Nada de preocupante, pois o desempenho operacional evoluiu conforme as expectativas. As receitas cresceram 57% para 141,5 milhões de euros, e o EBITDA disparou 87%. Claro que a Greenvolt em 2021 é bastante diferente de 2020, em que não era ainda uma empresa autónoma e apenas contava com as centrais de biomassa da Altri.
Revimos em alta as nossas estimativas de lucros para este ano e para 2023, embora o resultado líquido da Greenvolt tenha ficado abaixo do esperado em 2021: 0,10 euros por ação, já excluindo efeitos não recorrentes, contra 0,14 esperados. Depreciações, custos financeiros e tributação acima do esperado contribuíram para o menor resultado.
Nada de preocupante, pois o desempenho operacional evoluiu conforme as expectativas. As receitas cresceram 57% para 141,5 milhões de euros, e o EBITDA disparou 87%. Claro que a Greenvolt em 2021 é bastante diferente de 2020, em que não era ainda uma empresa autónoma e apenas contava com as centrais de biomassa da Altri.
Grande parte da evolução deve-se à aquisição da central de biomassa no Reino Unido. No ano passado, os segmentos de Desenvolvimento de projetos e Geração Descentralizada tiveram ainda um contributo negativo, mas marginal para o EBITDA.
De facto, os fatores de interesse da Greenvolt estão sobretudo no futuro. Liderada pelo experiente Manso Neto (ex-CEO da EDP Renováveis, recorde-se), o negócio de biomassa é apenas o ponto de partida para um ambicioso plano de expansão no desenvolvimento de projetos de energia solar e eólica que a empresa está a conseguir executar. Graças a diversas aquisições, já praticamente duplicou o pipeline de capacidade em desenvolvimento para 5,8 GW, desde que chegou à bolsa há menos de um ano.
Perante a evolução do mercado, a Greenvolt indicou uma alteração de estratégia, preferindo vender os projetos numa fase de desenvolvimento mais avançada para obter preços mais favoráveis. Desta forma, as vendas vão tardar mais e exigir mais investimento, mas devem proporcionar uma rentabilidade superior, pelo que a aposta nos parece ser acertada.
A nossa estimativa de lucro por ação para 2022 é revista em alta, de 0,28 para 0,33 euros por ação. Em 2023, graças aos contributos dos segmentos além da biomassa, estimamos um crescimento dos lucros superior a 60%, para 0,54 euros.
O nosso conselho
Não foi tanto a Greenvolt a mudar, mas o contexto (procura de autonomia energética da Europa face à Rússia) a torná-la mais desejável. A tendência de subida das taxas de juro é desfavorável em particular para as empresas cujos lucros estão sediados sobretudo no futuro, mas acreditamos ainda existir potencial de valorização da Greenvolt a longo prazo, embora seja uma aposta com algum risco, pois a ação não está muito barata. Pode comprar se aceita esse risco.
Cotação à data da análise: 7,26 euros