Os resultados de 2022 agora apresentados pela Novabase foram de encontro às nossas expectativas.
Houve um crescimento notável em ambos os segmentos de negócio, o Value Portfolio cresceu 24% e o Next-Gen 16%, beneficiando das condições favoráveis no mercado.
Contudo, o Resultado Líquido cresceu apenas 2%, devido aos custos associados à expansão internacional e crescentes custos de mão-de-obra, assim como custos financeiros e impostos mais elevados.
O resultado por ação foi de 0,29 euros e esperávamos 0,28 euros. O aumento do Volume de Negócios de 18%, impulsionado pelo crescimento de 25% nas operações internacionais foi superior ao esperado, mas o aumento dos custos, sobretudo o nível de impostos acima do que é normalmente suportado pela Novabase (tem vindo a beneficiar do programa SIFIDE, mas este ano o seu peso foi reduzido) acabaram por limitar o crescimento dos lucros.
Outro dado importante é que o número médio de trabalhadores aumentou 13% para os 2112. Os trabalhadores são o talento, o maior “ativo” da Novabase e a sua capacidade de os manter e de contratar mais pessoal muito qualificado é essencial para a estratégia de crescimento.
OPA e nova redução do capital social
Após a redução do valor nominal das ações de 1,74 euros para 1,05 euros em julho de 2022, e respetivo pagamento de 0,43 euros por ação, o que levou a uma redução de capital de 54,6 milhões de euros para 32,9 milhões, com o objetivo de cobrir prejuízos e a libertação de excesso de capital, a Novabase volta à carga nesta matéria.
Desta vez, o capital social passará de 32,9 milões de euros para 942 mil. A Novabase planeia fazê-lo através de uma nova redução do valor nominal da totalidade das ações e da aquisição de no máximo 20% das próprias ações pelo valor de 4,85 euros.
Essas ações serão diluídas com o intuito de reduzir o montante de capital da sociedade.
A razão destas operações é devolver aos sócios fundos considerados excessivos para a atividade da sociedade.
O capital social é agora demasiado elevado, tendo em conta o que a Novabase precisa para executar a sua atividade, podendo devolver estes montantes aos acionistas sem prejuízo da mesma.
Remuneração dos acionistas
O Conselho de Administração mantém a intenção de pagar os remanescentes 0,42 euros (dos 1,5 euros definidos para o período 2019-23) até ao final do ano.
O que representa uma dividend yield de 8,8%, uma remuneração bastante acima da média do setor.
Conselho
O valor de compra por ação de 4,85 euros, 10,7% acima da cotação de fecho anterior ao anúncio da OPA e 1% acima da atual, é uma oferta considerável, mas não irrecusável.
Não aceite a OPA, não consideramos que seja o momento para se desfazer das suas ações da Novabase. A remuneração aos acionistas será elevada este ano e a cotação mantém potencial de valorização.
Esperamos que os resultados continuem a crescer e prevemos lucros de 0,29 euros por ação em 2023 e 0,35 euros em 2024.
Por outro lado, a subida da cotação de 10,2% desde o anúncio da OPA e 18,8% desde o início deste ano, coloca-a num ponto de entrada menos atrativo.
Existe também, o risco de a cotação vir a corrigir após o final do prazo da OPA. Embora, por enquanto e até ao final da operação, se mantenha sustentada aos níveis atuais (perto do preço da oferta).
Assim, alteramos o conselho de compra para manter o título em carteira.
Cotação à data da análise: 4,74 euros.