ETF de terras raras: oportunidade ou risco excessivo?
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
Poucos países têm as principais fontes de terras raras
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
Poucos países têm as principais fontes de terras raras
As terras raras designam um grupo de 17 elementos químicos com propriedades específicas e difíceis de substituir na indústria. São indispensáveis para os ímanes dos motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, componentes eletrónicos, ecrãs, tecnologias de defesa (radares, sistemas de direção, visão noturna) e numerosas aplicações médicas.
As principais fontes de terras raras permanecem concentradas em poucos países. Em 2024, a China representava cerca de 70% da produção mineira de terras raras, com 270 mil toneladas e 44 milhões de toneladas de reservas. Os EUA surgem muito atrás, com cerca de 10–12% da produção.
A atualidade geopolítica volta a colocar as terras raras no centro das atenções. Recentemente, os representantes do G7 e de outras grandes economias reuniram-se em Washington para discutir formas de reduzir a dependência da China.
Com efeito, a China reafirma a sua posição dominante ao utilizar as restrições às exportações como instrumento de pressão, ameaçando diretamente as cadeias de valor dos ímanes, baterias e componentes eletrónicos avançados.
Por outro lado, Donald Trump faz da Gronelândia um pilar da sua estratégia de segurança, cobiçando os metais críticos. O subsolo da Gronelândia contém cerca de 1,5 milhões de toneladas de terras raras, atrás dos Estados Unidos (1,9), mas muito distante da Austrália (5,7), do Brasil (21) e da China (44).
As terras raras tornam-se um ponto estratégico crucial por três grandes razões.
– A procura cresce com a transição energética e a digitalização, enquanto a oferta permanece limitada e evolui lentamente. Segundo a Agência Internacional da Energia, as necessidades de terras raras poderão duplicar até 2035, impulsionadas pela descarbonização.
Uma dinâmica que cria tensões estruturais, uma vez que a abertura de novas minas demora frequentemente entre 10 a 15 anos.
– Embora existam terras raras em vários continentes, a cadeia de valor encontra-se fortemente concentrada, em particular na China. Pequim controla cerca de 60–70% da produção mineira, mas, acima de tudo, detém 80–90% das capacidades de refinação e separação, a etapa mais técnica e estratégica.
O domínio confere à China uma alavanca geopolítica poderosa, já utilizada no passado através de quotas ou restrições às exportações. Os países importadores, como os Estados Unidos, Europa e Japão, ficam assim expostos a riscos de abastecimento.
– As terras raras não são verdadeiramente raras, mas são raramente exploráveis a baixo custo. Encontram-se dispersas, misturadas entre si, e exigem processos químicos complexos de separação. A extração e refinação geram resíduos tóxicos e provocam elevados impactos ambientais.
Estas limitações tornam os projetos lentos, arriscados e intensivos em capital, travando o aparecimento rápido de alternativas à China. O resultado é que, mesmo quando se identificam novos jazigos, a capacidade de os transformar em produção industrial é limitada no curto e médio prazo.
A combinação de tensões geopolíticas, objetivos climáticos e aumento das despesas em Defesa deverá sustentar uma procura sólida nos próximos anos, o que terá um impacto favorável nas empresas deste mercado. No entanto, a evolução das cotações deverá permanecer irregular e com correções, por vezes, bruscas.
A exposição às terras raras deve, por isso, estar integrada numa lógica de diversificação, tendo presente o caráter cíclico e a elevada sensibilidade geopolítica (máximo de 5% da carteira).
O ETF VanEck Rare Earth and Strategic Metals (IE0002PG6CA6) disponível para negociação na Degiro, BiG, XTB, Banco Invest, Best, Carregosa, TradeRepublic…
A China (32%) é o mercado mais representado neste ETF, seguido da Austrália (22%) e EUA (18%). As principais empresas são a Albemarle, China Northern Rare Earth, Lynas Rare Earths, MP Materials e PLS Group.