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Quem educa os jovens sobre investimentos? O TikTok?

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O conteúdo viral simplifica demasiado, ignora os riscos e glorifica os esquemas de enriquecimento rápido.

Publicado em: 12 janeiro 2026
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Autor:  Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers

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O conteúdo viral simplifica demasiado, ignora os riscos e glorifica os esquemas de enriquecimento rápido.

Educação financeira para jovens: dicas para pais ensinarem poupança, investimento e gestão de dinheiro sem recorrer a conteúdo viral de redes sociais.

Pais, não deixem que o TikTok, o Instagram ou os finfluencers sejam os únicos "professores de finanças" dos vossos filhos adolescentes. O conteúdo viral simplifica demasiado, ignora os riscos e glorifica os esquemas de enriquecimento rápido.

A proliferação de vídeos sobre criptomoedas ilustra bem estes problemas, sobretudo porque as plataformas de especulação são facilmente acessíveis em smartphones. Sem qualquer contraponto, os jovens correm o risco de confundir especulação com investimento e de sobrestimar as "boas ofertas" que veem online.

Os pais precisam de reassumir o controlo, explicar o básico, estabelecer limites e fornecer uma base crítica para estas solicitações.

Porquê falar com os filhos adolescentes sobre dinheiro?

Falar com um adolescente sobre dinheiro permite dar-lhe orientações simples que ajudam a evitar muitas armadilhas mais tarde. Ao explicar conceitos como rendimentos, despesas fixas, desejos e poupanças, ajuda-os a planear o futuro em vez de reagir aos acontecimentos. 

Aos poucos, vão compreendendo o impacto de mais uma subscrição, de uma compra a crédito ou de um investimento em ações que "sobem sempre”. Estes conceitos básicos limitam o risco de endividamento excessivo quando chegarem à idade adulta, altura em que o crédito e as ofertas de consumo se multiplicarão.

Os pais e os adolescentes beneficiam do desenvolvimento de competências básicas sobre orçamento, poupança e escolhas financeiras responsáveis. Não se trata de adotar uma postura alarmista ou professoral. O objetivo também não é transformar os jovens em especialistas, mas sim dar-lhes autonomia suficiente para tomarem decisões informadas.

Como fazer na prática?

A introdução ao mundo dos investimentos deve ser feita passo a passo, sem jargões ou pressões para obter resultados. Para ajudar a gerir o dinheiro diariamente e a navegar pelos diferentes produtos de investimento disponíveis, desenvolvemos vários módulos de formação, disponíveis em Aprender. Alguns minutos de leitura por módulo são suficientes para que compreenda os detalhes de um determinado assunto.

Quanto deve um jovem investir? Para começar, deve limitar os investimentos à mesada ou a uma parte do salário, se for trabalhador-estudante. 

Recordemos dois elementos importantes sobre a poupança e o investimento:

  • O fundamental é ligar cada investimento a um objetivo concreto e a um horizonte temporal: alguns meses, alguns anos ou até mais. Isto ajuda os jovens a compreenderem porque não usariam os mesmos produtos de investimento para uma viagem de férias no próximo verão ou para um projeto de estudo daqui a cinco anos. Esta perspetiva orientada para objetivos/longo prazo ajuda-os a desprenderem-se da obsessão por retornos imediatos e a verem o investimento e a poupança como ferramentas que podem melhorar a sua vida.
  • É importante não descurar o aspeto do risco em cada decisão de poupança e investimento. Os produtos demasiado arriscados são menos atrativos para investidores e aforradores. A especulação "pura e simples" com criptomoedas, por exemplo, não é inerentemente um problema, desde que seja compreendida pelo que é: uma aposta de alto risco que deve representar apenas uma pequena parcela da carteira.
    O lado divertido do investimento faz parte do processo de aprendizagem. No entanto, acumular demasiados produtos ou multiplicar as apostas complica o acompanhamento e aumenta os riscos. Menos complexidade significa, geralmente, mais tranquilidade.

 

Qual o papel dos pais?

Qual seria o perfil ideal de um pai/mãe que atua como mentor(a) financeiro(a)? Não é saber ou ensinar tudo, mas sim caminhar junto com o(a) seu(sua) filho(a) adolescente. 

Em vez de dar ordens, partilhar como lidou (ou não lidou) com o seu primeiro empréstimo, com um cartão de crédito, com um investimento malsucedido ou com uma compra impulsiva da qual se arrependeu mais tarde. Estes exemplos concretos mostram que cometer erros faz parte da aprendizagem, em qualquer idade. Os adolescentes podem fazer perguntas e procurar aconselhamento livremente antes de investir. O pai/mãe torna-se um ponto de referência em matéria financeira.

Aprender em conjunto permite aos mais novos descobrir que gerir bem o dinheiro significa, principalmente, aprender sobre si próprios, controlar os impulsos e fazer escolhas coerentes com os seus objetivos. 

Este diálogo regular promove a educação financeira, onde as decisões já não são impostas, mas sim cuidadosamente ponderadas. A ideia central continua a ser a mesma: aprender juntos ao longo do tempo, em vez de dar uma grande palestra definitiva.

 

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