A taxa base dos Certificados de Aforro atingiu em setembro o limite máximo de 2,5%. A partir deste valor, mesmo que a Euribor continue a subir, a remuneração base da série F já não aumenta.
Em que consiste a série F dos Certificados de Aforro?
A série F foi lançada há cerca de três anos, em junho de 2023, e envolta em alguma polémica, já que algumas alterações eram pouco favoráveis ao aforrador. A DECO PROteste foi uma das entidades que mais criticou a nova série, pois apresenta um rendimento inferior – no máximo, 2,5%, maturidade mais longa (15 anos) e prémios de permanência que foram reduzidos para metade nos primeiros 9 anos, face à série anterior (série E).
Nos meses que se seguiram, os montantes aplicados foram sucessivamente encolhendo. Mas, recentemente, verificou-se uma inversão da tendência. As baixas taxas dos depósitos, sobretudo nos grandes bancos, o alargamento dos locais de subscrição dos Certificados de Aforro (Banco BiG e APP dos CTT) e a subida da taxa base dos Certificados, devido à subida da Euribor, tem gerado um acréscimo dos montantes aplicados neste tradicional produto de aforro. Segundo os dados mais recentes, no final de julho estavam aplicados cerca de 43,9 mil milhões de euros em Certificados de Aforro, ainda assim, um valor muito inferior ao dos depósitos, cerca de 203 mil milhões de euros.
A taxa base da série F dos Certificados de Aforro, em subscrição, é determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula: E3, em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal. A taxa base não poderá ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.
Depois de um longo período em 2,5% bruta, em abril de 2025 começou a cair e não parou até chegar a 1,987%; algumas subidas e descidas nos últimos meses de 2025 e chegou a dezembro com a taxa bruta de 2,057%.
Já em 2026, a taxa base caiu nos primeiros três meses, chegando a 2,012% em março. Mas, nesse mês começam a subir as taxas Euribor, como consequência do conflito no Médio Oriente e, em abril, a taxa base dos certificados começou a subir e não parou, ultrapassando os 2,5% durante o mês de agosto.
Assim, no mês de setembro, a taxa base dos Certificados de Aforro atinge o limite máximo: 2,5% bruta.
Os Certificados de Aforro conseguem bater a inflação?
Em termos líquidos, a série F rende agora 1,8%, ainda assim, bastante abaixo da inflação prevista para este ano (3,1%, segundo a estimativa mais recente do Banco de Portugal). Assim, estes títulos não lhe garantem uma valorização real das poupanças, tal como também acontece com a maioria dos depósitos.
A exceção são algumas séries antigas de Certificados de Aforro. Em setembro, a série A e B rendem 3,5% líquidos; a série B subscrita depois de junho de 1989 rende 3,5% bruta (2,5% líquida, abaixo da inflação); a série D rende até 3,1% líquida; e a série E rende até 2,9% líquida. Assim, algumas delas, garantem um rendimento acima da inflação estimada, mas nem todas. Se tem alguma das séries anteriores, mantenha!
A taxa dos Certificados de Aforro pode continuar a subir?
É provável que a taxa Euribor continue a subir, mas, como vimos, a taxa base dos Certificados de Aforro está limitada entre 0 e 2,5%. Por isso, mesmo que a Euribor continue a subir, a taxa base dos Certificados de Aforro já não sobe mais.
Assim, supondo que a taxa-base atual dos Certificados se mantém nos 2,5% durante os próximos 5 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2%, já considerando os prémios de permanência. Nas mesmas condições, mas supondo que aplica por 15 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2,4%.
Pode simular o rendimento para prazos de 1 a 15 anos, supondo que a taxa base se mantém, na calculadora de Certificados de Aforro.
Certificados de Aforro, Certificados do Tesouro ou depósitos: qual rende mais?
Com a tendência de subida das taxas, os nossos leitores querem saber se são preferíveis os Certificados de Aforro ou a recente série dos Certificados do Tesouro ou mesmo os depósitos a prazo.
Nos Certificados de Aforro a taxa base varia em função da Euribor, enquanto nos depósitos depende das decisões comerciais de cada um dos bancos e, como tal, as subidas são mais lentas e de menor valor. Já na 5.ª série dos Certificados do Tesouro as taxas são fixas, mas crescentes.
Se optar pelos Certificados do Tesouro – 5.ª série, em subscrição desde julho, obtém um rendimento anual líquido de 1,8% a 5 anos e 1,9% se aplicar pelo prazo de 10 anos, ficando abaixo dos Certificados de Aforro. Mas, ter taxas fixas definidas à partida é uma vantagem para quem quer ter a certeza do rendimento no longo prazo. O mínimo exigido é de 1000 euros e cada nova entrega é considerada uma nova subscrição, devendo obedecer ao mesmo mínimo. Apenas pode resgatar após um ano.
No caso dos Certificados de Aforro, atualmente dão um pouco mais, mas o rendimento poderá descer no futuro; basta que a Euribor a 3 meses caia nos próximos anos.
À taxa base atual (2,5%), os Certificados de Aforro levam a taça e são a melhor aplicação de capital garantido do ponto de vista do rendimento, mas não só. Há outras vantagens que devemos realçar nos Certificados de Aforro: nomeadamente o mínimo de subscrição e reforços muitos baixos (100 e 10 euros, respetivamente); a possibilidade de resgate a qualquer momento, após os primeiros três meses; a capitalização trimestral dos juros, que é pouco comum em produtos de capital garantido e o prémio de permanência crescente a partir do segundo ano. Além disso, não tem quaisquer comissões e tem a garantia do Estado, já que se trata de um produto de dívida pública.
Assim, se pretende um produto sem risco para ir aplicando as suas poupanças com reforços regulares, os Certificados podem ser uma opção a considerar.
Ainda sobre este assunto, pode ver o 11.º episódio do podcast POD Investir.
Se tem um montante significativo e pretende aplicar a curto e médio prazo, há depósitos a prazo com taxas mais interessantes. Consulte o nosso comparador de depósitos.
Uma coisa é certa: nenhum destes três produtos consegue igualar ou superar a inflação esperada para este ano, que é de 3,1%, segundo a estimativa do Banco de Portugal. Por isso, investir apenas em produtos de capital garantido é sinónimo de perda real do valor do dinheiro.
| Produto | TAEL (%) | ||
|---|---|---|---|
| 1 ano | 5 anos | 10 anos | |
| Certificados de Aforro (1) | 1,8 | 2 | 2,1 |
| Certificados do Tesouro – 5.ª série | 1,7 | 1,8 | 1,9 |
| Melhor depósito | 2,1 | 1,7 | n.d. |
| (1) Supondo que a taxa base de setembro (2,5%) se mantém. | |||