Apesar do contexto geopolítico e das taxas de juro elevadas, os mercados continuam a subir, levantando questões sobre sustentabilidade e avaliação.
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2026: um ano surpreendente para as bolsas globais
Quem vislumbrasse apenas a recente situação geopolítica não encontraria motivos para o otimismo. Uma guerra no Médio Oriente abalou os mercados energéticos globais e subsistem fortes tensões comerciais, nomeadamente entre os maiores blocos económicos, os Estados Unidos, a União Europeia e a China. A verdade é que o vaivém da trégua entre EUA e Irão e a “ilegalidade” da maior parte das tarifas alfandegárias decididas por Trump relegaram estas preocupações para segundo plano.
Além disso, o nível de taxas de juro, que concorre diretamente com os mercados de ações, permanece elevado. Mesmo que os bancos centrais travem a reação à recente subida da inflação, as yields oferecidas pelas obrigações estão vários pontos percentuais acima dos valores da última década. Nada disto travou os principais mercados acionistas.
Inteligência Artificial domina o sentimento dos investidores
Só há um tema que capta as atenções dos investidores, a Inteligência Artificial. Mesmo o gigantesco IPO da SpaceX enquadrou-se nesta temática. Há uma corrida global para a criação e manutenção de modelos de IA mais avançados, um autêntico sorvedouro de semicondutores e energia. As empresas produtoras de processadores, memórias e outros componentes já estão a encaixar enormes receitas com os megas investimentos.
Falta, contudo, o outro lado da equação. Não há dúvidas que o desenvolvimento da IA já está a ser transformativo em vários setores. Contudo, as empresas que fornecem as ferramentas de IA estão a braços com uma atividade pouco rentável ou até mesmo a gerar prejuízos. E considerando os elevados custos crescentes não é possível continuar a “queimar” dinheiro indefinidamente.
Mercados regionais: EUA, Europa, Japão e emergentes em foco
Em seis meses, os ETF dedicados aos principais mercados apresentam valorizações assinaláveis. A tecnologia impulsionou o ETF Amundi Nasdaq-100 Swap (LU1681038243) 23,4%. Mesmo um ETF dos EUA mais abrangente, como o UBS S&P 500 Scored & Screened (IE00BHXMHL11) ganha 13,8% desde o início do ano.
As ações nipónicas também impressionaram com o ETF WisdomTree Japan Equity (IE00BYQCZN58) a alcançar uma valorização de 18,9%.
Por fim, no Velho Continente, o ETF JPM Global Research Enhanced Index Equity Active (IE00BF4G6Y48) obtém +12,3%. Tanto no Japão, como na Europa, o fraco dinamismo económico não impediu as bolsas de apresentarem desempenhos muito significativos no primeiro semestre deste ano.
7 ETF em destaque em 2026
Em seguida, apresentamos sete ETF entre as categorias que mais se evidenciaram no primeiro semestre de 2026.
VanEck Semiconductor +109,6%
Apenas num semestre, o ETF VanEck Semiconductor duplicou de valor! Os investimentos nas infraestruturas de Inteligência Artificial têm feito disparar a procura e o preço dos semicondutores. Se a rentabilidade obtida pelos compradores é incerta, quem os produz já está a lucrar de forma substancial. Nos próximos trimestres não se espera um abrandamento da procura, mas as expectativas de crescimento dos resultados são já significativas.
A euforia tem-se igualmente espalhado a todo o setor tecnológico.
Por exemplo, o negócio da cibersegurança, visto injustificadamente como uma possível vítima dos modelos mais avançados de IA, tem conseguido uma assinalável recuperação. Desde o início do ano, o ETF L&G Cyber Security (IE00BYPLS672) acumula um ganho de 48,7%. É uma temática de investimento que mantém um bom potencial.
Apesar de a Europa não possuir a liderança tecnológica dos EUA, o setor europeu consegue igualmente um excelente desempenho. O ETF StateStreet SPDR MSCI Europe Technology (IE00BKWQ0K51) valorizou 48,4% em seis meses, lucrando com a tendência global.
iShares MSCI Korea +106,3%
A bolsa de Seul é o mercado que mais tem beneficiado com a euforia da IA, graças a dois pesos-pesados dos semicondutores, mais especificamente da produção de memórias, a Samsung Electronics e a SK Hynix.
Cada vez mais, os ETF de ações sul-coreanos deixam de representar a economia local e passam a ser uma aposta no segmento das memórias. Por um lado, a economia sul-coreana não apresenta um bom dinamismo. Por outro lado, o investimento tornou-se excessivamente concentrado face aos níveis desejáveis quando se trata de ETF.
