial de crescimento, os investidores devem considerar os riscos associados às valorizações, à volatilidade e à concentração tecnológica.
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A ascensão da inteligência artificial (IA), que está a transformar praticamente todos os setores, desencadeou uma procura sem precedentes por chips, à medida que as empresas constroem mais centros de dados. Não há dúvida de que os semicondutores constituem o suporte essencial da IA, mas também lucram com a digitalização em geral das economias.
Receitas recorde confirmam a força do setor
As receitas e as perspetivas das empresas do setor continuam a confirmar esta dinâmica de crescimento. Segundo a associação profissional Semiconductor Industry Association, as receitas mundiais do setor atingiram 792 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 26% face a 2024. A mesma fonte estima que, este ano, esse valor deverá atingir 1 bilião de dólares.
Neste contexto de otimismo instalado, ainda vale a pena investir neste setor? Sim, embora sujeito a volatilidade crescente, o setor continua com excelentes perspetivas de crescimento dos lucros, impulsionado sobretudo pela procura gerada pelos centros de dados necessários aos modelos de IA.
O fim dos ciclos tradicionais dos semicondutores?
Até há alguns anos, o negócio dos semicondutores era uma atividade sujeita a ciclos, com momentos de grande procura com o lançamento das novidades a serem intercalados com vários trimestres consecutivos de quebra.
Tendo-se tornado, agora, um pilar da inteligência artificial, cloud computing, tecnologias de defesa, incluindo a aeroespacial, e infraestruturas digitais, as travessias do deserto são coisa do passado.
As oportunidades e os riscos para os investidores
A evolução criou uma procura muito elevada e que se deverá manter devido à corrida global aos melhores modelos de IA.
Porém, a velocidade e a dimensão do fenómeno também levantam questões sobre as valorizações, a concorrência, as limitações da cadeia de produção e a capacidade de o investimento em inteligência artificial continuar a crescer ao mesmo ritmo.
Além da Nvidia: empresas que beneficiam do crescimento da IA
A norte-americana Nvidia, expoente máximo deste fenómeno, tem apresentado resultados muito sólidos, superando consecutivamente as expectativas do mercado e tornando-a a empresa cotada mais valiosa do mundo.
Embora a empresa liderada por Jensen Huang continue a desempenhar um papel importante, há outras ações do setor que apresentam um melhor desempenho em bolsa nos últimos meses. Micron, AMD, Broadcom, entre outras, têm registado aumentos consideráveis das receitas e das respetivas cotações.
Porquê? Porque os investidores procuram, no mercado, outros pontos da cadeia de valor da inteligência artificial. É o caso das memórias, das redes, dos processadores personalizados, das fábricas de produção de semicondutores e dos respetivos equipamentos.
Investir em ações de semicondutores: vantagens e desafios
As perspetivas do setor dos semicondutores continuam globalmente sólidas, havendo duas formas de beneficiar dessa tendência.
A DECO PROteste Investe acompanha inúmeras empresas ativas no setor dos semicondutores como a Intel, a Nvidia e a ASML. O investimento direto em ações é potencialmente recompensador, mas é mais arriscado.
ETF de semicondutores: uma alternativa para diversificar
Para a maioria dos investidores que não querem passar ao lado do setor, mas desejam evitar os riscos inerentes, a solução mais adequada é optar por um ETF dedicado a empresas de semicondutores. Sendo um setor tão promissor e existindo empresas com níveis muito diferentes de valorização e de risco, um ETF temático permite investir em toda a cadeia de valor, baixando o risco para níveis mais aceitáveis.
Entre os vários ETF disponíveis, destacamos o VanEck Semiconductor (ISIN IE00BMC38736; ticker VVSM). Além de possuir a maior carteira entre os produtos de direito europeu (UCITS), o peso de cada ação está ajustado de forma a não superar consistentemente os 10%. Isso evita, por exemplo, uma sobre-exposição da carteira a uma única empresa como a Nvidia.
O ETF iShares MSCI Global Semiconductors (ISIN: IE000I8KRLL9; ticker SEMI) é um produto mais recente, mas cobra a mesma TER (custo de gestão anual). Segue uma política de investimento idêntica, limitando o peso máximo das empresas na carteira, sendo uma boa alternativa para apostar no setor.
A maioria das corretoras disponibiliza, pelo menos, um destes ETF.
Como integrar o setor dos semicondutores numa carteira diversificada
Importa ter em conta o elevado peso do setor tecnológico nas bolsas. Se estes ETF oferecem um potencial de valorização acrescido, mas contribuem para uma maior diversificação setorial na maioria das carteiras.
Quem já investe em ETF de ações norte-americanas, tem, em geral, uma exposição significativa às empresas tecnológicas. Ao comprar um ETF de semicondutores potencia o rendimento, mas aumenta a concentração num único setor.
O investidor deve ponderar se essa exposição é compatível com a sua estratégia de diversificação e exposição ao risco.