Aegon, Air Liquide, Diageo, MTU Aero Engines
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O lucro líquido da Aegon teve um aumento considerável
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O lucro líquido da Aegon teve um aumento considerável
Aegon
Manter
Os resultados de 2025 da Aegon superam claramente as expectativas, impulsionados por desempenhos robustos nos principais segmentos (Estados Unidos e atividades internacionais). O lucro líquido registou um aumento expressivo, o resultado operacional evoluiu de forma favorável e a geração de caixa ultrapassou os objetivos definidos.
A Aegon demonstra solidez financeira e mantém uma capacidade consistente de remunerar os acionistas através de dividendos e programas de compra de ações próprias. A Aegon privilegia uma disciplina rigorosa na afetação de capital e não entra numa lógica de aquisições agressivas.
Apesar deste enquadramento positivo, subsiste um fator de incerteza. A Aegon permanece surpreendentemente discreta quanto aos ativos no Reino Unido, numa fase em que acelera o crescimento nos Estados Unidos nas áreas de seguros de vida e soluções de reforma.
Era expectável a apresentação de um plano claro relativamente à redução da exposição ao mercado britânico. A ausência dessa orientação estratégica implica mais prudência na avaliação do potencial da ação.
Air Liquide
Comprar
A Air Liquide registou um lucro recorde de 3,5 mil milhões de euros (+6,4%), apoiado numa melhoria significativa da rentabilidade. A margem operacional ajustada aumentou 80 pontos base. O volume de negócios cresceu 2% numa base comparável.
Para 2026, a Air Liquide prevê um novo aumento dos lucros, sustentado por um ganho adicional de 100 pontos base na margem. O mesmo objetivo foi definido para 2027.
Paralelamente ao controlo de custos, a Air Liquide reforça o crescimento através de investimentos direcionados, em particular na Ásia, com as aquisições da sul-coreana DIG Airgas e da indiana NovaAir, com o objetivo de beneficiar do dinamismo dos semicondutores.
Na região das Américas (EUA 85%), o crescimento foi o mais dinâmico, com +3,9%. A Air Liquide celebrou recentemente novos contratos de hidrogénio no Texas com duas grandes empresas de refinação, apesar da conjuntura menos favorável à descarbonização nos EUA.
A suspensão de alguns projetos de baixo carbono, como o da ExxonMobil, não deverá ter impacto significativo no médio prazo. Confiante nas perspetivas, propõe um dividendo de 3,70 euros (+12,1%). Os resultados confirmam a solidez do modelo de negócio e a capacidade da Air Liquide para melhorar de forma sustentada a sua rentabilidade.
Diageo
Comprar
A Diageo apresentou resultados semestrais dececionantes para o exercício fiscal de 2026, encerrado a 31 de dezembro de 2025. As vendas diminuíram 4%, para 10,5 mil milhões de dólares, enquanto a contração orgânica foi de 2,8%, penalizada pela fraqueza nos Estados Unidos, devido à pressão sobre o poder de compra, e na China.
O novo CEO, Dave Lewis, especialista em processos de recuperação, com experiência na Tesco e na Unilever, reviu em baixa as previsões anuais. A Diageo passa a antecipar uma diminuição de 2% a 3% das vendas orgânicas, quando anteriormente apontava para estabilidade, e um crescimento do resultado operacional entre 0% e 3%. Trata-se da segunda revisão em quatro meses.
Com o objetivo de reforçar a flexibilidade financeira e consolidar o balanço, a Diageo reduziu o dividendo intercalar para metade, de 40,5 cêntimos para 20 cêntimos por ação, estabelecendo um mínimo de 50 cêntimos para o conjunto do exercício.
Dave Lewis aposta no alargamento do portefólio de produtos, nomeadamente no segmento de bebidas prontas a consumir, em ajustamentos de preços, em alienações seletivas, potencialmente na China, e em investimentos destinados a recuperar competitividade, com a marca Guinness como ativo central. Consideramos que estas medidas, ainda que exigentes, criam as bases para uma recuperação no médio prazo.
Apesar das tendências desfavoráveis persistentes (queda dos volumes, menor apetite dos consumidores por bebidas alcoólicas e crescentes preocupações relacionadas com a saúde pública), a Diageo é obrigada a tomar decisões difíceis, nomeadamente a redução do seu dividendo.
As más notícias provocaram ontem uma forte correção da cotação, anulando os ganhos registados desde o início do ano. Ainda assim, consideramos que a maior parte dos riscos já está agora refletida na cotação. E este recuo constitui um ponto de entrada interessante.
A médio prazo, o potencial de recuperação permanece sustentado pela estratégia de reestruturação implementada pela nova gestão e uma valorização que voltou a tornar-se atrativa. Não alteramos o conselho: comprar.
MTU Aero Engines
Comprar
Em 2025, a MTU Aero Engines alcançou um exercício histórico: +16% de volume de negócios para 8,7 mil milhões de euros. O resultado operacional ajustado aumentou 29% para 1,35 mil milhões, o que corresponde a uma margem de 15,5%. O lucro líquido atingiu 968 milhões (+27%).
A dinâmica foi sustentada pela forte procura na área de manutenção (+18%) e de motores para aviação civil (+18%), compensando o desempenho mais fraco da atividade militar, afetada por constrangimentos no aprovisionamento. Apesar da pressão exercida pelo programa GTF sobre a tesouraria, a rentabilidade permanece elevada.
Com base nestes resultados, a MTU Aero Engines propõe um dividendo de 3,60 euros (+64%).
Para 2026, a MTU aponta para um volume de negócios entre 9,2 e 9,7 mil milhões de euros e para um resultado operacional entre 1,35 e 1,45 mil milhões, suportados pela continuação do crescimento da procura por aeronaves civis, absorvendo simultaneamente o impacto residual do programa de recolha do motor GTF. Estas perspetivas sustentam as nossas previsões de lucro por ação: 19 euros em 2026 e de 21 euros em 2027.
Os investidores ficaram um pouco dececionados pela menor geração de liquidez (recolha do motor GTF), mas esta situação não coloca em causa os fundamentos sólidos da atividade da MTU Aero Engines.