As preocupações com a inflação continuam a centrar as atenções dos investidores de ambos os lados do Atlântico. Os dados dos EUA mostraram uma inflação moderada, o que reduziu ligeiramente a probabilidade de uma subida das taxas de juro por parte da Fed. Em contrapartida, na Europa, os números mostram que a inflação acelerou em setembro, reforçando a perspetiva de uma nova subida das taxas, até porque a economia da zona euro continua resiliente.
Na última semana, antes da sessão de sexta-feira e da divulgação dos dados do emprego nos EUA, as bolsas fecharam negativas, com quedas de 0,5% do S&P 500 e de 0,3% do Nasdaq. Na Europa, o Stoxx Europe 600 teve uma descida mais acentuada de 1,5%. Paris perdeu 3,1%, com as incertezas políticas a intensificarem-se à medida que se aproximam as eleições presidenciais de abril de 2027. As obrigações francesas a 10 anos já estão perto dos 5%. O BNP Paribas caiu 7%. Por sua vez, Zurique desvalorizou 2%.
A maioria dos setores europeus esteve sob pressão: banca (-4,7%), alimentação e bebidas (-4,4%), setor automóvel (-2,9%) e farmacêuticas (-3%).
O setor de semicondutores ganhou 0,8% graças aos excelentes resultados da Micron Technology, com a procura por chips a manter-se dinâmica. Estas boas notícias estimularam as tecnológicas, como a ASML (+6,2%), Nvidia (+2,8%) e Cisco (+1,7%).
A Accenture (+19,7%) registou uma valorização espetacular após apresentar previsões de receitas acima do previsto, o que aliviou os receios relacionados com a disrupção provocada pela IA.
O preço do petróleo recuou 4% e o setor energético perdeu 1,6%. A TotalEnergies caiu 8,1%, após a correção técnica devido ao adiantamento do dividendo (0,9 euros).
Lisboa não resistiu e caiu 2,2%
Depois de várias semanas em alta, a bolsa nacional corrigiu 2,2% na última semana, com todas as empresas, à exceção da REN (+0,6%) e da EDP (+0,1%), a fecharem em terreno negativo.
A Mota-Engil (-5,6%) liderou as perdas, apesar de ter assinado um contrato para mais uma obra importante no Brasil, seguida da Galp Energia (-5,2%), que foi afetada pela correção do preço do petróleo, e dos CTT (-4,8%), que continuam um pouco pressionados pela aplicação de taxas da União Europeia às encomendas de baixo valor vindas sobretudo da China.
De resto, realce ainda para as quedas da EDP Renováveis (-2,6%) e do BCP (-2,5%), dois pesos pesados do PSI.
Números da semana
3,8%
A estimativa rápida do Eurostat revela que a inflação da zona euro acelerou para 3,8% em setembro (3,2% em agosto), devido ao disparo dos preços da energia. Esta dado coloca pressão no Banco Central Europeu para subir novamente as taxas de juro.
+895%
As receitas da fabricante de chips de memória Micron Technology mais do que triplicaram (+256%) e o lucro subiu quase 10 vezes (+895%) no exercício fiscal que fechou em setembro, o que ajudou a reforçar o otimismo dos investidores em relação às empresas tecnológicas.Top subidas
Accenture +19,7%Applied Materials +11,6%
ASML Holding +6,2%
VF Corp +5,3%
Sonova +4,3%
Top descidas
Telecom Italia -11,7%ArcelorMittal -8,5%
TotalEnergies -8,1%
Vallourec -8,0%
BNP Paribas -7,0%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 -1,5%
EUA S&P 500 -0,5%
EUA Nasdaq -0,3%
Lisboa PSI -2,2%
Frankfurt DAX -1,3%
Londres FTSE 100 -2,4%
Tóquio NIKKEI 225 +5,3%
Variação das cotações entre 24/09/26 a 01/10/26, em moeda local.