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Publicado em: 23 junho 2026
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Autor: Jorge Duarte

EUA: conjuntura favorável reforça otimismo dos mercados

A economia norte-americana ganha novo fôlego com a recuperação do emprego e a redução dos riscos inflacionistas, sustentando máximos históricos nas bolsas. 

Mercado de trabalho dos EUA volta a crescer de forma robusta 

Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, o mercado de trabalho norte-americano atravessou uma fase particularmente difícil. Como o consumo das famílias é o motor da atividade económica nos EUA, sem não houver criação de emprego que sustente o aumento dos rendimentos, os norte-americanos acabam por reduzir a despesa. 

Em março, este mau momento terminou com o surgimento de 214 mil novos postos de trabalho e confirmou-se nos dois meses seguintes (+351 mil). 

Em três meses, a economia norte-americana criou cinco vezes mais empregos do que nos catorze meses anteriores. Um abrandamento do consumo das famílias que pudesse interromper a expansão económica é mais improvável.

Inflação dá sinais de abrandamento com queda da energia 

Outro fator que gerava preocupação eram os preços. Devido à forte subida dos custos da energia, a inflação passou de 2,4% em fevereiro para 4,2% em maio. Agora, após o acordo entre os Estados Unidos e o Irão, os receios inflacionistas diminuíram claramente. O acordo está longe de resolver todos os aspetos do conflito, mas o estreito de Ormuz é reaberto e o Irão pode novamente exportar petróleo e gás sem restrições. 

Em pouco tempo, milhões de barris adicionais de petróleo ficarão disponíveis no mercado mundial, o que provocou já uma queda acentuada dos preços do petróleo. A cotação de referência do barril norte-americano situa-se agora nos 75 dólares, contra 110 dólares há poucas semanas e 65 dólares antes do início da guerra. 

Se a descida dos preços energéticos se confirmar, a inflação deverá recuar nos próximos meses, sobretudo porque o choque inflacionista ainda não se propagou amplamente aos restantes bens. Excluindo energia, a inflação nos EUA aumentou apenas de 2,5% em fevereiro para 2,9% em maio.

Reserva Federal mantém taxas diretoras 

A primeira reunião de política monetária de Kevin Warsh, após a sua nomeação à frente da Reserva Federal, era potencialmente fraturante. Contudo, a melhoria simultânea do mercado de trabalho e a redução das pressões inflacionistas permitiram manter as taxas de juro diretoras por decisão unânime. 

Ao mesmo tempo, se o novo presidente reafirmou o compromisso da Fed em combater a inflação, escusou-se a comentar as previsões de alguns membros do comité monetário que apontam para uma ou duas subidas da taxa diretora até ao final do ano. Aliás, Kevin Warsh não participou neste exercício de previsão e a Fed irá deixar de fornecer foward guidance, isto é, indicações de como poderá atuar nas reuniões seguintes.

Impacto nos mercados acionistas e obrigacionistas 

A subida dos preços, que poderia obrigar a Reserva Federal a subir significativamente as taxas diretoras, preocupava alguns investidores. 

– Nos mercados de ações, a guerra lançou dúvidas sobre o impacto do encarecimento do custo do crédito para as empresas mais endividadas. Uma forte subida dos juros seria particularmente penalizadora para as growth stocks, como as tecnológicas, podendo levar a fortes quedas das cotações como em 2022. 

Essa hipótese pessimista não se expressou na evolução dos mercados nos últimos meses, que registaram máximos consecutivos apesar da guerra. Porém, era um cenário que não podia ser totalmente descartado. Agora, com o recuo do custo do petróleo, uma subida acentuada das taxas diretoras pela Fed deixou de ser o cenário principal. 

O mercado está agora ainda mais efervescente com a IPO da SpaceX e, em breve, da Anthropic e OpenAI. 

Com o otimismo reinante, sobretudo em torno da IA, a valorização da bolsa norte-americana (rácio cotação/lucro esperado) é elevada (20,7) e muito acima da média dos últimos 30 anos (17,6). 

Por um lado, bolsa norte-americana ainda está um pouco aquém dos níveis de valorização registados antes do colapso da bolha das dotcom em 2000-2001. Por outro lado, os rácios aconselham alguma prudência na exposição ao setor tecnológico,  

– Nos mercados de obrigações, houve mesmo uma reação negativa nos últimos meses, tendo o receio de inflação levado à queda das cotações da dívida (juros mais altos). 

Com o acordo para terminar a guerra, as taxas de juro no longo prazo já recuaram um pouco, o que são boas notícias para toda a economia. Contudo, por exemplo, no prazo de 10 anos, ainda estão perto de 4,5% quando eram de 4% antes do início da guerra. 

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