Grupo EDP: perfil
O grupo EDP tem revisto em baixa os seus planos de investimento e as perspetivas de crescimento
O grupo EDP tem revisto em baixa os seus planos de investimento e as perspetivas de crescimento
O grupo EDP assenta a sua estratégia nas energias renováveis, estando presente em vários mercados, com especial enfoque nos EUA, Europa e Brasil.
Para além das energias renováveis, em que opera sobretudo através da EDP Renováveis, (EDPR) detida em 71,3%, a EDP aposta ainda no negócio das redes de eletricidade na Península Ibérica e no Brasil.
Dada a menor visibilidade das energias renováveis face às elevadas expectativas criadas no pós-pandemia, o grupo tem revisto em baixa os seus planos de investimento e, por consequência, as perspetivas de crescimento.
Ainda assim, o grupo está bem preparado para aproveitar o aumento da procura de eletricidade, originado pela crescente eletrificação do consumo e pela expansão de data centers, e tem uma estratégia de crescimento equilibrada, que financia parte do investimento com vendas de ativos, já que é na fase inicial dos projetos que a criação de valor é mais elevada. Além disso, o grupo oferece uma boa diversificação geográfica e tecnológica (energia eólica, solar, hídrica) e, no caso da EDP, a remuneração acionista é atrativa.
Nos primeiros nove meses do ano, a EDP obteve lucros de 0,23 euros por ação. Este valor, que saiu em linha com o previsto, representa uma queda de 12% face a 2024, que foi provocada por menores ganhos com vendas de ativos (22 ME vs. 191 ME). Sem este fator, o lucro líquido aumentou 5%.
A nível operacional, destaque para o aumento de 14% da produção de eletricidade, a beneficiar da subida da capacidade instalada (+9%), e para a melhoria dos resultados no negócio de redes de eletricidade.
Ainda assim, o EBITDA caiu 3%, afetado pela queda de 9% do preço médio de venda de energia e por maiores custos de abastecimento de energia. A nível financeiro, o resultado piorou 13% devido ao aumento da dívida líquida (+11%) e do seu custo médio.
No caso da EDP Renováveis, o lucro desceu 49%, para 0,10 euros por ação, um valor abaixo do esperado devido a imparidades na Europa e EUA.
Sem fatores não recorrentes, o lucro caiu apenas 10%, com as receitas totais a subirem 16% e o EBITDA a aumentar 7%, graças ao aumento de 14% da produção de eletricidade. O investimento caiu 21%, refletindo uma política mais rigorosa, mais focada nos mercados chave e de baixo risco.
No novo plano estratégico do grupo até 2028, as linhas orientadoras não mudaram, mas as metas são pouco ambiciosas. O investimento baixará para 12 mil ME, dos quais 7,5 mil ME feitos pela EDPR em energia solar, eólica e sistemas de armazenamento, e 3,6 mil ME em redes de eletricidade. O objetivo em termos de operações de rotações de ativos é encaixar 5 mil ME.
Apesar da melhoria da eficiência se manter como uma prioridade, o crescimento estimado dos resultados é fraco. O EBITDA passará de 4,9 mil ME em 2025 para 5,2 em 2028 (+6%), e o lucro líquido previsto de 1,2 mil ME em 2025 para 1,3 mil ME em 2028 (+8%), embora a dependência dos ganhos com rotações de ativos diminua.
Quanto à dívida líquida, o objetivo é reduzi-la dos 16 mil ME em 2025 e 2026 para 15 mil ME em 2028, o que reforçará a sua estrutura financeira. Já o dividendo deverá atingir os 0,21 até 2028 (+5%) face aos atuais 0,20 euros.
No caso da EDP renováveis, o objetivo é instalar 5 GW de nova capacidade renovável (19,8 GW atualmente) e continuar a apostar em receitas contratadas a longo prazo, como forma de diluir o risco dos projetos.
A nível de resultados, as metas passam por aumentar o EBITDA em 15% para 2,2 mil ME em 2028 e duplicar o lucro líquido para os 600 ME, um valor apenas equivalente ao obtido em 2022, com o mercado dos EUA a assumir uma preponderância ainda maior, apesar das reticências de Trump quanto às energias renováveis.
O objetivo passa ainda por reduzir a dívida líquida de 8 para 6,5 mil ME em 2028 e manter o programa flexível de scrip dividend (dividendo em ações), equivalente a um payout de 30 a 50%.
Em bolsa, o novo plano não foi muito bem recebido, o que a par da venda (a 3,729 euros por ação) da participação de 5,2% detida pelo fundo de pensões do Canadá, originou uma queda da cotação da EDP de 12,2% desde o dia 5 de novembro (data de anúncio). A EDPR também corrigiu 8,7%, embora ambas mantenham uma valorização acumulada de 23,8 e 17,5% em 2025.
Após as contas do trimestre e sobretudo as novas metas para 2028, baixámos ligeiramente as previsões de lucros por ação. No caso da EDP, prevemos agora 0,30 euros em 2025 e 0,29 euros em 2026 (antes, 0,32 euros nos dois anos).
Na EDPR, estimamos 0,27 euros em 2025 e 0,37 em 2026 (antes 0,30 e 0,42 euros). Comparando as duas empresas, os múltiplos de valorização da EDP (para 2026, PER de 13 da EDP e de 32 da EDPR) e o dividendo são mais atrativos. Além disso, a casa mãe tem uma atividade mais diversificada e um nível de risco inferior à EDPR.
Por isso, dado que também o ângulo especulativo da EDPR parece agora menos presente, já que a EDP não parece disposta a retirá-la de bolsa, e como a exposição às duas empresas é cada vez mais redundante, preferimos a exposição à casa mãe, cuja queda recente da cotação é uma boa oportunidade a longo prazo.
Assim, mantemos o conselho de compra para a EDP mas alteramos o da EDPR de comprar para manter.