O que é o PER e por que é relevante na escolha de ETF
O PER (price earning ratio) é uma das métricas mais utilizadas para avaliar os mercados em geral. Por isso, é uma ferramenta essencial para avaliar o nível de valorização dos setores e, consequentemente, dos ETF que os replicam.
Uma avaliação elevada não significa necessariamente que um setor esteja sobrevalorizado. Muitas vezes, os investidores aceitam pagar múltiplos superiores porque antecipam um crescimento robusto dos lucros.
Da mesma forma, um PER baixo não significa automaticamente uma oportunidade de investimento. Em alguns casos, pode refletir riscos elevados ou fracas perspetivas de crescimento dos lucros.
Por isso, é importante combinar uma análise aos PER atuais e históricos para identificar ETF com maior potencial de valorização ou melhor relação risco-retorno.
Setores que negoceiam de forma significativa abaixo dos níveis históricos podem justificar uma análise mais aprofundada para identificar potenciais oportunidades de valorização.
Já avaliações muito acima da média histórica exigem que as empresas consigam concretizar expectativas de crescimento elevadas para justificar as cotações atuais.
Setores mais valorizados e o impacto nos ETF temáticos
Comparando os diferentes setores com o mercado global, cujo rácio cotação/lucro esperado é de 17, os setores mais caros são os da defesa (23) e da tecnologia (21,6). Estas avaliações refletem expectativas elevadas de crescimento dos lucros e tendências estruturais favoráveis.
No caso da defesa, a valorização é expressiva, refletindo o aumento dos gastos militares em diversas regiões do mundo. Também acima da média global encontra-se o setor automóvel global (18,4) devido ao efeito da norte-americana Tesla, que tem um PER de 170! Ao invés, o setor automóvel europeu apresenta um rácio PER de apenas 7,5.
No extremo oposto surgem os setores considerados mais tradicionais: energia (11,4) e financeiro (11,9).
Comparação histórica do PER: o que revela para investidores em ETF
A comparação com o PER médio dos últimos 30 anos permite perceber se os investidores estão, atualmente, mais ou menos otimistas relativamente ao mercado e a cada setor.
Com um PER de 17, o mercado global continua acima da sua média histórica de 15,7, o que sugere que as bolsas mundiais permanecem relativamente caras quando comparadas com o padrão das últimas três décadas.
Nos setores, o caso mais evidente é o da defesa, que tem uma média histórica de 15, bem abaixo do PER atual de 23. Esta diferença reflete a profunda reavaliação do setor desde a guerra da Ucrânia.
O setor tecnológico (21,6 versus 21) encontra-se alinhado com os níveis históricos, sugerindo que, apesar das valorizações elevadas, estas não diferem muito do padrão de longo prazo. Convém não esquece que se trata de uma média, não se aplicando a todas empresas do setor.
Por outro lado, os setores de Energia (11,4 versus 13,8), bens de consumo essencial (16,3 versus 17,5) e cuidados de saúde (17,7 versus 18,1) apresentam avaliações inferiores às respetivas médias históricas. Estes dois últimos, de cariz defensivo, não têm cativado os investidores.
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| Rácio PER - Cotação/Lucros esperados | ||
|---|---|---|
| Setor | Atual | Média dos últimos 30 anos |
| Biotecnologia | 29.6 | 31.6 |
| Energias alternativas | 26.3 | 20.4 |
| Retalho | 24.2 | 22.0 |
| Bens de luxo | 23.1 | 17.5 |
| Defesa | 23.0 | 15.0 |
| Tecnologia | 21.6 | 21.0 |
| Bens de consumo não essencial | 20.4 | 18.1 |
| Imobiliário | 19.5 | 19.2 |
| Semicondutores | 19.0 | 20.0 |
| Química | 18.6 | 15.1 |
| Automóvel | 18.4 | 13.3 |
| Cuidados de saúde | 17.7 | 18.1 |
| Mercado global | 17.0 | 15.7 |
| Utilities | 16.5 | 14.4 |
| Bens de consumo essencial | 16.3 | 17.5 |
| Alimentação e bebidas | 16.0 | 17.1 |
| Mineiro | 14.9 | 12.5 |
| Materiais | 14.0 | 13.2 |
| Água | 13.7 | 14.0 |
| Comunicações | 12.2 | 16.1 |
| Financeiro | 11.9 | 11.8 |
| Energia (petróleo & gás) | 11.4 | 13.8 |
| Minas de ouro | 9.5 | 18.9 |