BlackRock: há catalisadores para continuar trajetória de crescimento
Publicado em: 28 outubro 2024Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A BlackRock é um dos maiores gestores de ativos do mundo, oferecendo uma gama diversificada de produtos de investimento a milhões de particulares e a institucionais. A empresa gere uma vasta gama de produtos, incluindo os famosos ETF da família iShares.
Os resultados do terceiro trimestre superaram as expectativas. O volume de negócios da BlackRock registou uma subida de 15% no trimestre. Este valor, aliado a um aumento limitado dos custos permitiu que a margem operacional atingisse 38,6%.
Contudo, não extrapolamos estes elevados níveis para os próximos anos. A taxa de crescimento média foi de 6% nos últimos cinco anos, enquanto o crescimento do lucro por ação e do fluxo de caixa foi de 6,5%.
Dada a natureza do negócio, com poucos investimentos necessários, a BlackRock gera um fluxo de caixa significativo (5 mil milhões de dólares previstos em 2024), que distribui aos acionistas sob a forma de dividendos (20,4 dólares por ação em 2024) e com a compra de ações próprias (1,88 mil milhões de dólares em 2023). Graças a um balanço sólido, tem um rating de AA-, que lhe permite financiar-se com boas condições até para aquisições.
Para sustentar o crescimento, a BlackRock lança regularmente novos ETF, mas vocacionados para vários tipos de investidores e necessidades:
– ETF “normais” que oferecem soluções de investimento simples, em cabazes de ativos cotados em bolsa e com comissões inferiores às dos fundos geridos ativamente.
– ETF para acompanhar a evolução rápida da conjuntura e o surgimento de novas temáticas, como a transição energética, novas tecnologias, Bitcoin e os critérios ESG.
– ETF para investidores institucionais e particulares que desejam produtos adaptados a objetivos financeiros específicos, sejam de crescimento, rendimento ou gestão de risco.
A BlackRock quer crescer, expandindo-se para ativos não cotados, também designados como ativos alternativos. Estes investimentos não são negociados nas bolsas tradicionais e podem oferecer uma diversificação e apresentar oportunidades a longo prazo, como o private equity (investimentos em empresas não cotadas), dívida privada, as infraestruturas (portos, aeroportos, redes de energia, etc.). Na BlackRock, os ativos alternativos representam ainda apenas 1% dos ativos sob gestão e 6% do volume de negócios.
Em 2023, a BlackRock comprou a Kreos Capital, especializada em dívida privada europeia. Já este ano, adquiriu a Pereqin, fornecedora de dados sobre ativos privados e concluiu a compra da Global Infrastructure Partners, especialista em infraestruturas, por 12,5 mil milhões de dólares.
A BlackRock estará ainda em negociações para adquirir a HPS Investment Partners, especialista em dívida privada, por um valor mínimo de 10 mil milhões de dólares. E também há negociações com uma empresa indiana para criar uma empresa de crédito privado.
Os resultados da BlackRock dependem muito da evolução dos mercados financeiros. Um momento menos bom das bolsas teria um impacto negativo nos fluxos de capitais sob gestão, incluindo a mudança para investimentos em ativos de menor risco (obrigações, tesouraria) e menos rentáveis para a BlackRock.
Acresce ainda a forte concorrência no mercado dos ETF (Vanguard e Fidelity). Além disso, o crescimento da BlackRock está limitado pela sua já grande dimensão e às dificuldades em encontrar alvos para aquisições que contribuam rapidamente para os lucros.
Após a recente valorização, a BlackRock está a ser negociada a 21,5 vezes os lucros esperados para 2025, em linha com a média dos últimos anos. A valorização justifica-se pelo bom posicionamento na gestão de ativos e pela sua importância no mercado dos ETF.
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