Netflix: luta prossegue
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A cotação da Netflix desce
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A cotação da Netflix desce
Os golpes de teatro sucedem-se na corrida pela aquisição da Warner Bros. Na véspera da assembleia-geral prevista para abril, na qual os acionistas deverão pronunciar-se sobre a oferta de 27,75 dólares/ação apresentada pela Netflix, o fundo ativista Ancora Holdings anunciou ter adquirido uma participação na empresa.
A Ancora pretende opor-se ao acordo celebrado com a Netflix, que abrange apenas os estúdios e as atividades de streaming da Warner Bros. Para já, detém apenas 0,3% do capital, mas não é de excluir que consiga mobilizar outros acionistas.
Além de perspetivas financeiras difíceis para as atividades tradicionais de televisão (como a CNN e Discovery Channel, via cabo), que não seriam incluídas na operação, a Ancora receia igualmente a reação das autoridades da concorrência.
O novo conjunto (Netflix + HBO Max/Discovery+) concentraria cerca de 35% do mercado norte-americano de streaming por subscrição (em horas visualizadas), acima do limiar de 30% que geralmente suscita objeções regulatórias.
Contudo, este último argumento parece discutível. A Netflix poderá argumentar que o mercado relevante é mais amplo do que o streaming pago. Incluindo canais tradicionais e o YouTube, a quota de mercado do novo grupo não ultrapassaria os 14%.
Do lado da Paramount Skydance, a oferta de 30 dólares/ação, incidindo sobre a totalidade das atividades da Warner Bros., foi novamente prorrogada até 2 de março. Até ao momento, a Paramount terá assegurado apenas uma fração muito minoritária do capital.
Ainda assim, aumentou a pressão ao anunciar que assumirá os 2,8 mil milhões de dólares previstos como compensação caso a Warner opte, afinal, pela proposta da Paramount em detrimento da da Netflix. Além disso, comprometeu-se a pagar 0,25 dólares adicionais por ação e por trimestre de atraso além de 31/12/2026, enquanto a fusão não estiver concluída.
A competição está longe de decidida. Desde o anúncio (a 5 de dezembro) da oferta sobre a Warner, mantida em 27,75 dólares/ação, agora integralmente em numerário, a cotação da Netflix perdeu mais de 20%.
O mercado receia uma eventual melhoria da oferta face à proposta da Paramount (entretanto rejeitada pela Warner), bem como os riscos de integração, aumento do endividamento resultante da aquisição (cinco vezes o EBITDA) e o elevado preço oferecido (avaliando as atividades em mais de 18 vezes o EBITDA estimado para 2026).
Se a oferta da Paramount tiver sucesso, poderá ser recebida com alívio pelos investidores e permitir uma recuperação da cotação da Netflix.
Caso a aquisição da Warner pela Netflix se concretize no final de 2026, a plataforma reforçará significativamente a sua atratividade face à concorrência. A operação permitir integrar a base de subscritores da HBO Max, bem como franchises emblemáticos de Hollywood, como Harry Potter e DC Comics.
Seja qual for o cenário de desfecho, não alteramos o conselho de compra para a Netflix.