Fundos de Pensões: quais são os melhores?
Os fundos de pensões não têm tanta liberdade de movimentação como os PPR
Os fundos de pensões não têm tanta liberdade de movimentação como os PPR
"A melhor forma de prever o futuro é criá-lo." Esta frase, atribuída a Abraham Lincoln, 16.º presidente dos Estados Unidos, sublinha o poder da proatividade, da responsabilidade e da tomada de decisões. Motiva as pessoas a assumirem o controlo das suas vidas, em vez de esperarem que as circunstâncias determinem o seu destino.
A citação aplica-se como uma luva à reforma. Manter a qualidade de vida depois da reforma exige planeamento: começar cedo a poupar em produtos de longo prazo é a melhor forma de compensar a magra pensão de velhice do Estado. Os fundos de pensões que, no último ano, tiveram um bom desempenho são um bom exemplo.
A maioria dos fundos de pensões no nosso País são de empresas, fechados à subscrição individual. Constituem o segundo pilar da Segurança Social – um sistema de capitalização profissional e individual –, utilizado muitas vezes pelas empresas por razões fiscais, mas também para atrair e reter talentos, bem como incentivar os colaboradores a pouparem para a reforma.
De acordo com o último relatório da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), no final do segundo trimestre de 2025, havia 239 fundos fechados e 108 abertos.
As contribuições quase duplicaram entre junho de 2024 e junho de 2025, mas o peso dos fundos de pensões é ainda muito reduzido quando comparado com outros países.
Os PPR, criados em 1989, com vantagens fiscais significativas, foram sempre mais interessantes. Constituem o terceiro pilar da Segurança Social, são de cariz voluntário e têm uma legislação menos complexa e uma oferta bastante maior, sob a forma de fundo ou de seguro, com e sem capital garantido.
Como referimos, apenas os fundos de pensões abertos, ou seja, aqueles que um particula pode subscrever de livre iniciativa, estão disponíveis para subscrição voluntária.
Pode também dar-se o caso de ter um fundo de pensões aberto através da empresa onde trabalha e, nesse caso, pode comparar o rendimento com o da concorrência, mas não poderá transferir o seu fundo de pensões individualmente, pois está ao abrigo do plano de pensões acordado para a sua empresa.
De salientar que nos fundos de pensões não há tanta liberdade de movimentação, como acontece nos PPR, nem liquidez. Por serem ambos produtos que permitem acumular uma poupança para a reforma, são muitas vezes confundidos.
No entanto, as regras e enquadramentos legais são diferentes. Por exemplo, os fundos de pensões têm mais restrições ao levantamento – não podem ser resgatados para pagamento de prestações do crédito à habitação.
Se existirem contribuições da empresa, as condições de reembolso obrigam a que dois terços do montante acumulado seja pago sob a forma de pensão. Nos PPR, além das condições definidas por lei, pode sempre resgatar o montante aplicado mesmo que fique sujeito a penalizações fiscais, e da forma que preferir.
Os fundos de pensões estão repartidos em três categorias, consoante a percentagem de investimento em ações, tal como os fundos PPR. De modo geral, quanto maior a percentagem de ações, maior o risco, mas também maior o potencial de rendimento, especialmente a longo prazo. Em 2025, os fundos de pensões ganharam 5,5%, em média, um pouco acima da média dos fundos PPR (5,2 por cento).
Os campeões da rentabilidade são produtos da mesma sociedade gestora: o fundo de pensões aberto Golden SGF Reforma Dinâmica e o PPR Golden SGF Poupança Dinâmica. Ambos valorizaram 27 por cento.
Embora a diferença não seja significativa, nos últimos cinco anos, foram os fundos PPR que se destacaram – ganharam, em média, 2,3% ao ano contra 2% dos fundos de pensões.
No que respeita às várias classes de risco, foram os fundos de pensões os mais bem-sucedidos: os agressivos ganharam 9,4%, em média, em 2025, graças à valorização das bolsas, enquanto a classe com menos risco obteve apenas 3,4 por cento. Já os fundos PPR defensivos renderam 3,1%, em média, e os mais arriscados conseguiram 7,5 por cento.
