Alphabet, Melexis, Santander, UBS
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Alphabet prevê investir de forma massiva em 2026
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Alphabet prevê investir de forma massiva em 2026
Alphabet
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O volume de negócios aumentou 15% em 2025, enquanto o lucro por ação cresceu 34%, para 10,91 dólares. Em destaque esteve a Cloud (15% das receitas), cujas vendas aumentaram 48% no último trimestre, sinalizando que a Alphabet continua a ganhar quota de mercado à Amazon e à Microsoft.
A margem operacional desta atividade registou uma melhoria acentuada (30% no último trimestre; 18% há um ano). Na área de Serviços (85% das receitas), o crescimento também acelerou. A Alphabet adaptou-se bem à rutura tecnológica representada pela IA no motor de pesquisa Google.
Entre os recentes avanços, o contrato assinado com a Apple e o lançamento bem-sucedido da versão três do Gemini. À semelhança de outros gigantes, a Alphabet prevê investir massivamente em 2026, sobretudo centros de dados, cerca de 180 mil milhões de dólares, o dobro de 2025.
A Alphabet dispõe dos meios financeiros necessários para concretizar estas ambições. Mantemos a previsão de lucro por ação em 11,3 dólares para 2025 e revemos em alta a estimativa para 13,5 dólares em 2026.
Os resultados foram de excelente qualidade. O investimento em centros de dados é indispensável para sustentar a progressão na IA e os ganhos de quota de mercado na cloud. A ação é de qualidade e a valorização continua a ser razoável.
Melexis
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A Melexis registou um quarto trimestre fraco. Embora as receitas e o lucro tenham aumentado de forma significativa face ao mesmo período do ano anterior, a margem operacional e o lucro diminuíram em relação ao trimestre precedente.
Tal levou a que os resultados anuais ficassem ligeiramente abaixo das próprias previsões da Melexis e os investidores até esperavam mesmo um desempenho um pouco melhor. O lucro anual ficou em 2,78 euros por ação (-34,4% face aos 4,24 euros em 2024). O dividendo mantém-se, no entanto, estável em 3,70 euros.
A Melexis está a ser penalizada pela procura irregular do setor automóvel em desaceleração, com vendas dececionantes de veículos elétricos (alterações na regulamentação e nos incentivos à compra; quebra da procura na China; mercado automóvel difícil na Europa).
A estes fatores acrescem problemas de qualidade na cadeia de abastecimento, a desvalorização do dólar (ajustamentos contabilísticos nos inventários) e a subida do preço do ouro, uma vez que a Melexis utiliza fios de ouro no encapsulamento dos seus semicondutores. Estes elementos pesaram sobre a margem operacional. Em 2025 situou-se em apenas 16%, face a mais de 27% dois anos antes.
A Melexis não antecipa uma melhoria significativa no curto prazo. A empresa espera que as receitas do primeiro trimestre e do primeiro semestre de 2026 se situem em torno do mesmo nível do ano anterior. As receitas do segundo semestre deverão superar as do primeiro.
A margem operacional deverá recuperar ligeiramente no primeiro semestre, para cerca de 17%. Revemos novamente em baixa as nossas previsões de lucros por ação e estimamos agora um lucro por ação de 3,18 euros em 2026 e de 3,52 euros em 2027.
A Melexis tornou-se claramente mais cautelosa, tendo em conta as projeções pouco convincentes para 2026. Porém, se a administração reconhece que 2025 ficou abaixo das normas históricas, não identifica motivos para preocupações estruturais.
A Melexis enfrentou fatores externos temporários e problemas de transição na produção, incluindo dificuldades de aumento de escala e elevada atividade de testes de wafers associada a vários novos produtos, o que implicou custos adicionais. As causas e os problemas estão a ser abordados e a rentabilidade deverá melhorar a partir deste trimestre.
Os programas comerciais, com especial enfoque na China e na Índia, estão a ser reforçados, o que deverá igualmente melhorar a posição de mercado da Melexis. Mantemos a nossa confiança na capacidade da Melexis e refirmamos o conselho de compra
Santander
Manter
Em 2025, o Santander registou um lucro de 14 101 milhões de euros (+12%) e lucro por ação de 0,91 euros (+17%) beneficiando de uma evolução sólida do negócio bancário, que permitiu alcançar um rácio de eficiência de 41,2%. O banco aproveitou estes resultados para anunciar a intenção de manter a política de remuneração dos acionistas, ao mesmo tempo que tornava pública a aquisição do banco norte-americano Webster.
Esta aquisição permite, do ponto de vista estratégico, dar um passo importante na banca comercial nos Estados Unidos, mas foi realizada a um preço que não consideramos barato. Com uma valorização implícita de 12 200 milhões de dólares, o Santander terá de ser rigoroso na concretização dos 800 milhões de euros de poupanças de custos.
Estes sã o necessários para atingir, até 2028, os objetivos de melhoria da rentabilidade, nomeadamente 18% de rentabilidade sobre o capital e uma contribuição para o lucro por ação de 7% a 8%.
O Santander combina uma elevada rentabilidade do capital com uma política de remuneração ambiciosa, mas a operação nos EUA acrescenta complexidade. Tendo em conta a forte valorização da ação, +140% desde o início de 2025, poderá ser oportuno realizar parcialmente os ganhos acumulados.
UBS
Manter
O banco suíço UBS não conseguiu convencer-nos plenamente aquando da divulgação dos resultados trimestrais, apesar da melhoria de vários indicadores. O lucro líquido aumentou 56% em termos homólogos.
A administração anunciou um novo plano de compra de ações próprias de 3 mil milhões de dólares para 2026, inalterado face a 2025, e reviu em alta, de 500 milhões de dólares para 13 500 milhões de dólares, as sinergias previstas para 2026 associadas à fusão com o Crédit Suisse.
Surpreende-nos o desempenho da atividade de gestão de fortunas, principal motor do UBS. As captações líquidas foram de apenas 8 500 milhões de dólares, depois de 37 500 milhões no terceiro trimestre e 23 300 milhões no segundo trimestre. Nos Estados Unidos, a saída líquida de fundos atingiu 14 100 milhões de dólares.
A reorganização desta atividade no país poderá explicar esta performance em contraciclo. O UBS indicou ainda que as receitas desta área deverão recuar no primeiro trimestre de 2026. A reação em queda da cotação é justificada face à deceção registada na gestão de fortunas. A descida não torna a ação atrativa para compra.