A eleição de Lula para um novo mandato provocou uma reação negativa dos mercados financeiros brasileiros. Apesar da incerteza política de curto prazo, os fundamentais da economia e da bolsa brasileira continuam a revelar potencial de valorização.
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Lula obteve um novo mandato à frente da maior economia da América Latina. O resultado surpreendeu os investidores, que tinham acolhido favoravelmente a vitória de Bolsonaro na primeira volta. Será que o resultado de domingo coloca em causa o potencial do Brasil e da bolsa de São Paulo?
Mercados apanham investidores de surpresa após as eleições
Poucos esperavam a dimensão do apoio obtido por Flávio Bolsonaro na primeira volta das eleições. Ainda menos imaginavam que Lula inverteria a dinâmica e venceria na segunda volta. No entanto, foi precisamente esse o cenário que se concretizou.
Se a reação foi bastante positiva após a primeira volta, inverteu-se completamente após a segunda volta.
Lula beneficiou de uma imagem relativamente favorável durante os primeiros mandatos, associados a um período de forte crescimento económico, mas a atual passagem pelo poder suscita reservas. As suas posições, por vezes intervencionistas, geram preocupações nos investidores.
Lula e Bolsonaro: duas visões económicas para o Brasil
Flávio Bolsonaro era considerado como mais favorável ao mundo empresarial. O seu resultado na primeira volta foi acompanhado por uma forte subida dos mercados financeiros brasileiros e um reforço do real face ao dólar e ao euro. A vitória de Lula foi, agora, recebida com deceção pelos mercados, que registaram quedas acentuadas no dia seguinte às eleições.
O resultado da votação, com 51,8% dos votos para Lula contra 48,2% para Bolsonaro, ilustra igualmente a profunda divisão política do Brasil. No curto prazo, esta incerteza traduz-se numa maior pressão sobre a bolsa e a moeda brasileira.
Uma presidência de Bolsonaro teria favorecido uma aproximação aos EUA, em particular o investimento em setores estratégicos como o das terras raras.
Lula, por seu lado, deverá privilegiar uma política externa mais equilibrada, procurando manter boas relações com a China, a Europa e os EUA. Esta abordagem poderá oferecer maior flexibilidade a longo prazo, embora os seus efeitos sejam menos significativos no imediato.
Os fundamentos que sustentam o potencial da economia brasileira
À margem das antagónicas reações do último mês, os fundamentais da economia brasileira não mudaram. Durante a campanha eleitoral, Lula reconheceu as elevadas expectativas da população e a necessidade de melhorar de forma duradoura a situação económica. Tendo em conta os recursos naturais, o potencial industrial e o peso demográfico do Brasil, este objetivo continua ao seu alcance.
Além disso, a equipa económica que acompanhou o seu mandato anterior demonstrou, em geral, pragmatismo e disciplina orçamental. Uma continuidade na condução das políticas contribuiria para tranquilizar os investidores e manter o Brasil numa trajetória económica favorável.
Embora não se venha a verificar o entusiasmo que uma vitória de Bolsonaro poderia ter suscitado a curto/médio prazo, o mercado acionista brasileiro continua a apresentar um potencial interessante.
Bolsa de São Paulo mantém avaliações atrativas
As incertezas políticas de curto prazo não põem em causa os trunfos do Brasil, incluindo um elevado potencial de crescimento económico. Por seu turno, a bolsa de São Paulo apresenta valorizações atrativas. O rácio cotação/lucro esperado (PER 9,5) é comparativamente reduzido face a outros mercados emergentes e está perto da sua média histórica.
Por estes motivos, continuamos a considerar que a aposta em fundos e ETF de ações brasileiras é uma opção atrativa para os investidores dispostos a aceitar riscos comparativamente mais elevados.
Dois ETF acumulativos de ações brasileiras
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Franklin FTSE Brazil UCITS ETF
Código ISIN: IE00BHZRQY00; Ticker: FLXB
TER: 0,19%
Rentabilidade média 5 anos: 11,9%
Rentabilidade média 3 anos: 9,5%
Variação 12 meses: 24,8%
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Xtrackers MSCI Brazil UCITS ETF 1C
Código ISIN: LU0292109344; Ticker: XMBR
TER: 0,25%
Rentabilidade média 5 anos: 11,6%
Rentabilidade média 3 anos: 8,5%
Variação 12 meses: 22,6%