Novartis, Novo Nordisk, Ralph Lauren, Vodafone
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Vodafone reduziu significativamente o endividamento
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Vodafone reduziu significativamente o endividamento
Novartis
Manter
A Novartis reviu em alta os objetivos de vendas dos medicamentos oncológicos Kisqali e Scemblix, mas moderou as expectativas de crescimento a médio e longo prazo.
A Novartis aponta agora para um crescimento anual médio entre 5% e 6%, excluindo efeitos cambiais, no período 2025-2030, e em torno de 5% após 2030 (antes 6% para 2024-2029).
Esta revisão reflete a concorrência dos medicamentos genéricos. Esse efeito já se faz sentir no principal produto, o Entresto, no tratamento da insuficiência cardíaca, cujas vendas recuaram 1% no terceiro trimestre. Apesar desta moderação, a perspetiva de crescimento continua a assinalável.
A Novartis beneficia de um portefólio sólido (14 medicamentos de referência em 2024), que deverá reforçar com cerca de 15 pedidos de homologação nos próximos dois anos.
O pipeline foi ainda fortalecido por aquisições estratégicas, como a da Avidity Biosciences, que acrescenta três novos produtos em fase avançada de desenvolvimento na área das neurociências. É um dos quatro domínios, a par da imunologia, oncologia e eixo cardiovascular-renal-metabólico, nos quais a Novartis concentra os esforços de I&D.
A Novartis apresenta múltiplos trunfos, mas reviu em baixa as perspetivas de crescimento para os próximos anos. Tendo em conta a forte valorização, já não se justifica a compra.
Novo Nordisk
Manter
2025 marcou um ponto de viragem inesperado para a Novo Nordisk. Após uma década de crescimento sustentado pelos tratamentos contra a diabetes (Ozempic) e a obesidade (Wegovy), a Novo Nordisk viu-se confrontada com uma sucessão de dificuldades.
Tudo começou com os resultados clínicos mistos do Cagrisema, um tratamento em fase final de desenvolvimento que ficou aquém das expectativas. Seguiram-se as ameaças de tarifas e a pressão em baixa sobre os preços por parte da administração Trump. Mais recentemente, dois estudos clínicos não conseguiram demonstrar que a toma de uma versão oral do Ozempic pudesse abrandar a progressão da doença de Alzheimer. Um sucesso neste domínio teria constituído um importante fator de suporte para a Novo Nordisk.
No entanto, a maior ameaça provém da concorrência das preparações equivalentes, que beneficiaram da lentidão do grupo em resolver os problemas de capacidade de produção (já ultrapassada) e da superioridade dos produtos da Eli Lilly, que continuaram a ganhar quota de mercado.
Neste contexto, a Novo Nordisk procedeu a várias revisões em baixa das perspetivas. Para 2025, a estimativa de crescimento das vendas, excluindo efeitos cambiais, está entre 8% e 11% e do lucro operacional entre 4% e 7%. Por comparação, no início de 2025 as estimativas situavam-se entre 16% e 24% para as vendas e entre 19% e 27% para o lucro operacional.
E 2026 continuará a ser um ano difícil, com a perda da patente do semaglutido (princípio ativo do Ozempic e do Wegovy) em muitos países. Ainda assim, o medicamento permanece protegido por patente na Europa e nos Estados Unidos para além de 2030.
Felizmente, nem tudo é negativo. Ao nível do pipeline, um estudo de fase intermédia mostrou recentemente a eficácia da amycretina, nas versões subcutânea e oral, na perda de peso e na redução dos níveis de açúcar no sangue em doentes com diabetes de tipo 2.
Além disso, a Novo Nordisk recebeu autorização da autoridade de saúde norte-americana para o Wegovy em versão oral diária em doentes obesos ou com excesso de peso.
Esta versão, mais prática e menos onerosa, já foi lançada este mês nos Estados Unidos, enquanto o pedido de homologação na Europa continua em análise. Deverá, contudo, enfrentar, nos próximos meses, a concorrência do Orforglipron da Eli Lilly.
Além disso, o grupo acaba de submeter um pedido de homologação nos Estados Unidos para o CagriSema, que, apesar de tudo, se revela mais eficaz do que o Wegovy.
Paralelamente, com a chegada de um novo CEO, foi lançado um ambicioso plano de redução de custos. O objetivo passa por alcançar, até ao final do exercício de 2026, poupanças anuais de 8 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 1,04 mil milhões de euros) ou 1,8 coroas por ação.
Por fim, a Fundação Novo Nordisk, acionista maioritária com 72% dos direitos de voto no final de 2024, reforçou o controlo, com o intuito de melhorar a capacidade da reação da farmacêutica aos desafios atuais, nomeadamente a perda de quota de mercado e a pressão sobre os preços. Um exemplo foi a tentativa (fracassada) de adquirir a Metsera, outro especialista no tratamento da obesidade, face à concorrência da Pfizer.
A cotação da Novo Nordisk deteriorou-se ao longo de 2025, refletindo uma combinação de deceções financeiras, dúvidas estratégicas e um mercado mais competitivo.
É certo que o grupo mantém trunfos importantes, como a solidez financeira e novos produtos em desenvolvimento, e que a tendência estrutural do mercado da obesidade continua favorável. No curto prazo, porém, a prudência impõe-se.
Ralph Lauren
Manter
O Council of Fashion Designers (CFDA) e a Ralph Lauren anunciaram dois novos programas de apoio para reforçar a indústria da moda nos Estados Unidos.
O programa prevê dois ciclos de financiamento, em 2026 e 2027, e concede subsídios a fabricantes e designers que cobrirão 80% dos investimentos em máquinas, software e formação da força de trabalho, potenciando um efeito de alavanca nos investimentos privados.
Trata-se de um claro sinal de política industrial americana para apoiar a moda e o seu crescimento. Confirmamos as estimativas para a Ralph Lauren.
Vodafone
Manter
A nova equipa de gestão, em funções há cerca de dois anos e meio, implementou medidas drásticas, nomeadamente a saída de mercados pouco rentáveis, como Espanha e Itália. O objetivo foi reduzir o elevado endividamento, herança de uma expansão internacional descontrolada através de aquisições.
A dívida situa-se agora num nível razoável (26 mil milhões de euros contra mais de 45 mil milhões há três anos) e os resultados recentes superaram as expectativas. No primeiro semestre de 2025/26, o volume de negócios aumentou 7,3% e o resultado operacional cresceu 5,9%.
A Vodafone reviu em alta o objetivo anual de resultado operacional, cuja progressão poderá atingir 7%. A melhoria é bem visível na Alemanha, maior mercado da Vodafone, com o regresso do crescimento do volume de negócios no segundo trimestre de 2025/26.
No Reino Unido, a fusão com a Three UK, reduziu para três o número de grandes operadores, limitando a pressão sobre os preços e melhorando as perspetivas de lucros. Estimamos lucros por ação de 6,16 pence em 2025/26 e de 6,94 pence em 2026/27.
O recentramento geográfico está a produzir resultados e as importantes alienações de ativos permitiram reduzir significativamente o endividamento. Livre de várias subsidiárias pouco rentáveis e com posições preferenciais na maioria dos seus mercados, a Vodafone apresenta resultados de melhor qualidade.