Fundos PPR: saldo positivo
Após meses turbulentos, as bolsas recuperaram, mas o dólar norte-americano perdeu valor
Após meses turbulentos, as bolsas recuperaram, mas o dólar norte-americano perdeu valor
Muitos planos de poupança apresentam rentabilidades inferiores à inflação, o que não é novidade nas análises da DECO PROteste Investe, e foi confirmado recentemente na conferência anual da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Isso verifica-se na maioria dos PPR sob a forma de seguro com capital garantido, que tendem a apresentar rentabilidades muito reduzidas.
Na primavera, quando forem divulgadas as rentabilidades de 2025 desses seguros PPR, não se esperam grandes surpresas. A experiência dos últimos anos aponta para retornos, em média, baixos, insuficientes para preservar o poder de compra.
Este cenário é especialmente preocupante, uma vez que mais de 70% do mercado é composto por PPR em forma de seguro. Como consequência, para a maioria dos portugueses, o investimento em PPR acaba por gerar rendimentos reais muito limitados, muitas vezes abaixo da inflação.
No que respeita aos PPR na forma de fundo, no ano passado, as três classes de risco ficaram, em média, acima da previsão da inflação (2,2% em 2025, segundo o Banco de Portugal). Os fundos PPR defensivos ganharam 3,1%, os equilibrados valorizaram 4,5% e os agressivos renderam 7,5 por cento.
Embora a maioria tenha tido um desempenho positivo, 19 produtos obtiveram rendimentos abaixo da inflação. Por isso, é muito importante escolher os melhores do mercado.
Como a poupança para a reforma pode levar décadas, para períodos superiores a 10 anos (para quem tem menos de 57 anos e não receie o risco), os fundos PPR são os mais indicados, pois têm um potencial de rendimento superior, apesar de não garantirem o capital. As Escolhas Acertadas da DECO PROteste Investe ganharam, no ano passado, entre 4,7 e 27% – todas elas bastante acima da inflação estimada.
Da análise mensal da DECO PROteste Investe fazem parte mais de 80 PPR na forma de fundos. O último mês do ano não foi de festejos. Em dezembro, os índices norte-americanos tiveram um desempenho levemente negativo, que não abonou a favor dos fundos PPR.
Ao contrário, na Europa, o EuroStoxx-50 fechou o mês com ganhos positivos. Já no que respeita ao mercado de obrigações, as yields da dívida pública registaram uma subida, quer nos Estados Unidos, quer na Europa, penalizando os fundos PPR com menor peso em ações.
Também as flutuações cambiais podem ter impacto no desempenho destes produtos, sobretudo se tiverem uma grande percentagem de ativos fora da zona euro. Como o euro ganhou terreno face ao dólar norte-americano e ao iene japonês, os fundos PPR com grande exposição a ativos fora da zona euro, sem cobertura cambial, foram negativamente afetados.
Ainda assim, em dezembro, na maior parte dos casos, os fundos PPR registaram um desempenho positivo. Os defensivos, que aplicam até 25% em ações, ganharam, em média, 0,3%, tendo, no entanto, havido grandes disparidades nas rentabilidades obtidas: o PPR BiG Taxa Plus caiu 0,3%, enquanto o BPI Vida PPR valorizou 9,9 por cento.
Na categoria de risco intermédio, os que aplicam entre 25% e 50% em ações, a valorização média foi muito similar (0,4 por cento). O ganho mais alto foi registado pelo PPR Golden SGF Poupança Equilibrada (1,9 por cento). Os ganhos mais elevados do mês foram registados na classe dos fundos PPR mais agressivos, ou seja, os que investem mais de 50% em ações. Em média, conseguiram subir 1% em dezembro.
Na classe dos fundos PPR defensivos, o PPR SGF Poupança Conservadora é a recomendação. Este fundo não investe mais de 10% em ações, tendo conseguido uma valorização de 12,9% em 2025, e 3,7% ao ano, nos últimos cinco anos.
Na categoria de risco intermédio, o Alves Ribeiro PPR ganhou 4,7% no último ano e 3,3% ao ano, nos últimos cinco. Todavia, nos últimos meses de 2025, foi superado pelo PPR Golden SGF Poupança Equilibrada, que conseguiu um ganho anual de 4,3%, nos últimos cinco anos, e 15,7%, em 2025.
Por enquanto mantemos os dois como Escolha Acertada, já que não podemos ignorar o desempenho estável na última década do Alves Ribeiro PPR, que pode subscrever ao abrigo do nosso protocolo com o Banco Invest, com condições vantajosas.
