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Publicado em: 08 junho 2026
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Autor: Rui Ribeiro

Investimento em ações: dicas para começar com segurança

Aprenda a investir em ações no longo prazo, com foco na diversificação, controlo do risco e seleção de boas empresas.

A história não se repete, mas deixa lições importantes e, no mundo dos investimentos, não é diferente. Nos últimos 20 anos, as bolsas mundiais geraram um rendimento médio de 9,3% ao ano, incluindo o reinvestimento dos dividendos. Isto apesar de terem existido anos negativos, como 2022, em que os mercados registaram perdas significativas. 

No futuro, esta rentabilidade manter-se-á? Ninguém sabe. Pode ser inferior, mas também pode ser mais elevada. O que sabemos é que, historicamente, as ações têm proporcionado retornos significativamente superiores aos de outras classes de ativos, como as obrigações ou os produtos sem risco – depósitos a prazo, Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro. 

A rentabilidade média destes produtos conservadores muitas vezes nem consegue superar a inflação. Vejamos um pequeno exemplo: se poupar mensalmente 200 euros, ao fim de 20 anos terá acumulado 48 mil euros. Caso invista esse dinheiro a uma taxa de 2% ao ano – equivalente à oferecida por alguns dos melhores depósitos a prazo ou à remuneração dos Certificados de Aforro –, o montante final poderá atingir cerca de 58 944 euros, o que representa uma valorização de 22,8 por cento. 

Mas se conseguir uma rentabilidade média anual de 8%, que só pode ser obtida de forma consistente e duradoura através do investimento em ações, alcançará 114 532 euros. Ou seja, mais do dobro do valor obtido apenas com as poupanças realizadas. Portanto, este é o caminho mais adequado, desde que esteja alinhado com o seu perfil de investidor e objetivos.

Pré-requisitos essenciais para investir em ações 

Aceitar um nível de risco alto é a primeira condição. De todos os produtos de investimento clássicos, as ações são aquelas em que há mais risco de perder dinheiro e em que há maiores oscilações de preço (volatilidade).

Está preparado para aceitar esse risco? Por exemplo, se comprou uma ação já muito valorizada, pode não voltar a recuperar o dinheiro investido. Por outro lado, há empresas cuja cotação sobe 100, 200, 300% ou até mais, desde que tenha paciência e lhes dê tempo para crescer.

Criar um fundo de emergência equivalente a vários meses de salário (pelos menos seis) é uma regra basilar das finanças pessoais e o segundo requisito antes de se aventurar nas bolsas. Os produtos financeiros sem risco e com uma liquidez imediata, como depósitos ou Certificados de Aforro, são os mais adequados para este pé-de-meia. 

Terceira regra: liquide as dívidas. O crédito à habitação é a exceção, devido ao montante elevado deste tipo de empréstimo. Igualmente importante é não se endividar para investir nos mercados financeiros. 

Quarto requisito: a pedra angular de qualquer estratégia de investimento é construir uma carteira diversificada. Esta meta é muito mais fácil de atingir com fundos de investimento e/ou ETF do que com ações individuais. Por isso, até se familiarizar com o mundo dos investimentos, deve começar por criar uma carteira de ETF de ações (globais ou de diferentes países e setores) e obrigações (de diferentes moedas, de emissores públicos e privados).

Por fim, investir em ações requer um certo grau de envolvimento. Não é necessário passar cinco dias por semana, 24 horas por dia, em frente do computador. No entanto, é fundamental manter-se informado sobre as ações em que investiu, acompanhar a evolução dos mercados financeiros e estar atento a empresas com potencial de investimento no futuro.

Se está a começar e ainda não possui conhecimentos técnicos, considere assinar serviços de aconselhamento como a DECO PROteste Investe, acompanhar notícias económicas em jornais de referência e consultar informações diretamente nos sites das empresas e em fontes credíveis na internet. 

Avalie sempre a fiabilidade, a reputação e a experiência das fontes que utiliza. A inteligência artificial também pode ser uma ferramenta útil para apoiar a sua análise e aprendizagem. Ainda assim, é importante confirmar sempre a veracidade das informações através de fontes oficiais e originais.

Como investir em ações com sucesso 

Saber distinguir ações com potencial de valorização daquelas que estão sobreavaliadas ou apresentam fracas perspetivas de crescimento é essencial para investir com sucesso.

Comprar ações de uma excelente empresa a um preço demasiado elevado pode revelar-se um mau investimento. Ainda assim, continua a ser, na maioria dos casos, uma opção mais sensata do que comprar ações de uma empresa fraca apenas porque parecem baratas. 

