American Express, Endesa, VF Corp, Walt Disney
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
Os parques de atrações e os cruzeiros da Disney deverão aumentar o lucro
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
Os parques de atrações e os cruzeiros da Disney deverão aumentar o lucro
American Express
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A American Express mantém um forte dinamismo, como demonstram os sólidos resultados do quarto trimestre de 2025: volume de negócios +16,3% e lucro por ação +16,1%.
Os volumes de transações com cartões continuam elevados. Os indicadores relativos à qualidade da carteira de crédito dos titulares de cartões situam-se em níveis favoráveis.
Estes não enfrentam dificuldades no reembolso do crédito e continuam a gastar em viagens, restauração e bens de luxo. Contudo, houve pontos menos positivos.
Por um lado, a aquisição de novos clientes nos EUA revelou-se menos dinâmica. A inflação penaliza o poder de compra de uma parte dos clientes recentemente adquiridos pela Amex, em particular os menos abastados.
Por outro lado, as despesas de marketing ficaram acima do esperado. A Amex justifica este desvio com o lançamento bem-sucedido do novo cartão Platinum. O dinamismo reflete-se no objetivo anunciado de crescimento do lucro por ação entre 9% e 10% em 2026, idêntico ao registado em 2025, o que é tranquilizador para os acionistas.
A Amex aumentou ainda o dividendo do exercício em 16%. A Amex apresenta boas perspetivas de crescimento para 2026, apoiadas na sua base de clientes mais abastados e no desempenho da economia dos EUA. Revemos em alta as previsões de lucros.
Endesa
Manter
A procura de eletricidade em Espanha encerrou 2025 com um aumento de 2,7% face a 2024 (+4,5% em dezembro). Este crescimento foi impulsionado pelas temperaturas mais baixas e pela retoma económica.
Embora se trate de um aumento moderado, a evolução recente aponta para uma recuperação e, para a Endesa, cuja atividade se desenvolve quase exclusivamente em Espanha, este fator é positivo.
A Endesa tem ainda vários dossiês em aberto que irão marcar as contas futuras. Do lado da produção, destaca-se o encerramento das centrais nucleares, que representaram 41% da eletricidade gerada até ao terceiro trimestre, bem como a forma como a Endesa irá compensar um défice de produção ainda mais elevado, tendo em conta que, até setembro, apenas gerou 42% dos kWh vendidos. Na área da distribuição, permanecem em foco a remuneração de novos investimentos nas redes e os entraves administrativos que travam o avanço dessas infraestruturas.
Pela positiva, uma posição financeira sólida e uma política favorável aos acionistas, assente em dividendos e na compra de ações próprias, continuam a jogar a favor da Endesa.
VF Corp
Manter
No terceiro trimestre de 2025/26 (encerrado em 27/12/2025), as receitas aumentaram 1% (4% excluindo a Dickies, vendida no decurso do trimestre). O lucro líquido dos três meses foi de 0,76 dólares por ação (0,43 dólares no mesmo período de 2024).
As marcas The North Face e a Timberland confirmam uma tendência de crescimento, apoiada pela boa receção das coleções e pela resiliência das respetivas marcas. Por seu turno, a Vans apresenta desempenhos fracos, mas em linha com as expectativas da VF Corp. A região das Américas afirma-se como o principal motor do trimestre.
É certo que persistem alguns desafios, nomeadamente ao nível da marca Vans e uma conjuntura macroeconómica incerta, mas os resultados sugerem que a mudança de rumo decidida pela VF Corp começa a produzir efeitos. Estimamos um lucro por ação de 1 dólar em 2025/26 e de 1,1 dólares em 2026/27.
Walt Disney
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No exercício encerrado em 30/9/2025, o volume de negócios aumentou 3% e o lucro por ação cresceu 19%, para 5,93 dólares (excluindo elementos não recorrentes). Nos três primeiros trimestres, os resultados superaram as expectativas, enquanto o quarto trimestre foi ligeiramente dececionante.
No primeiro trimestre do exercício em curso, os resultados voltaram a ser de boa qualidade. O volume de negócios aumentou 5%, ligeiramente acima do esperado.
A descida do lucro por ação (-7,4%, para 1,63 dólares) foi menos acentuada do que o previsto, graças ao bom desempenho das atividades dos parques de atrações e cruzeiros.
O respetivo volume de negócios aumentou 6% e atingiu, pela primeira vez, 10 mil milhões de dólares, a margem operacional manteve-se estável e estas atividades foram responsáveis por 72% do lucro operacional, face a 57% um ano antes.
As atividades de streaming continuam a crescer. A filial Hulu+ associou-se à plataforma Fubo, focada em transmissões em direto, e Walt Disney continua a desenvolver ofertas combinadas. O volume de negócios destas atividades aumentou 13% e a margem operacional atingiu 8,4%, aproximando-se do objetivo de “mais de 10%” fixado para o final do exercício em curso.
Contudo, a rentabilidade global da Disney foi penalizada pelo declínio estrutural dos canais de televisão por cabo, bem como pelo aumento dos custos de produção, nomeadamente com direitos desportivos e canais de televisão, e dos custos de marketing, associados à promoção do filme Avatar e ao lançamento de dois navios de cruzeiro.
Para o conjunto do exercício, a Walt Disney aponta para um aumento do lucro por ação superior a 10%. Mantemos as nossas previsões de lucros, apontando para uma subida de 12%, para 6,64 dólares por ação (excluindo elementos não recorrentes).
O segundo trimestre deverá, ainda assim, revelar-se fraco. A Walt Disney indicou que apenas os parques de atrações e os cruzeiros deverão registar um crescimento do lucro operacional.
A descida da cotação após a divulgação dos resultados trimestrais é explicada pelo facto de o mercado se ter concentrado na debilidade do lucro esperado no curto prazo e da fraca taxa de visitantes estrangeiros, mais gastadores, nos parques norte-americanos.
Será necessário aguardar pelo segundo semestre do exercício em curso para observar um crescimento do lucro, apoiado pela estreia de filmes com elevado potencial, como Toy Story 5, e pela sazonalidade favorável dos parques.
Até lá, os investidores podem ser ficar tranquilos graças ao bom desempenho dos parques de atrações e dos cruzeiros, atividades muito rentáveis, e pelo sucesso da aposta da Walt Disney no streaming, uma atividade que deverá também impulsionar os lucros no futuro.
A cotação corresponde a 15,7 vezes o lucro esperado para o exercício em curso e o enterprise value a menos de 10 vezes o EBITDA esperado. A valorização da ação situa-se, assim, na parte inferior do intervalo observado nos últimos dez anos.
Além disso, a Walt Disney prossegue o programa de compra de ações próprias. Já adquiriu o equivalente a 2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre do exercício em curso e prevê atingir um total de 7 mil milhões de dólares no conjunto do exercício, o que corresponde a 3,8% da capitalização bolsista atual. Reafirmamos o conselho de compra.