Os Estados Unidos anunciaram que não renovarão automaticamente o USMCA, o acordo que enquadra as relações comerciais entre os EUA, México e Canadá. Abre‑se assim um processo de renegociação, oferecendo a Donald Trump uma nova oportunidade para exigir concessões aos seus vizinhos e voltar a destacar o seu slogan preferido: America First.
No entanto, não há razão para alterar o posicionamento nestes mercados. Trata‑se sobretudo de um exercício político destinado a conquistar o eleitorado americano, mais do que uma verdadeira reconfiguração de um acordo do qual os três países continuam a beneficiar.
Impacto político vs realidade económica
Na realidade, o regresso à mesa das negociações era provável. Desde a assinatura do USMCA em 2020, que substituiu o acordo NAFTA, os parceiros tinham aceitado uma revisão em 2026. No entanto, o calendário político nos EUA dá uma dimensão diferente ao processo.
A poucos meses das eleições intercalares de novembro, das quais dependerá a maioria republicana no Congresso, Donald Trump tem interesse em mostrar-se como defensor dos trabalhadores americanos. É, por isso, provável que os próximos meses sejam marcados por declarações duras e encenações diplomáticas.
Porém, também é provável que o presidente apresente o acordo renegociado como uma vitória histórica para os EUA, tal como aquando da assinatura do USMCA em 2020.
México: o grande beneficiário do nearshoring
O caso do México é ilustrativo. Em 2020, ano da assinatura do USMCA, as trocas bilaterais de bens e serviços entre os EUA e o México representavam cerca de 605 mil milhões de dólares. Apesar da pandemia, as trocas ultrapassaram 800 mil milhões em 2023 e foram de 1 bilião em 2025. Este crescimento acentuado está diretamente ligado ao fenómeno de nearshoring.
Com o objetivo de reduzir a dependência da China e tornar mais resiliente a cadeia de produção, muitas empresas americanas transferiram parte da produção para o México. O país beneficiou deste movimento, atraindo investimento, fábricas e emprego em setores como o automóvel e a eletrónica.
Esta dinâmica gerou uma interdependência crescente. Atualmente, cerca de 80% das exportações mexicanas destinam-se aos EUA. Em paralelo, muitas empresas americanas dependem cada vez mais de fornecedores localizados no México.
As duas economias tornaram-se tão interligadas que uma rutura abrupta teria um custo elevado para ambas.
Canadá: tensões comerciais e riscos para investidores
As relações comerciais com o Canadá apresentam maior tensão. Após uma fase de melhoria depois da assinatura do USMCA, 2025 foi marcado pelo regresso de várias fricções, nomeadamente com a introdução de tarifas americanas sobre alguns produtos canadianos.
Setores-chave como o aço, o alumínio e os produtos florestais foram afetados, conduzindo a um abrandamento das exportações canadianas para os EUA.
Acrescem várias declarações Trump que agravaram o clima político entre os dois países, como o objetivo de tornar o Canadá o 51.º Estado dos EUA. Contudo, estas tensões políticas não deverão colocar em causa o USMCA.
Estratégia de investimento em ETF na América do Norte
Num cenário ideal, a renovação automática do USMCA teria proporcionado maior visibilidade às empresas e um quadro comercial estável para os próximos anos.
A Casa Branca optou por reabrir as negociações para obter concessões adicionais e enviar um sinal político forte em véspera de eleições. Porém, além da retórica, parece improvável uma alteração profunda da estrutura do acordo.
Os interesses económicos dos três países mantêm-se alinhados e há poucos incentivos para desmantelar um acordo que impulsionou o comércio norte-americano.
– Dada a liderança económica, financeira e tecnológica dos Estados Unidos é incontornável ter uma elevada exposição às ações norte-americanas. Existem inúmeras opções no mercado para aplicar nos EUA: descubra os melhores ETF de ações.
– Também não alteramos o conselho para o México. Apesar de uma maior volatilidade a curto prazo durante as negociações, as perspetivas da economia mexicana permanecem atrativas, apoiadas pelo seu papel central na reorganização das cadeias de produção globais. Pode dedicar até 5% da carteira aos ETF de ações mexicanas.
– Quanto ao Canadá, mantemos uma posição prudente relativamente à bolsa de Toronto e não recomendamos atualmente ETF de ações canadianas.