No comparador de ações dispõe de uma ficha detalhada de cada ação. Na secção intitulada "como formulamos o conselho", pode consultar a nossa metodologia de avaliação de empresas. Utilize, também, o comparador de ações para identificar as mais interessantes. Se deixar de fazer sentido manter uma determinada posição – seja porque o preço valorizou excessivamente (o cenário ideal), seja porque as perspetivas da empresa se deterioraram –, deverá considerar a sua venda e, eventualmente, reinvestir o capital noutras ações com maior potencial de valorização. 

Outro aspeto fundamental é manter cerca de 10% do valor da carteira em liquidez. Desta forma, poderá aproveitar rapidamente oportunidades de investimento que surjam no mercado, sem necessidade de vender ações que já possui. 

Gestão do risco: duas estratégias muito eficazes 

Um dos aspetos fundamentais na criação de uma carteira de ações é uma boa gestão do risco. Para isso, há dois requisitos essenciais: fazer uma boa diversificação; e investir numa perspetiva de longo prazo. 

1. O que significa diversificar?

Diversificar significa distribuir o investimento por várias ações, por vários mercados geográficos e setores de atividade, em vez de concentrar todo o dinheiro numa ou duas empresas. Mesmo depois de ter uma lista das ações mais atrativas, é importante fazer escolhas e construir uma carteira equilibrada. 

O ideal é ter entre 20 e 30 ações, embora uma carteira com 10 a 15 ações de empresas de diferentes países e setores já ofereça uma boa diversificação. É claramente menos arriscado do que investir em poucas ações. 

A razão é simples: se algumas caírem, essas quedas podem ser compensadas pelo desempenho positivo de outras. Além disso, os diferentes mercados e setores não reagem todos da mesma forma à conjuntura económica. Veja-se o exemplo da pandemia: enquanto setores como o turismo ou o transporte aéreo foram altamente penalizados, o setor tecnológico acabou por beneficiar com o acelerar de algumas tendências, nomeadamente a progressiva digitalização da economia.

2. Investir no longo prazo 

Quanto mais curto é o seu horizonte temporal, mais especulativo é o investimento em ações. Ninguém consegue prever, com o mínimo de rigor, o que irá acontecer a curto prazo. Num contexto económico ou setorial incerto e, às vezes, até em momentos de crescimento, podem ocorrer imprevistos que desencadeiem uma reação adversa dos mercados. Mas, no longo prazo, as bolsas recuperam sempre. 

Para "suavizar" as consequências dos eventos de curto prazo e para ter tempo de a sua estratégia dar frutos, o horizonte de investimento deve ser suficientemente longo, no mínimo cinco anos, mas idealmente dez ou mais anos. Logo, apenas deve investir diretamente em ações o dinheiro que tem a certeza de que não lhe fará falta a curto prazo. 

Se, ainda assim, tem dúvidas sobre como começar e não sabe que ações escolher, pode seguir uma das carteiras recomendadas pela DECO PROteste Investe. Temos uma nova parceria com o Banco Carregosa e a Real Vida Seguros, que permite replicar as nossas carteiras de ações. Assim, não terá de se preocupar com a escolha dos títulos nem despender o seu tempo com a gestão quotidiana.

A importância do intermediário financeiro

Para investir em ações e construir uma carteira de títulos, é necessário recorrer aos serviços de um banco ou de uma corretora autorizada. Para isso, deverá abrir uma conta de valores mobiliários na instituição escolhida, onde ficarão registadas e depositadas as ações que adquirir. 

O preçário dos serviços de negociação em bolsa varia significativamente de instituição para instituição. Estes custos podem afetar a rentabilidade global da sua carteira. Para saber quais são os bancos e as corretoras mais baratos, consulte o último estudo. Pode poupar dezenas ou centenas de euros por ano, sobretudo se fizer muitas transações.

Como escolher as melhores ações

O primeiro grande desafio é identificar boas empresas. o segundo é analisar se o preço em bolsa é atrativo. 

  1. História e atividade da empresa. Entenda o negócio, a implementação da empresa no mercado. Analise o setor de atividade e as perspetivas de crescimento. 
  2. Concorrência. Analise a existência ou ausência de vantagens competitivas, e eventuais barreiras à entrada. 
  3. Estrutura acionista e equipa de gestão. Veja se os seus interesses estão alinhados com os dos acionistas minoritários. 
  4. Evolução de número de ações. Verifique se a empresa tem um histórico de fazer aumentos de capital ou se compra ações próprias, reduzindo o seu número.
  5. Fatores de risco. Confirme se há processos judiciais, participações do estado, entre outros.
 

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