De forma surpreendente, a EDP registou prejuízos (ligeiros) de 0,02 euros por ação no primeiro trimestre, face a lucros de 0,05 euros em igual período de 2021. Em causa está o facto de o clima seco na Península Ibérica ter comprometido a produção hídrica do grupo, obrigando-o a comprar eletricidade no mercado, a preços muito elevados, para satisfazer as necessidades dos clientes.
A forte subida do custo da eletricidade vendida não foi repercutida nos preços de venda, o que gerou perdas elevadas, que não foram compensadas pelo bom desempenho dos outros negócios, nomeadamente da EDP Renováveis, que beneficiou do aumento da capacidade instalada e do preço médio de venda, e da EDP Brasil. Assim, apesar do volume de negócios ter subido 78%, o lucro operacional caiu 35%.
A nível financeiro, os resultados pioraram 41%, devido ao aumento do custo médio da dívida em reais e ao facto de a dívida líquida ter crescido 14% no trimestre por força das aquisições da CELG-T, no Brasil e da Sunseap, em Singapura.
Apesar das perdas no trimestre, a EDP acredita que pode aumentar o lucro face a 2021, graças ao bom desempenho da sua atividade e à política de rotação de ativos, que deverá gerar boas mais-valias. Ainda assim, baixámos as previsões de lucros por ação, de 0,21 para 0,17 euros, em 2022 e de 0,24 para 0,23, em 2023.
O nosso conselho
As perdas trimestrais foram provocadas por fatores esporádicos e a EDP mostra-se confiante na recuperação ao longo do ano. A aposta nas energias renováveis abre boas perspetivas e dá suporte à cotação.
Cotação à data da análise: 4,66 euros