A série F foi lançada há cerca de três anos, em junho de 2023, e envolta em alguma polémica, já que algumas alterações eram pouco favoráveis ao aforrador. A DECO PROteste foi uma das entidades que mais criticou a nova série, pois apresenta um rendimento inferior – no máximo, 2,5%, maturidade mais longa (15 anos) e prémios de permanência que foram reduzidos para metade nos primeiros 9 anos, face à série anterior (série E). Nos meses que se seguiram, os montantes aplicados foram sucessivamente encolhendo. Mas, nos últimos meses, verificou-se uma inversão da tendência.
No final de setembro deste ano estavam aplicados 45,4 mil milhões de euros nos Certificados de Aforro; enquanto há um ano estavam aplicados 39 mil milhões. Ainda assim, são valores muito diferentes dos depósitos – o campeão das poupanças, que reúne mais de 204 mil milões de euros.
As baixas taxas dos depósitos, sobretudo nos grandes bancos, o alargamento dos locais de subscrição dos Certificados de Aforro (Banco BiG e APP dos CTT) e a subida da taxa base dos Certificados, devido à subida da Euribor, tem gerado um acréscimo dos montantes aplicados neste tradicional produto de aforro.
Qual é a taxa dos Certificados de Aforro em novembro de 2026?
A taxa base da série F dos Certificados de Aforro, em subscrição, é determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula: E3, em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal. A taxa base não poderá ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.
Depois de um longo período em 2,5% bruta, em abril de 2025 começou a cair e não parou até chegar a 1,987%; algumas subidas e descidas nos últimos meses de 2025 e chegou a dezembro com a taxa bruta de 2,057%. Já em 2026, a taxa base caiu nos primeiros três meses, chegando a 2,012% em março.
Mas, nesse mês começam a subir as taxas Euribor, como consequência do conflito no Médio Oriente e, em abril, a taxa base dos certificados começou a subir e não parou, ultrapassando os 2,5% durante o mês de agosto. Assim, no mês de setembro, a taxa base dos Certificados de Aforro atinge o limite máximo. Essa taxa manteve-se em outubro e também no mês de novembro.
Os Certificados de Aforro batem a inflação?
Em termos líquidos, a série F rende agora 1,8%, ainda assim, bastante abaixo da inflação prevista para este ano (3,1%, segundo a estimativa mais recente do Banco de Portugal). Assim, estes títulos não lhe garantem uma valorização real das poupanças, tal como também acontece com a maioria dos depósitos.
A exceção são algumas séries antigas de Certificados de Aforro. Em novembro, a série A e B rendem 3,54% líquidos; a série B subscrita depois de junho de 1989 rende 3,66% bruta (2,6% líquida, abaixo da inflação); a série D rende até 2,5% líquida; e a série E rende até 4,5% bruta, ou seja, até 3,2% líquida. Assim, algumas delas, garantem um rendimento acima da inflação estimada, mas nem todas. Se tem alguma das séries anteriores, mantenha!
A Euribor pode continuar a subir?
É provável que a taxa Euribor continue a subir, mas, como vimos atrás, a taxa base dos Certificados de Aforro está limitada entre 0 e 2,5%. Por isso, mesmo que a Euribor continue a subir, a taxa base dos Certificados de Aforro já não sobe mais.
Assim, supondo que a taxa base atual dos Certificados se mantém nos 2,5% durante os próximos 5 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2%, já considerando os prémios de permanência. Nas mesmas condições, mas supondo que aplica por 15 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2,4%.
Pode simular o rendimento para prazos de 1 a 15 anos, supondo que a taxa base se mantém, na calculadora de Certificados de Aforro.