ETF pequenos podem ser menos líquidos e mais caros
Os ETF pequenos são geralmente menos negociados do que os ETF populares de maior dimensão.
Consulte os montantes sob gestão nas fichas detalhadas de cada ETF. Veja o exemplo.
O respetivo spread bid-ask, ou seja, a diferença entre o preço de compra e o preço de venda, pode por isso ser mais elevado. Não paga diretamente este spread à corretora, mas representa um custo indireto quando negoceia o ETF.
Suponha que um ETF apresenta um preço de compra (bid) de 99 euros e um preço de venda (ask) de 101 euros. O spread é de 2 euros. Se comprar a 101 euros e vender imediatamente, recuperará apenas 99 euros por esse mesmo investimento. Num ETF cujo spread seja mais reduzido, por exemplo 99,90 e 100,10 euros, a diferença é muito menor.
Importa, contudo, salientar que um ETF de pequena dimensão não é automaticamente pouco líquido. Ao escolher o ETF verifique também o spread bid-ask e não apenas o valor dos ativos sob gestão.
O spread de cada ETF pode variar de bolsa para bolsa. Por norma, cada ETF tem uma bolsa de referência, mas pode estar cotado noutros mercados. Nestes últimos tende a existir menor liquidez e spreads mais alargados.
Porque é importante analisar os ativos subjacentes
Um ETF pequeno que invista num mercado de nicho pode, por exemplo, deter ações pouco negociadas.
Nesse caso, pode ser mais difícil e mais dispendioso para a sociedade gestora do ETF negociar essas ações. E custos de transação mais elevados afetam a rentabilidade do ETF (não estão refletidos na TER).
Num ETF de nicho, é por isso importante analisar não apenas a liquidez do próprio ETF, mas também a do mercado em que investe. No entanto, se o nicho de mercado foi um investimento interessante, não há grandes alternativas a aceitar essas limitações pois serão iguais para todos os ETF. A exceção pode ser, caso existam, os ETF sintéticos.
Quando o ETF é sintético, a gestora não compra os títulos que compõem o índice de referência, mas constrói uma carteira de grandes empresas mundiais. Estas últimas servem de garantia numa operação de swap (“troca”) com um banco de investimento. A gestora troca os rendimentos dessa carteira de ações pelo rendimento do índice de referência que serão desembolsados pelo banco de investimento.
Apesar de ter uma carteira de ativos completamente diferente, o desempenho de um ETF sintético reflete o seu índice de referência. Nas fichas detalhadas destes produtos sintéticos encontrará uma composição da carteira aparentemente estranha tendo em conta a designação do ETF.
Exemplo: Amundi MSCI Indonesia UCITS ETF Acc.
O risco de liquidação de um ETF de pequena dimensão
Outro risco consiste na possibilidade de o gestor decidir encerrar um ETF de pequena dimensão ou fundi-lo com outro produto. Um ETF com poucos ativos sob gestão pode gerar receitas insuficientes para cobrir custos de gestão fixos. A sociedade gestora poderá então optar por simplificar a oferta e concentrar-se mais nos ETF maiores e mais populares.
O encerramento de um ETF não significa, porém, que o investimento desapareça! O ETF é liquidado e recebe o valor correspondente às participações detidas nesse momento. Contudo, essa venda forçada pode ocorrer num momento inconveniente e dar origem a eventuais custos fiscais ou de transação.
Faz sentido evitar ETF com menos de 50 milhões de euros?
O limiar de 50 milhões de euros, ou outra fasquia, não constitui uma fronteira mágica abaixo da qual um ETF se torna subitamente pouco fiável. Um ETF pequeno pode ser um investimento interessante, sobretudo quando acompanha um mercado ou índice específico que pretende acrescentar à carteira.
Ainda assim, é importante estar consciente de potenciais desvantagens. Verifique:
- valor dos ativos sob gestão
- spread bid-ask (variam com a bolsa de cotação)
- volume de negociação (variam com a bolsa de cotação)
- custos anuais (TER)