Acresce ainda a comercialização de ETF na Coreia, cuja carteira é composta apenas com uma destas empresas, o que tem contribuído para a euforia e cria uma enorme volatilidade em torno destas ações. Fique afastado.
Global X Hydrogen +71,9%
A onda de investimentos na IA está a alastrar para o setor das energias alternativas devido às grandes necessidades energéticas dos centros de dados. Assim, apesar da Casa Branca preferir os combustíveis fósseis, os protagonistas procuram fontes alternativas e potencialmente mais baratas.
O hidrogénio é a mais recente aposta dos investidores, enquanto o nuclear ficou para segundo plano, apesar dos apoios de Washington. Se o ETF Global X Hydrogen valoriza 71,9% em 2026, o ETF VanEck Uranium and Nuclear Tech (IE000M7V94E1) fica-se por apenas 1,7%. Ainda assim, a energia nuclear tem mais provas dadas, em termos de tecnologia, sendo igualmente uma aposta clara da China.
No global, depois de anos de marasmo, desde meados de 2025 que as energias alternativas voltaram às boas graças dos investidores. O fundo Pictet-Clean Energy Transition (LU0280431049) valorizou 40,1% desde o início do ano.
VanEck Space Innovators +53,6%
A SpaceX foi, durante meses, um grande catalisador para o setor da exploração espacial em bolsa, embora a relação não seja direta. Se a valorização das empresas fez jus à ascensão dos foguetões de Elon Musk, a aterragem está a ser pouco suave. O ETF VanEck Space Innovators ainda acumula um ganho de 53,6% em 2026, mas caiu 22,7% apenas em junho.
Há evidentemente um efeito de moda num setor heterogéneo e muito pouco rentável. Se a SpaceX poderá contar com as narrativas e promessas sci-fi de Musk para conseguir financiamento, as restantes empresas do setor não têm esse luxo. O investimento nestas atividades permanece altamente arriscado: não recomendamos.
WisdomTree WTI Crude Oil +45,5%
Mesmo com o fim (aparente) da guerra no Golfo Pérsico, o barril de petróleo já desceu, mas ainda negoceia em níveis muito superiores aos observados no início de 2026. A explicação é simples. Na altura, a principal preocupação prendia-se com um excesso de oferta de crude, perante um relativo abrandamento da economia global.
A OPEP+ tem vindo a aumentar as quotas de produção devido à pressão de alguns dos seus membros, desesperados por maiores receitas. Esse desequilíbrio entre oferta e procura levou a cotação do barril para perto dos 60 dólares. Agora, por um lado, ainda subsistem dúvidas sobre a estabilidade da paz no Médio Oriente e, por outro lado, o mercado energético digere a ressaca causada pelo encerramento do Estreito de Ormuz.
JPM Global EM Research Enh Idx Equity Active +30,5%
Os mercados emergentes, na sua globalidade, estão a registar um bom 2026. A Coreia do Sul tem sido o principal catalisador, mas os ganhos estenderam-se a países como México, Turquia, Polónia, Brasil e China. Neste último mercado, o ETF Xtrackers CSI300 Swap (LU07798009109) ganha 16,9% desde o início do ano. Uma exposição ao mercado acionista chinês continua a ser uma opção interessante no âmbito de uma carteira.
Outros dois dos nossos mercados emergentes preferidos são o México e a Polónia. No primeiro, o ETF iShares MSCI Mexico Capped (IE00B5WHFQ43) avançou 13,5. Na Polónia, o ETF iShares MSCI Poland (IE00B4M7GH52) valoriza 12,7%.
Os destaques negativos de 2026 estão a ser as ações indianas e indonésias. No primeiro caso, a forte depreciação da rupia indiana e a bolsa de Bombaim com níveis de valorização elevados não constituíram pilares favoráveis. Na Indonésia, os problemas de governance das maiores empresas cotadas e a política “despesista” do governo de Jacarta estão a afugentar os investidores.
Xtrackers MSCI World Energy +21,9%
Em linha com o aumento dos preços energéticos, as petrolíferas também ganharam terreno. Algumas companhias viram o seu nível de produção ser impactado pela guerra no Médio Oriente, mas os preços mais altos foram uma benesse para o setor, após um 2025 desafiante. A prazo e se a situação militar não se agravar, o preço do petróleo deverá continuar a recuar e a colocar os lucros sob pressão.
Apesar disso, a maioria das empresas do setor tem um balanço sólido que permitirá continuar a pagar bons dividendos. O nível de investimentos em maior capacidade de produção é que poderá estar em causa. Se já tem exposição ao setor, pode manter, mas não recomendamos reforços.