O franco suíço atravessa uma fase de enfraquecimento face ao euro, contrariando a tendência de valorização que marcou os últimos anos.
Esta evolução poderá favorecer a economia helvética e criar novas oportunidades de investimento em ações suíças.
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Considerado um dos principais ativos de refúgio do mundo, o franco suíço é geralmente negociado a níveis elevados, sobretudo em períodos de incerteza económica ou geopolítica.
No entanto, está a aproximar-se do nível mais baixo face ao euro em quase um ano. Poderá esta evolução assinalar o início de uma nova dinâmica?
A força dos fundamentais da economia suíça
A solidez estrutural do franco suíço não surpreende. Há décadas que a moeda helvética beneficia da reputação da Suíça.
A economia suíça é reconhecida pela boa gestão, finanças públicas sólidas e qualidade das instituições. Em períodos de turbulência global, estas características atraem investidores à procura de segurança, sustentando a procura pelo franco.
Esta credibilidade reflete-se acima de tudo no mercado obrigacionista. A Suíça beneficia de uma elevada qualidade de crédito e consegue financiar-se em condições particularmente vantajosas.
A rentabilidade das obrigações suíças a 10 anos situa-se, assim, abaixo de 0,4%, face a cerca de 3,25% na Alemanha e cerca de 4,7% nos Estados Unidos.
Embora esta qualidade dos ativos financeiros suíços seja amplamente reconhecida, a elevada valorização do franco leva frequentemente os investidores a procurar alternativas com maior potencial de rentabilidade, sobretudo nas obrigações.
O impacto das diferenças de taxas de juro
Nos últimos meses, vários fatores contribuíram, ainda assim, para alterar ligeiramente a situação. O euro está agora a negociar em torno de 0,94 francos suíços, o que corresponde ao nível mais elevado face ao franco suíço em quase um ano.
Esta evolução explica-se, em grande medida, pelas diferenças de rendimento entre várias zonas económicas.
As obrigações norte-americanas oferecem cerca de 4% de rentabilidade adicional face aos investimentos em franco suíço, enquanto muitos títulos de dívida de países da zona euro proporcionam rentabilidades superiores em, pelo menos, 3%.
Nesta conjuntura, o franco não constitui um caso isolado. A subida das yields observada nos Estados Unidos exerce pressão sobre as moedas associadas a taxas de juro baixas, como o iene japonês e o yuan chinês.
Como o carry trade está a pressionar o franco
Outro fenómeno também contribui para o recuo do franco são as estratégias de carry trade. Esta prática consiste em contrair financiamento nos países onde o crédito é mais barato e investir esses capitais onde as yields são mais elevadas, de forma a beneficiar do diferencial de taxas.
Durante muito tempo, o iene japonês foi a moeda privilegiada para este tipo de operações. Contudo, a subida gradual das taxas de juro no Japão reduziu a sua atratividade. Os investidores procuram, por isso, outras moedas capazes de desempenhar esse papel.
Na Suíça, o custo do financiamento continua reduzido e a inflação mantém-se notavelmente estável. Estas características sugerem que as condições monetárias acomodatícias poderão prolongar-se, reforçando o interesse pelo franco neste tipo de estratégia financeira.
Os riscos de apostar contra a moeda suíça
O estatuto de ativo de refúgio do franco suíço permanece intacto. Em caso de choque financeiro, económico ou geopolítico relevante, os investidores poderão voltar a procurar em massa a moeda helvética.
Uma valorização do franco provocaria então perdas significativas para quem apostou em operações de carry trade financiadas em francos suíços, mas seria benéfico para os investidores em ativos suíços.
Para já, este fenómeno contribui para trazer o valor cambial da moeda suíça para níveis mais razoáveis. Esta evolução é bem acolhida pelo Banco Nacional Suíço e pelos investidores, uma vez que reduz parcialmente a sobrevalorização crónica da moeda.
Representa igualmente uma oportunidade para os investidores estrangeiros, que podem adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos.
Ações suíças ganham atratividade com a desvalorização do franco
O enfraquecimento do franco é uma boa notícia, tanto para a economia helvética, frequentemente penalizada pelo elevado valor da moeda, como para os investidores estrangeiros que, nestes tempos mais turbulentos, podem encontrar ativos de qualidade.
Por um lado, nas obrigações, as rentabilidades reduzidas dos títulos de dívida continuam a limitar o interesse da dívida suíça.
Por outro lado, a situação é diferente no mercado acionista de Zurique. Bastante defensivo e com poucas empresas ligadas às novas tecnologias, o desempenho desta bolsa tem ficado abaixo da média.
No entanto, perante as valorizações excessivas em algumas das ações mais populares ligadas à IA, assiste-se a uma rotação dos investimentos e à procura de empresas sólidas, capazes de resistir melhor em caso de turbulência significativa.
O mercado acionista suíço beneficia quando os investidores adotam esta lógica. Além disso, tem a vantagem adicional do recente enfraquecimento do franco. Este último tornou os ativos helvéticos menos dispendiosos e proporciona um ponto de entrada mais favorável para os investidores internacionais.
Assim, iremos aproveitar esta oportunidade para incluir ETF de ações helvéticas na carteira defensiva.
ETF e fundos acumulativos para investir na Suíça
- ETF UBS MSCI Switzerland 20/35 UCITS ETF CHF acc
ISIN: LU0977261329
Ticker: SW2CHB
TER: 0,2%
- Amundi MSCI Switzerland UCITS ETF EUR (C)
ISIN: LU1681044720
Ticker: CSW
TER: 0,25%
- Xtrackers Switzerland UCITS ETF 1C
ISIN: LU0943504760
Ticker: XSMC
TER: 0,3%
- Fundo AXA WF Switzerland Equity A Cap EUR
ISIN: LU0184627536
TER: 1,76%