Por fim, na categoria dos que aplicam maioritariamente em ações, o M3 Investimento PPR (do BBVA) é o que apresenta o melhor rendimento anual dos últimos cinco anos (9,2%), mas cobra comissões máximas de 5% na subscrição e no resgate, o que pode ser bastante penalizador.
Em segundo lugar, surge o PPR Save & Grow da Casa de Investimentos com 8,7% ao ano, nos últimos cinco. Este fundo "classe founders" exige, no entanto, um montante mínimo de 250 000 euros, não sendo acessível à maior parte dos investidores. Por essa razão, não é Escolha Acertada.
A Casa de Investimentos replica essa carteira no fundo de igual nome na "classe prime", com um mínimo de subscrição bem mais baixo (1000 euros), mas tem uma comissão de gestão mais elevada. Este fundo ainda não tem cinco anos, pois iniciou a atividade um pouco mais tarde do que o da "classe founders".
O PPR Golden SGF Poupança Dinâmica é, assim, a Escolha Acertada desta categoria. Conseguiu 8,4% ao ano nos últimos cinco anos e um ganho surpreendente de 27% em 2025, a maior valorização registada no ano passado nos fundos PPR. Por enquanto, mantemos também como recomendação o BBVA Estratégia Investimento PPR, que valorizou 7,6% ao ano nos últimos cinco anos, e 11,9% em 2025.
Se está tranquilamente à espera de que o Estado assegure o pagamento da pensão quando atingir a idade da reforma, pode ficar desapontado com o valor. Segundo o presidente da ASF, "quem se reformar dentro de cerca de 16 anos enfrentará maior risco de quebra de rendimento".
Gabriel Bernardino recomenda, por isso, ter uma poupança complementar. Na sua opinião, já não é opcional, mas estrutural, para proteger o nível de vida na reforma. O problema, diz, é que "o sistema complementar português permanece limitado.Os fundos de pensões profissionais encontram-se estagnados, apresentando valores modestos face à dimensão da nossa economia. Totalizam cerca de 19,5 mil milhões de euros e 506 mil participantes, contudo, 75% destes ativos estão concentrados em planos do setor bancário. Fora deste setor, a cobertura é residual".
A criação de fundos de pensões profissionais especificamente destinados a planos de pensões de inscrição automática, bem como o desenvolvimento de uma nova geração de produtos individuais de reforma, são duas das soluções que preconiza. Até lá, é recomendado escolher um plano PPR de acordo com o seu perfil de risco. Embora rentabilidades passadas não garantam resultados futuros, consulte a rentabilidade dos últimos 3, 5 e 10 anos, e as comissões.
Os PPR da Optimize deixaram de ser Escolha Acertada há algum tempo, tendo perdido a hegemonia de outras alturas. Depois de uma reavaliação, a DECO PROteste e a Optimize decidiram por termo à parceria, e as vantagens exclusivas que existiam desaparecem, nomeadamente o prémio anual de fidelização e a ausência de comissões de subscrição e de resgate.
Perante a queda da rentabilidade e fim das vantagens, é natural que quem tem um destes três fundos – Optimize PPR/OICVM Moderado, Optimize PPR/OICVM Equilibrado e Optimize PPR/OICVM Ativo – se questione sobre o que fazer agora. A solução é simples: pode transferir para as Escolhas Acertadas da DECO PROteste Investe.
Aliás, é aconselhável conferir todos os anos o rendimento do seu PPR e compará-lo com as nossas recomendações. Um PPR não é um casamento para a vida, e transferir para um produto melhor é um processo muito simples. Por exemplo, a transferência de qualquer PPR da Optimize não tem qualquer custo e, para efeitos fiscais, são mantidas as datas de subscrição iniciais. Isto é, mantém a antiguidade.
As Escolhas Acertadas são, precisamente, eleitas por apresentarem o melhor rendimento nos últimos cinco anos e baixos custos, em cada um dos três perfis de risco.
Atualmente, há seis PPR eleitos pela DECO PROteste Investe: um seguro de capital garantido (Lusitania Poupança Reforma PPR) e cinco sob a forma de fundo sem garantia de capital, como já referido.
Se se preocupa com a sustentabilidade, o PPR DECO PROteste, apesar de recente, que obedece a critérios ESG (ambientais, sociais e de governance), é uma opção, sobretudo para quem está longe da reforma. A sua carteira de investimentos aposta maioritariamente em ações (cerca de 70%), seguindo a carteira dinâmica da DECO PROteste Investe. Para mais informações visite o site do parceiro Golden SGF.
Consulte também o nosso comparador dos fundos PPR.