AB InBev, Aperam, Coca-Cola, TotalEnergies
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Coca-Cola continua com aumento nos lucros
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Coca-Cola continua com aumento nos lucros
AB InBev
Manter
A cervejeira AB InBev está confiante para 2026 após um quarto trimestre de 2025 melhor do que o esperado. Os volumes caíram apenas 1,5% (contra uma queda esperada de 2,7%), enquanto as receitas aumentaram 2,5%, para 15,6 mil milhões de dólares.
O dinamismo mantém-se impulsionado pelas cervejas sem álcool, cujas vendas aumentaram 34% em 2025, e pela perspetiva de um verão de 2026 rico em eventos desportivos, propícios ao consumo.
Estes fatores apoiam uma perspetiva de crescimento do EBITDA entre +4% e +8%. A AB InBev também aumentou o dividendo, propondo um total de 1,15 euros por ação para 2025, comparado com 1 euro em 2024 e 0,82 euros em 2023, um acréscimo de cerca de 40% em dois anos.
Esta evolução confirma o regresso a uma política mais generosa de distribuição de dividendos após a fase de redução do endividamento.
Aperam
Comprar
Mais um trimestre fraco para a Aperam, que fechou com lucros de 0,40 euros por ação. Os preços de venda e as entregas de aço mantiveram-se baixos. O grupo teve lucros anuais de 0,13 euros por ação, uma forte queda face aos 3,19 de 2024. A procura dos setores automóvel, da construção e energético manteve-se fraca.
Porém, o pior para a Aperam pode já ter passado. Tal como a ArcelorMittal, a administração espera que as medidas de proteção introduzidas pela Comissão Europeia limitem as importações de aço a preços baixos (sobretudo da China, impulsionadas por subsídios substanciais). Prevemos assim um duplo impacto para a Aperam.
Por um lado, o aumento dos preços do aço. Por outro, a subida das encomendas permitirá à Aperam utilizar as suas fábricas de forma mais eficiente, o que melhorará as margens. A administração afirma que estas medidas terão um impacto positivo nos lucros no segundo semestre de 2026 e em 2027.
Uma economia europeia ligeiramente mais dinâmica e o desenvolvimento contínuo da produção de aços de maior valor acrescentado também beneficiarão os resultados. Prevemos lucros por ação de 2 euros em 2026 e de 3,50 em 2027.
A implementação gradual de barreiras à entrada na Europa permitiu às ações subir cerca de 50% no último ano. Ainda assim, a Aperam é uma opção atrativa: comprar.
Coca-Cola
Comprar
Em 2025, a Coca-Cola registou um aumento significativo da rentabilidade, com o lucro operacional corrente a subir 13%, tanto no total do ano como no quarto trimestre.
As vendas anuais rondam agora os 48 mil milhões de dólares, um aumento orgânico de 5%, impulsionado pela subida de preços e uma posição mais favorável dos seus produtos, enquanto os volumes permanecem estáveis.
A melhoria do resultado operacional deve-se a três alavancas: um efeito de preço positivo, uma mistura de vendas mais rica de produtos de alta margem (como os concentrados) e um bom controlo de custos, possibilitado por um modelo de ativos mais leve e ganhos de eficiência. A Coca-Cola continua a aumentar os lucros sem depender de um crescimento significativo do volume.
Para 2026, o grupo está cauteloso, mas confiante. Prevê um crescimento orgânico das receitas de 4 a 5% e um aumento do lucro por ação entre 7 e 8%, impulsionado pela subida de segmento na oferta (Coca-Cola Zero, bebidas “funcionais”) e pelo crescimento nos mercados emergentes.
Mantemos a nossa previsão de lucro por ação em 3,1 dólares em 2026 e 3,3 para 2027. Os bons resultados em 2025, as boas perspetivas para 2026 e a solidez financeira da Coca Cola estimularam a valorização da ação. Não alteramos o conselho de compra.
TotalEnergies
Manter
A TotalEnergies ajustou a remuneração dos acionistas. Tendo em conta a expectativa de preços do barril mais baixos em 2026 e 2027 e com o objetivo de preservar liquidez, vai reduzir para metade a compra de ações próprias no primeiro trimestre e prevê agora um envelope anual de 3 a 6 mil milhões de dólares (7,5 mil milhões em 2025).
Uma decisão esperada, dada a conjuntura do setor. Por seu lado, o importante dividendo não está em risco em 2026, graças ao controlo do endividamento e à capacidade da TotalEnergies para gerar bastante cash flow. A petrolífera mantém a trajetória de crescimento da produção de hidrocarbonetos no plano 2026-2030.
O essencial jogar-se-á no GNL (gás natural liquefeito), onde prevê um aumento médio anual da produção de 7%, apoiado nos seus ativos no Qatar, Malásia e Moçambique, entre outros.
Em sentido contrário, o aumento global das capacidades de produção de GNL (por parte de Shell e Exxon) deverá exercer pressão para baixa nos preços de venda nos próximos anos.
Para mitigar o impacto nos resultados, a TotalEnergies está também a reforçar a produção de eletricidade renovável e implementou um plano de poupanças para assegurar a rentabilidade caso os preços venham a cair.
A subida dos preços do petróleo por razões geopolíticas, e não fundamentais, bem como os bons resultados de 2025 deram algum impulso à cotação. O nosso cenário de descida dos preços mantém-se atual.