BBVA, BNP Paribas, Enel, Novo Nordisk
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O volume de negócios anuais da Enel e o lucro operacional aumentaram
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O volume de negócios anuais da Enel e o lucro operacional aumentaram
BBVA
Manter
O BBVA apresentou resultados em linha com as nossas expectativas (+5,8% para 1,78 euros por ação) e anunciou um dividendo de 0,92 euros por ação, o que eleva para cerca de 4,6% o rendimento do dividendo.
Contudo, o BBVA evidenciou o seu principal ponto fraco, o enfraquecimento do balanço, ao apresentar um recuo do rácio de capital CET1 de 12,88% em 2024 para 12,7%.
O BBVA mantém-se solvente, mas, num cenário adverso, poderia enfrentar desafios relevantes decorrentes da sua exposição a mercados emergentes como México e Turquia, onde a volatilidade económica e política pode penalizar os resultados e exigir reforços adicionais de capital.
O BBVA está a investir de forma adequada na transformação digital, com o objetivo de gerar receitas adicionais através de comissões e serviços financeiros. Continua, assim, a ser uma opção atrativa para investidores à procura de dividendos e de rentabilidade num cenário estável.
Ainda assim, os desafios regulatórios e macroeconómicos deverão continuar a influenciar a rentabilidade, podendo gerar alguma volatilidade na cotação do banco espanhol.
Neste contexto, os investidores mais prudentes poderão considerar a realização parcial de mais-valias, reduzindo o peso desta ação na carteira, sobretudo tendo em conta que o investimento poderá já ter quadruplicado de valor.
BNP Paribas
Manter
O BNP Paribas superou as expectativas no quarto trimestre de 2025, graças à banca de retalho, crédito automóvel e à gestão de ativos, que inclui agora a Axa IM. Os proveitos totais aumentaram 8%, e os custos (+5,2%), permaneceram sob controlo. O custo do risco diminuiu face ao trimestre anterior, o que constitui outro sinal positivo.
Este contexto favorável permitiu ao BNP Paribas mostrar-se bastante confiante, tendo revisto em alta os objetivos para 2028. O banco aponta agora para uma rentabilidade dos capitais próprios tangíveis superior a 13% (antes 13% e 11,5% em 2025).
A instituição continuará a reduzir custos que, em conjugação com o crescimento do volume de negócios, deverão representar 56% das receitas (antes 58% e 61,2% em 2025).
As poupanças deverão provir da atividade de gestão de ativos, recentemente reforçada com a aquisição da Axa IM, e da banca de retalho. Em paralelo, o BNP prosseguirá a saída de mercados não estratégicos, como Marrocos e Polónia, concentrando-se nas atividades nucleares, onde pretende melhorar a rentabilidade.
Revemos em alta as previsões de lucro por ação para 2026, de 11,7 euros para 12,5 euros, e para 2027, de 12,7 euros para 13,5 euros. O BNP Paribas apresenta grandes ambições, sobretudo em termos de rentabilidade até 2028 e prepara o plano 2027–2030.
Enel
Manter
O grupo Enel anunciou os resultados preliminares para 2025, que confirmam o ritmo de crescimento evidenciado pelos dados já publicados dos primeiros três trimestres.
O volume de negócios do conjunto do ano aumentou 1,9%, enquanto o lucro operacional cresceu 2,2%, atingindo 2,5 euros por ação. Este último foi penalizado pela redução das margens em Itália, refletindo a descida dos preços médios aplicados aos clientes, bem como uma menor utilização das fontes renováveis. Em contrapartida, as atividades internacionais registaram um bom desempenho e deram um contributo positivo.
Este conjunto de elementos confirma que, do ponto de vista operacional, a expansão internacional continua a desempenhar um papel central para a Enel, permitindo enfrentar de forma mais eficaz pressões sobre os preços em Itália.
Não se encontram disponíveis dados completos das contas, que serão publicados dentro de algumas semanas. Ainda assim, à luz das indicações relativas ao volume de negócios e ao lucro operacional, a Enel confirmou as orientações para o lucro líquido, que deverá situar-se entre 6,7 e 6,9 mil milhões de euros.
Confirmamos as nossas estimativas de lucro para 2025 e 2026 em 0,72 euros por ação, e estimamos um lucro de 0,74 euros por ação em 2027. Além dos indicadores de rentabilidade, a Enel divulgou também que o nível de endividamento aumentou ligeiramente (+2,5%) face ao final de 2024, para 57,2 mil milhões de euros.
Esta evolução não é, contudo, preocupante, uma vez que o resulta em parte de investimentos e porque o rácio entre endividamento e lucro operacional permanece entre os mais favoráveis do setor.
Novo Nordisk
Manter
A Novo Nordisk chocou ao anunciar previsões muito negativas para 2026: queda de 4% das vendas e de 16% do lucro operacional no exercício em curso tendo em conta os efeitos cambiais.
Além do início da concorrência dos genéricos ao princípio ativo do Ozempic e do Wegovy em alguns países, da concorrência da Eli Lilly (Zepbound, Mounjaro), bem como de versões equivalentes preparadas por farmácias, a redução de preços imposta pela administração Trump deverá penalizar a Novo Nordisk de forma mais acentuada do que o previsto.
O Wegovy oral foi lançado em janeiro nos EUA e deverá sê-lo ao longo do ano na Europa. Contudo, o sucesso esperado não será suficiente para compensar as dificuldades, uma vez que também está sujeito a pressões sobre os preços. Em contrapartida, o crescimento dos volumes do Wegovy deverá mesmo acelerar, sendo essa a principal aposta da Novo Nordisk.
Entretanto, o grupo vai comprar ações próprias no montante de 15 mil milhões de coroas dinamarquesas (1% da capitalização bolsista), e propõe o pagamento de um dividendo de 11,7 coroas em 2026 (+2,6%). O mercado da obesidade continua favorável em termos de volumes, mas a concorrência intensifica-se e o desfecho da guerra de preços é incerto. Apesar da forte queda da cotação, não alteramos o conselho.