ETF: setor alimentar volta a atrair investidores em 2026
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O interesse dos investidores pelo setor alimentar reanimou este ano
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O interesse dos investidores pelo setor alimentar reanimou este ano
Nestes últimos meses, os investidores estão a fazer uma “rotação setorial”. Com as dúvidas crescentes sobre as perspetivas das empresas tecnológicas e os gastos massivos em IA, os investidores estão a redescobrir as vantagens de setores mais estáveis e previsíveis e, por isso, menos arriscados.
Se a perceção mudou, a realidade dos gigantes do setor alimentar pouco se alterou. A inflação dos produtos alimentares e a agressiva concorrência das “marcas brancas” colocam os lucros sob pressão e levam à revisão recorrente das estratégias.
O setor alimentar evolui num enquadramento de volumes estáveis ou em ligeira contração. Nos mercados desenvolvidos, o consumo em volume aproxima-se de um teto: as famílias não consomem mais quantidade, mas pagam preços mais elevados e alteram a composição do cabaz.
Grupos como a Danone publicam volumes estáveis ou até negativos, na Europa e nos Estados Unidos, mas apresentam um crescimento orgânico, sustentado por aumentos de preços e pelo efeito de mix de produtos. A progressão das receitas resulta sobretudo dos preços, já que os volumes permanecem, no melhor dos casos, estagnados.
Para contornar esta estagnação dos volumes, os grandes grupos alimentares apostam nos produtos premium, saúde, sustentabilidade e conveniência, o que eleva o preço médio de venda.
Esta estratégia sustenta as margens, mas cria riscos quando o poder de compra se encontra sob pressão, levando os consumidores a optar por alternativas mais baratas.
Grupos como a Nestlé, Danone, Mondelez International, PepsiCo, Coca-Cola e Unilever reforçaram sistematicamente as ofertas de gama superior, produtos biológicos, saudáveis, ricos em proteína, sem açúcar ou sustentáveis, com o objetivo de melhorar a rentabilidade.
Em 2021-2023, o forte aumento do preço dos alimentos comprimiu o orçamento das famílias. Quando iam às compras começaram a privilegiar um preço mais atrativo, em detrimento da notoriedade da marca.
Assim, uma parte crescente do consumo das famílias nos países desenvolvidos deslocou-se para marcas de distribuidor (marcas brancas) e formatos discount, considerados suficientemente satisfatórios e com um custo inferior.
Tal fragiliza o poder de fixação de preços dos grandes grupos, limita a capacidade de continuar o reforço do segmento premium e obriga a um recurso mais frequente a promoções para defender os volumes de venda.
A recuperação do setor alimentar em bolsa desde o início de 2026 confirma o valor do seu perfil defensivo numa conjuntura de maior volatilidade. No entanto, a sua principal qualidade, a visibilidade dos resultados, parece já amplamente refletida nas cotações atuais, enquanto o crescimento orgânico permanece modesto.
A rentabilidade deverá estabilizar com a normalização dos custos das matérias-primas, mas dificilmente melhorará de forma significativa, devido às pressões sob o poder de compra e à maior concorrência.
O setor da alimentação e bebidas, em geral, terá pouco potencial enquanto persistir um crescimento modesto e um contexto de poder de compra condicionado.
Em termos de títulos individuais neste setor recomendamos a compra de apenas duas ações.
Se apesar do potencial ser reduzido, quiser aplicar de forma mais abrangente neste setor defensivo, pode fazê-lo através de ETF. Contudo, há poucos produtos especializados porque a “alimentação e bebidas” insere-se no setor mais abrangente do “bens de consumo essencial” (consumer staples).
O Invesco STOXX Europe 600 Food & Beverage investe exclusivamente na Europa: Suíça (26%), Bélgica (8%) e França (16). As principais ações são a Nestlé 17%), AB InBev (16%) e Diageo (12%).