Bayer, Bpost, Check Point Software, Shell
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A crise no Médio Oriente poderá pesar sobre os custos de produção da Bayer
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A crise no Médio Oriente poderá pesar sobre os custos de produção da Bayer
Bayer
Vender
A Bayer utiliza derivados do petróleo para os pesticidas da divisão agroquímica Crop Science. A crise no Médio Oriente, se se prolongar, pesará sobre os custos de produção desta divisão.
E esta crise surge num contexto já muito complicado para Bayer, que registou um prejuízo em 2025 (3,68 euros por ação) pelo terceiro ano consecutivo. Um resultado novamente penalizado pelos litígios ligados ao glifosato (produto proveniente da aquisição da Monsanto e acusado de ser cancerígeno).
A Bayer esforça-se por resolver ou limitar a pesada fatura destes litígios e já conseguiu que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos analisasse o processo, com a esperança de que seja tomada até junho uma decisão que possa pôr termo a numerosas ações judiciais (atuais e futuras), por ausência de aviso adequado. Porém, nada está garantido.
Mas mesmo sem estes litígios, a Bayer não se encontra numa situação confortável. Em 2025, registou uma diminuição de 4,5% do EBITDA devido a efeitos cambiais negativos. E as três divisões contribuíram para este recuo.
A divisão Crop Science sofreu com a queda dos preços de venda do glifosato (concorrido por produtos genéricos).
Na divisão Farmacêutica, as despesas aumentaram com o lançamento de novos produtos. E a divisão de saúde do consumidor sofre com uma forte concorrência.
Este ano, o impacto dos efeitos cambiais continuará a pesar nas receitas. A Bayer prevê receitas entre 44 e 46 mil milhões de euros (45,6 mil milhões em 2025). O EBITDA deverá situar-se entre 9,6 e 10,1 mil milhões de euros (9,7 mil milhões em 2025). Na divisão Crop Science, a pressão ligada ao glifosato continuará a fazer-se sentir.
A ação da Bayer permanece demasiado valorizada, tendo em conta o fraco dinamismo das atividades, a situação financeira pouco favorável e a crise no Médio Oriente: venda.
Bpost
Manter
A Bnode, antigo grupo bpost, registou em 2025 um crescimento moderado de 3,2% das receitas, para 4,5 mil milhões de euros, impulsionado pela consolidação durante doze meses da Staci na divisão Paxon, dedicada à logística de comércio eletrónico. Contudo, a rentabilidade degradou-se de forma acentuada.
O resultado operacional corrente caiu 20%, para 180 milhões de euros, apesar de um quarto trimestre mais robusto (+1,5%) apoiado por um bom desempenho no mercado belga.
O resultado líquido apresenta uma perda superior a 40 milhões de euros, devido a encargos excecionais, racionalização imobiliária e simplificação dos sistemas informáticos, bem como a um aumento dos encargos com juros associado à aquisição da Staci.
A diminuição da rentabilidade operacional explica-se por vários fatores adversos: volumes fracos no comércio eletrónico norte-americano, perda da concessão da imprensa na Bélgica e efeito de diluição associado à integração da Staci.
Para 2026, a Bnode prevê um resultado operacional entre 165 e 195 milhões de euros, trajetória globalmente estável, com possibilidade de uma ligeira recuperação caso as sinergias anunciadas se concretizem.
A empresa aposta numa reorganização em torno de três marcas: Bpost para o último quilómetro no Benelux, Paxon para a logística contratual e Landmark Global para o comércio transfronteiriço.
Porém, o processo de transformação permanece oneroso e os resultados continuam por materializar-se. Sinal das dificuldades, pelo segundo ano consecutivo, não será distribuído dividendo.
Um mercado pouco dinâmico e novos encargos excecionais penalizaram os resultados de 2025, provocando nova deceção para os investidores. A ação, novamente penalizada em bolsa, negoceia com desconto face aos capitais próprios.
Uma eventual recuperação permanece condicionada pela melhoria das margens e pelo sucesso do plano de transformação. Pode manter se for mais tolerante ao risco.
Check Point Software
Manter
A ação do gigante da cibersegurança não escapou à desconfiança dos investidores em relação ao setor do software e os progressos da IA que ameaçam o modelo de negócio.
Já os resultados de 2025 foram convincentes: receitas +6%, encomendas +9% e lucro por ação +30% em base comparável. Menos bons, os objetivos para o ano em curso dececionaram. As receitas deverão, é certo, aumentar entre 4% e 8%, mas o lucro por ação apenas entre 1% e 9%.
Pela positiva, as tensões geopolíticas potenciam as ameaças e as necessidades de cibersegurança num mundo cada vez mais digital. Estimamos que a Check Point Software dispõe dos trunfos necessários para atravessar bem o atual período de turbulência, graças a uma base de clientes fiéis e a uma rentabilidade confortável.
Além disso, a ausência de dívida poderá permitir ao novo CEO, mais orientado para o crescimento do que o antecessor, tirar partido do recuo generalizado das cotações das empresas de cibersegurança para realizar aquisições. Prevemos lucro por ação de 8,05 dólares em 2026 e de 8,8 dólares em 2027.
A Check Point Software é financeiramente sólida e poderá realizar aquisições direcionadas a preços atrativos, suscetíveis de dinamizar o crescimento dos lucros. A ação negoceia a 19 vezes o lucro esperado em 2026, isto é, na média do setor.
Shell
Manter
Com cerca de 20% da sua produção de hidrocarbonetos no Médio Oriente, a Shell é uma das petrolíferas mais expostas à guerra no Golfo. A empresa está presente no Qatar (GNL) em parceria com a QatarEnergy. Em Omã atua no gás natural e no petróleo. O gás e o GNL (30% da produção da Shell) constituem pilares importantes para o crescimento e representam 40% do cash gerado após os investimentos.
Agora, a QatarEnergy interrompeu a produção de GNL após ataques de drones iranianos às suas instalações. A Shell encontra-se assim com parte da sua produção de GNL parada no curto prazo.
Contudo, dispõe de uma presença mundial neste negócio (EUA, Nigéria, Austrália…) e de uma plataforma de negociação que permite redirecionar carregamentos e aproveitar preços mais elevados no mercado. Em termos de diversificação, a Shell também está a crescer no petróleo brasileiro (ainda apenas 17% da sua produção).
Acima de tudo, a subida dos preços do gás e do petróleo é positiva para a Shell, que se comprometeu a proceder à compra de ações próprias no valor de 3,5 mil milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, montante idêntico ao dos trimestres anteriores.
Apesar de uma forte exposição ao Médio Oriente, a Shell beneficia da subida geral dos preços dos hidrocarbonetos com a guerra.