ASML, LVMH, Tesla, Teva Pharma
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A atividade automóvel da Tesla mostra sinais de abrandamento
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A atividade automóvel da Tesla mostra sinais de abrandamento
ASML
Comprar
Em 2025, o volume de negócios e o lucro por ação aumentaram, respetivamente, 15,6% e 28,5%. A boa surpresa veio das encomendas (+48% face a 2024).
Os principais clientes da ASML estão a aumentar a capacidade de produção para responder à forte procura de semicondutores (inteligência artificial).
A carteira de encomendas da ASML provém em 40% de especialistas em memórias (Samsung Electronics e SK Hynix) e o grupo norte-americano Micron, num mercado em situação de escassez. Paralelamente, outros grandes fabricantes de semicondutores, como a TSMC, multiplicam os projetos de novas fábricas.
Assim, a ASML reviu em alta as previsões de receitas para 2026: +12%, quando anteriormente apontava apenas para uma ligeira subida. Tal ocorre apesar das restrições que irão penalizar as vendas na China. Este mercado deverá representar 20% das vendas em 2026 (33% em 2025).
Os objetivos até 2030 apontam para uma forte evolução do lucro. Revemos em alta as nossas previsões: lucro por ação de 30,1 euros em 2026 e de 34,7 euros em 2027.
Apesar das restrições às vendas para a China, a ASML está otimista para 2026. A procura mantém-se dinâmica, com encomendas recorde. A forte progressão esperada dos lucros justifica os níveis elevados de valorização: rácio PER para 2026 em 40 face à média de 32 nos últimos 10 anos.
LVMH
Comprar
No quarto trimestre, o volume de negócios global da LVMH ficou aquém do esperado: +1% em termos orgânicos; relojoaria e joalharia (+8%; 8,5% do lucro) e à distribuição (+7%; 10%).
Em contrapartida, as receitas da Moda (72,4% do lucro) recuaram 3%. Esta queda era esperada, mas prevíamos uma surpresa positiva. O mercado chinês voltou a crescer, ainda que pouco.
As dificuldades são mais acentuadas na divisão de vinhos e bebidas espirituosas (5,5%), cujo volume de negócios caiu 9%. As menores exportações para os EUA, a queda do dólar e o abrandamento estrutural do consumo continuam a penalizar a divisão. Os investidores ficaram dececionados com o tom muito prudente da LVMH para 2026.
Embora refira a continuação do controlo de custos para responder à diminuição da rentabilidade, revelou pouco entusiasmo quanto ao ritmo de crescimento das receitas.
A manutenção das tensões comerciais, a fraqueza do dólar e a subida do preço do ouro, que encarece os custos de produção da joalharia, voltarão a penalizar a LVMH. Reduzimos de 25 para 23,5 euros a estimativa de lucro por ação para 2026.
Como estimávamos, o regresso ao crescimento é difícil. A LVMH continua dependente de fatores externos, mas prossegue a sua estratégia como a exclusividade e a atuação ao nível dos custos.
Tesla
Vender
No quarto trimestre de 2025, a Tesla publicou resultados acima das previsões. A margem bruta foi de 20%, o nível mais elevado dos últimos dois anos, impulsionada por ganhos de produtividade e pelo forte crescimento da divisão de energia (armazenamento e baterias), agora um vetor estratégico para a Tesla.
Em contrapartida, a atividade automóvel revela sinais de abrandamento: as entregas recuaram 16% em termos homólogos, refletindo a concorrência nos veículos elétricos e a redução dos apoios públicos.
A Tesla salvou o trimestre através da melhoria das margens e da boa dinâmica das atividades adjacentes (armazenamento de energia, postos de carregamento).
Para 2026, a Tesla aposta em três alavancas: software de condução autónoma, futuro serviço de robotáxis e a continuação do crescimento no armazenamento de energia (Megapack, Powerwall).
Estes projetos poderão, a prazo, transformar o perfil de lucros da Tesla, mas exigem ainda investimentos significativos e não geram, por enquanto, os fluxos de tesouraria esperados pelo mercado. Paralelamente, a visibilidade sobre uma recuperação dos volumes permanece limitada (-9% em 2025).
A contração dos volumes vendidos automóveis e a persistente ciclicidade do negócio principal limitam a recuperação das margens. A ação é muito arriscada: venda. .
Teva Pharma
Manter
Pelo terceiro ano consecutivo, as vendas da Teva aumentaram. Em 2025, +3%, excluindo efeito cambial, continuando a ser impulsionadas pelos medicamentos patenteados (Austedo, Ajovy e Uzedy). Em conjunto, atingiram pela primeira vez 1000 milhões de vendas no quarto trimestre. As previsões para 2026 são, no entanto, dececionantes.
A Teva prevê vendas estáveis ou em ligeira queda e um recuo dos lucros. De facto, em 2025 beneficiou de um pagamento pontual (colaboração com a Sanofi) associado à fase final de desenvolvimento do duvakitug (colite ulcerosa e doença de Crohn). Sobretudo, a Teva antecipa a perda de 1000 milhões de vendas da sua versão genérica do anticancerígeno Revlimid.
Ainda assim, o crescimento deverá regressar já em 2027 e prolongar-se pelo menos até 2030. A Teva aposta em novos produtos patenteados. Entre estes, o tratamento contra a esquizofrenia Olanzapine LAI (lançamento nos EUA para o final de 2026) deverá complementar as vendas do Uzedy.
Já o TEV-408, destinado ao tratamento do vitiligo (doença autoimune crónica da pele), verá o desenvolvimento acelerar graças ao acordo que a Teva celebrou com a Royalty Pharma.
A estratégia de recuperação está a dar resultados. 2026 será um difícil, mas o lançamento de novos produtos inovadores sustentará o crescimento até 2030.