Adidas, Berkshire Hathaway, Telefónica, Vallourec
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Telefónica nunca conseguiu o retorno dos investimentos passados
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Telefónica nunca conseguiu o retorno dos investimentos passados
Adidas
Manter
Apesar de uma conjuntura difícil, a Adidas publicou vendas recorde em 2025 (+10% excluindo efeitos cambiais), com melhoria da margem operacional, 8,3% (5,6% em 2024).
Em contrapartida, apesar de um calendário desportivo favorável, as previsões para 2026 dececionam, com um resultado operacional que continuará penalizado pelas tarifas aduaneiras norte-americanas e por efeitos cambiais.
Financeiramente sólida, a Adidas lança ainda um plano de compra de ações próprias até 1000 milhões de euros para o exercício de 2026, o que representa cerca de 3% a 4% da capitalização bolsista.
Berkshire Hathaway
Manter
Apesar das tensões geopolíticas, a Berkshire Hathaway deverá resistir sem danos significativos. Algumas divisões (transporte ferroviário e atividades industriais) poderão sentir o impacto dos custos energéticos e de um eventual abrandamento da procura global. Ainda assim, a estrutura diversificada da BH é um trunfo.
Entre seguradoras, o império energético, atividades industriais e participações estratégicas de longo prazo (Apple, Coca-Cola, Amex), a diversificação cumpre plenamente o seu papel de amortecedor. Outro fator tranquilizador é a posição de caixa (373 mil milhões de dólares no final de 2025). Esta “reserva estratégica” permite absorver eventuais choques e aproveitar oportunidades de investimento a preços atrativos.
O principal ponto fraco foi o desempenho do segmento segurador no quarto trimestre de 2025. A área registou um aumento significativo dos sinistros (maior frequência de catástrofes naturais) e da inflação nos custos de reparação automóvel. Estas dificuldades deverão, contudo, atenuar-se ao longo de 2026, à medida que os ajustamentos dos prémios de seguro produzam efeitos.
Mesmo que o clima bolsista permaneça instável com a guerra no Irão, a holding mantém trunfos (solidez financeira, balanço exemplar, perfil defensivo) para continuar a criar valor no longo prazo.
Telefónica
Vender
Pelo terceiro ano consecutivo, a gigante espanhola das telecomunicações apresenta uma perda: 0,81 euros por ação em 2025. Em causa encargos de reestruturação e desvalorizações com a venda a preços muito baixos de várias filiais na América hispânica (Argentina, Peru, Uruguai e Equador). A Telefónica pretende vender este ano os últimos ativos que ainda possui nessa região.
Há 10 anos gerava 31% das receitas e era considerada o eixo de crescimento. Contudo, a Telefónica nunca conseguiu rentabilizar os pesados investimentos. Sem os encargos não recorrentes, o lucro por ação teria ainda assim recuado 21%, refletindo dificuldades na Alemanha (23% das receitas) e em Espanha (36%), onde a concorrência é intensa.
O grupo reitera todos os objetivos para o horizonte 2030, com destaque para um crescimento fraco do volume de negócios e do resultado operacional antes de amortizações, entre 1,5% e 2,5% por ano em 2025-2028 e de 2,5% a 3,5% em 2028-30. Pressionado por um endividamento problemático, reduzirá para metade o dividendo em 2026. Prevemos lucro por ação de 0,3 euros em 2026 e de 0,33 euros em 2027.
Os resultados não são tranquilizadores e, após as vendas de ativos na América Latina, a Telefónica carece de motores para reduzir o endividamento. Apesar da queda da cotação, a ação não é atrativa: venda.
Vallourec
Comprar
A Vallourec espera um início de 2026 pouco dinâmico. A descida dos preços do petróleo no final de 2025 leva alguns clientes a adotarem maior prudência nos seus investimentos.
A Vallourec prevê um recuo dos seus preços de venda no trimestre em curso nos Estados Unidos. A ação valoriza cerca de 25% desde o início do ano e mantém potencial de valorização para os mais especuladores.