Abbott, Netflix, TotalEnergies, Zurich Insurance
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A seguradora Zurich Insurance tenta comprar a empresa britânica Beazley, mas sem sucesso
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A seguradora Zurich Insurance tenta comprar a empresa britânica Beazley, mas sem sucesso
Abbott
Manter
O volume de negócios do quarto trimestre cresceu apenas 3%, excluindo efeitos cambiais, penalizado pelas divisões Nutrition e Diagnostics. A primeira (-9,1%) foi afetada pela diminuição dos volumes e reduções de preços. A segunda (-3,6%) sofreu um recuo acentuado da procura de testes à Covid e uma conjuntura tarifária difícil na China.
Além destes fracos resultados, em 2025, a Abbott anunciou a aquisição, por 23,6 mil milhões de dólares, incluindo dívida, da norte-americana Exact Sciences, especializada em testes de rastreio e acompanhamento do cancro.
Esta operação estratégica reforça a Abbott nos diagnósticos oncológicos personalizados, como o Cologuard, (rastreio do cancro do cólon ao domicílio). Ao posicionar-se neste mercado em expansão, a Abbott melhora as perspetivas de crescimento da atividade Diagnostics.
A operação deverá ser concluída no segundo trimestre e terá um impacto negativo no lucro por ação deste ano. Em termos de vendas, a Abbott prevê para 2026 um crescimento de 6,5 a 7,5%, excluindo efeitos cambiais e a Exact Sciences, previsão em linha com as expectativas.
As dificuldades da divisão Nutrition são motivo de preocupação e deverão prolongar-se. Além disso, a Abbott continua exposta ao risco de processos judiciais relacionados com o leite infantil nos EUA.
Netflix
Comprar
No quarto trimestre de 2025, os resultados voltaram a superar as expectativas. No conjunto de 2025, o volume de negócios aumentou 16% e o lucro por ação 27%, para 2,58 dólares.
Estas evoluções foram sustentadas pelo aumento do número de assinantes (+8% em 2025), mas também pelos aumentos dos preços das subscrições e a expansão das receitas publicitárias (2,5x num ano), atingindo 1500 milhões de dólares e representando já mais de 3,3% das receitas. Apesar destes bons resultados, as perspetivas anunciadas pela Netflix para 2026 acabaram por dominar a reação do mercado.
A Netflix prevê um crescimento do volume de negócios de 12 a 14% e uma margem operacional de 31,5%, após 29,5% em 2025 e 26,7% em 2024. O mercado antecipava uma progressão mais acentuada da margem. No entanto, esta será ligeiramente penalizada pelo aumento dos investimentos em conteúdos (+5,4%, para 17,1 mil milhões de dólares).
A Netflix já não é, como há alguns anos, uma ação de crescimento nem uma empresa focada exclusivamente na conquista de quota de mercado. A Netflix é hoje uma empresa rentável.
Gera cada vez mais liquidez (+38% em 2025, +16% esperados para 2026, para 11 mil milhões de dólares). Dispõe de uma alavanca publicitária ainda largamente subexplorada, que deverá já representar este ano 6% do volume de negócios.
O potencial de desenvolvimento permanece significativo, uma vez que, nos seus principais mercados, a Netflix capta ainda menos de 10% do tempo passado em frente à televisão. A margem beneficiária continuará a aumentar nos próximos anos.
Desde o anúncio, a 5 de dezembro, da oferta sobre a Warner, a cotação recuou mais de 15%. O mercado receou que a Netflix lançasse uma oferta superior face à proposta da Paramount Skydance, entretanto rejeitada pela Warner.
Surgiram também preocupações quanto aos riscos de integração da Warner, com o aumento do endividamento resultante da aquisição, que poderia atingir cinco vezes o EBITDA, e ao nível elevado do preço oferecido, baseado numa valorização correspondente a mais de 18 vezes o EBITDA estimado para 2026 das atividades adquiridas.
Tendo em conta a importância da liquidez geradas pela Netflix, não vemos motivos de preocupação. E, caso a aquisição da Warner se concretize no final de 2026, a Netflix reforçará ainda mais a atratividade face aos concorrentes, uma vez que passará a integrar a base de assinantes da HBO Max, o streaming da Warner, bem como vários franchises emblemáticas de Hollywood, como Harry Potter e DC Comics.
Com base numa previsão de lucro por ação para 2026 de cerca de 3,25 dólares, o rácio cotação/lucro recuou para 25,5. Trata-se de um nível razoável, tendo em conta a progressão esperada dos lucros. O nosso conselho não se altera: comprar.
TotalEnergies
Manter
A TotalEnergies anunciou um aumento da produção de hidrocarbonetos superior ao previsto. A produção do quarto trimestre de 2025 deverá crescer cerca de 5% em termos homólogos, permitindo um crescimento ao longo de 2025 próximo de 4%, isto é, acima do objetivo de mais de 3%.
Apesar da queda dos preços do petróleo, a TotalEnergies conseguiu estabilizar a liquidez gerada no último trimestre de 2025. Anúncios positivos, mas ofuscados pelas ameaças de guerra comercial.
Zurich Insurance
Manter
A Zurich Insurance lançou uma oferta sobre a britânica Beazley para complementar a sua oferta. A Beazley está ativa em segmentos específicos do seguro, como a cibersegurança e o espaço, enquanto a Zurich Insurance permanece concentrada nos ramos mais clássicos, como seguros de vida e saúde.
O preço proposto, 1280 pence por ação, correspondente a um prémio de 56% face à última cotação, e situa-se no topo do intervalo observado em operações semelhantes. A oferta foi rejeitada pela Beazley.