Dos 51 fundos analisados, apenas três garantem o capital. É uma minoria, pois o propósito destes fundos é aproveitar o potencial das bolsas e do investimento em ações, para multiplicar as poupanças a longo prazo.
Nos mais defensivos, o SGF Reforma Conservadora é a Escolha Acertada: ganhou 11,4%, em 2025, e 3% ao ano nos últimos cinco anos. Na categoria intermédia, que aplica entre 25 e 50% de ações, a recomendação é também da Golden SGF – o SGF Reforma Equilibrada conseguiu 13,3%, em 2025, e 4% ao ano nos últimos cinco.
Neste prazo, o Real Previdência Empresas e o BBVA Multiactivo Moderado conseguiram um rendimento um pouco superior (4,3%), mas cobram comissões mais elevadas (2 por cento). À semelhança do que aconteceu em 2024, o ano passado sorriu aos mercados financeiros, beneficiando os fundos de pensões que mais investem em ações.
Assim, na classe dos mais agressivos, que aplicam mais de 50% em ações, o vencedor é o Real Reforma Jovem, que se mantém, no pódio dos mais rentáveis: obteve 6,3% ao ano, nos últimos cinco anos, e 13,3%, em 2025.
No entanto, é um fundo com comissões elevadas (pode cobrar 25 por operação), o que é comum nos fundos de pensões com maior percentagem de ações. Em resumo, se está ainda longe da idade de reforma, opte por um fundo com maior investimento em ações, de forma a tirar partido da valorização das bolsas.
Para consultar todos os fundos de pensões visite o nosso comparador de Fundos PPR e Fundos de pensões.
Veja também a nossa recomendação sobre os melhores fundos PPR.
Um fundo de pensões apenas pode ser transferido para outro fundo de pensões, nunca para um seguro ou fundo PPR. Se tiver um fundo de pensões da empresa onde trabalha, está sujeito às regras do plano de pensões. Não é provável que consiga transferir. Se tiver um fundo de pensões aberto sem restrições de transferência, siga estes passos:
1.Escolha o novo fundo de pensões Analise comissões, perfil de risco, rentabilidade histórica e condições de resgate, garantindo que o novo fundo se adequa aos seus objetivos de reforma.
2.Solicite a transferência à nova entidade gestora, que trata de todo o processo. Os fundos com capital garantido pagam 0,5% de comissão.
3.Autorize formalmente a transferência Preencha e assine o formulário de transferência, indicando os dados do fundo atual, o montante a transferir, e anexe a documentação solicitada.
4.Aguarde a execução da transferência A entidade gestora do fundo de origem dispõe de um prazo legal para transferir o capital. Os benefícios fiscais mantêm-se, bem como a antiguidade do fundo.
Encontrar informação sobre fundos de pensões continua a não ser tão simples como deveria ser, em particular sobre o rendimento passado e as comissões cobradas pelas gestoras.
À semelhança do que já faz com os planos de poupança-reforma (PPR) em forma de seguro, a entidade reguladora – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) – deveria tornar públicas as rentabilidades e comissões dos fundos de pensões abertos, por uma questão de transparência do mercado e disponibilização de informação ao consumidor.
São também necessários mais incentivos à poupança de longo prazo para a reforma. Os atuais são pouco expressivos. As previsões para as pensões de reforma nas próximas décadas são pessimistas (corte superior a 60% face ao último salário, em 2050, segundo a Comissão Europeia).
É, por isso, fundamental estimular a poupança voluntária para o segundo e o terceiro pilares da Segurança Social, de forma a complementar as baixas pensões de velhice, como recomendam o Banco Mundial e a DECO PROteste, há muitos anos. Também a comissária europeia, Maria Luís Albuquerque, responsável pela União da Poupança e Investimentos, se juntou a este coro.
Por fim, a comissão de transferência até 0,5%, que continua a ser cobrada em produtos de capital garantido, não faz qualquer sentido. Por serem mais defensivos, rendem, por regra, menos, e esta comissão acaba por ser um desincentivo à procura de um produto mais rentável. A DECO PROteste defende a sua eliminação nos fundos de pensões e nos PPR.