A economia da zona euro voltou a acelerar no segundo trimestre de 2026, aproximando-se do seu potencial de crescimento. Ainda assim, os desafios estruturais mantêm-se e levantam dúvidas sobre o futuro das bolsas europeias e dos ETF focados na região.
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Economia europeia recupera no segundo trimestre
No segundo trimestre, a economia da zona euro acelerou para um ritmo mais alinhado com os seus fundamentais. Porém, com perspetivas limitadas a longo prazo, o que esperar das principais das bolsas da Europa? Vale a pena investir em ETF europeus?
O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por uma clara desaceleração do crescimento europeu (apenas 0,5%), mas o PIB acelerou para 1% em termos homólogos no segundo trimestre. Com este desempenho, a zona euro aproxima-se do seu (reduzido) ritmo potencial. A Espanha continuou a destacar-se entre as grandes economias, com um crescimento de 2,7%.
A Alemanha apresenta sinais de melhoria e o PIB cresceu 0,9%, enquanto a Itália acelerou para 1%. Em contrapartida, o crescimento na França recuou para 0,7%.
Entre as restantes economias, Portugal esteve bom plano com o PIB a ganhar 2,5%. Fora da zona euro, a Polónia alcançou 3,7% e fora da União Europeia, a Suíça atingiu 2,3%, mas o Reino Unido ficou-se por 1,2%.
De um modo geral, a economia europeia parece em melhor forma. A confirmá-lo, o nível de sentimento económico na zona euro (índice S&P Composite PMI), aumentou, ainda que ligeiramente, em agosto, situando-se nos 52,1 pontos e confirmando a expansão da atividade (acima de 50). As novas encomendas também aumentaram, enquanto a procura de exportações regressou ao crescimento, indiciando uma melhoria da procura externa.
Porque será difícil sustentar o crescimento atual
Boa parte da resiliência resulta das medidas de apoio dos governos europeus para limitar as consequências económicas do conflito no Médio Oriente. Mecanismos que deverão ser progressivamente retirados, o que travará a atividade nos próximos trimestres.
A esta redução junta-se o impacto da subida das taxas diretoras decidida pelo Banco Central Europeu em junho, cujos efeitos negativos sobre o crédito, o investimento e o consumo se farão sentir nos próximos trimestres.
E manter o ritmo atual de crescimento poderá revelar-se ainda mais difícil, sobretudo se as tensões e os conflitos armados continuarem a alimentar a incerteza económica, fatores que a Europa não controla.
Os entraves estruturais ao potencial da Europa
O potencial da zona euro, e da Europa no seu conjunto, continua a ser limitado por inúmeros fatores:
- Atraso estrutural em tecnologias de ponta como semicondutores, cloud computing, condução autónoma;
- Mercado único ainda não é uma realidade em áreas críticas. A fragmentação dos mercados financeiros limita o capital necessário para o investimento privado;
- É ainda imperativo tomar algumas decisões por unanimidade, o que tem impedido a execução de reformas dentro da União Europeia;
- As capitais europeias protegem os seus “campeões locais” (banca, defesa, utilities) impossibilitando a criação de gigantes capazes de tirar partido de uma dimensão europeia e afirmarem-se depois como líderes globais.
Bolsas europeias desafiam o fraco crescimento económico
Todos estes problemas tornam difícil de justificar o investimento no conjunto do mercado europeu. Por isso, temos preferido uma exposição à Europa mais focada numa seleção de ações individuais ou à bolsa de Varsóvia.
No entanto, o desempenho dos mercados europeus não tem dececionado. Nos últimos 12 meses, o índice MSCI Europe valorizou 22,2% em linha com o MSCI Word (21%). Mesmo considerando os últimos 5 anos, o confronto fica em 10,7& na Europa contra 12,2% no Mundo. Menos, mas não é um fosso tão grande como se poderia prever.
Vale a pena investir em ETF europeus?
O débil crescimento económico europeu é ignorado porque as maiores empresas dos índices (e dos ETF) têm uma pegada global: ASML, HSBC, Roche, Novartis, Nestlé, Astrazeneca, Shell, Siemens, Banco Santander e SAP.
Se quiser reduzir um pouco a elevada exposição aos EUA (implícita nos ETF de ações globais), mas mantendo-se em mercados desenvolvidos e atualmente com rácios de valorização mais atrativos, os ETF europeus podem ter um papel relevante.
- iShares Core MSCI Europe UCITS ETF EUR (Acc)
Ticker: IMEA
ISIN: IE00B4K48X80
- Amundi Core MSCI Europe UCITS ETF Acc
Ticker: CEU2
ISIN: LU1437015735
- Xtrackers MSCI Europe UCITS ETF 1C
Ticker: XMEU
ISIN: LU0274209237
- State Street SPDR MSCI Europe UCITS ETF
Ticker: ERO
ISIN: IE00BKWQ0Q14
- Vanguard FTSE Developed Europe UCITS ETF
Ticker: VWCG
ISIN: IE00BK5BQX27