Accenture, Ageas, Nvidia, Schneider
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Accenture tem que lidar diretamente com o impacto da inteligência artificial
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Accenture tem que lidar diretamente com o impacto da inteligência artificial
Accenture
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Líder mundial incontestada em consultoria a empresas e externalização de serviços, a Accenture enfrenta diretamente o impacto da inteligência artificial, que ameaça transformar profundamente estas atividades. A cotação caiu 48% nos últimos doze meses e 29% desde o início do ano. Perante esta correção, o que fazer?
Na área de Consultoria (50% do volume de negócios), o principal risco para a Accenture reside na redução do número de horas faturadas para entregar o mesmo resultado.
A IA automatiza tarefas anteriormente cobradas com base no tempo despendido, como análises, elaboração de relatórios ou desenho de processos. Se duas pessoas equipadas com ferramentas de IA realizarem o trabalho que antes exigia dez, o volume de receitas por projeto poderá diminuir de forma significativa.
A Accenture está, por isso, a acelerar a transição para modelos de faturação baseados no valor criado e não no número de horas trabalhadas. Esta mudança estrutural poderá, contudo, pressionar as receitas no curto e médio prazo.
Para a Accenture e para os seus concorrentes, a IA tende a substituir parte da consultoria tradicional mais rapidamente do que a consultoria especializada em IA consegue gerar receitas adicionais.
Na atividade de Externalização (os outros 50% do volume de negócios), o risco principal prende-se com a substituição do modelo assente em mão-de-obra, muitas vezes deslocalizada para países de baixo custo, por agentes de IA e processos totalmente automatizados.
A inteligência artificial já demonstra capacidade para executar tarefas repetitivas, como contabilidade ou suporte informático, de forma mais rápida e com menor custo.
A ameaça para a Accenture é real e torna-se mais evidente à medida que os progressos da IA generativa superam as expectativas iniciais. Este enquadramento explica a forte contração dos múltiplos de avaliação. O rácio cotação/lucro situa-se atualmente em cerca de 15, face a mais de 30 há um ano e a uma média de 26 nos últimos dez anos.
Contudo, consideramos que a correção foi excessiva. A Accenture dispõe de vantagens competitivas relevantes, superiores às de muitos concorrentes, para gerir esta transição e limitar a erosão das receitas e dos lucros.
A posição financeira é sólida e a Accenture reforçou as competências em consultoria de IA através de aquisições direcionadas nos últimos anos. Paralelamente, já está a adaptar os contratos para modelos de remuneração baseados em resultados.
O modelo de negócio atravessa uma transformação forçada, o que poderá penalizar os resultados nos próximos exercícios. Não obstante, a inteligência artificial também poderá criar novas oportunidades, nomeadamente na supervisão de agentes de IA e na consultoria associada à sua implementação.
A Accenture poderá apoiar-se na posição de liderança e nas relações históricas com uma vasta base de clientes para explorar estas oportunidades.
Neste contexto, entendemos que a avaliação atual oferece um ponto atrativo para entrada nas ações da Accenture. Mantemos uma visão positiva sobre o potencial de recuperação da cotação: comprar.
Ageas
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A Ageas registou em 2025 um ano de excelência, com resultados recorde. Os prémios aumentaram 7,2%, impulsionados pelos seguros de vida na Europa e pela atividade de resseguro. As grandes indemnizações relacionadas com tempestades e catástrofes naturais permaneceram limitadas e um impacto fiscal positivo pontual na China contribuiu com 300 milhões de euros.
A Ageas elevou o lucro operacional para 1,65 mil milhões de euros (8,80 euros por ação), e o lucro líquido para 1,7 mil milhões de euros (9,10 euros por ação). O dividendo aumenta 7,1%, para 3,75 euros.
Em 2025, a Ageas concluiu igualmente operações no montante de 2 mil milhões de euros: a aquisição da britânica Esure, cuja integração está em curso, e a compra dos restantes 25% da seguradora belga AG Insurance à BNP Paribas Fortis, operação que deverá ficar concluída no segundo trimestre. A Ageas continua, no entanto, a identificar margem para novas aquisições, com o objetivo de reforçar a sua posição nos mercados europeus e asiáticos.
Para 2026, a Ageas aponta para, pelo menos, 1,5 mil milhões de euros de lucro operacional líquido. Para 2027, prevê um lucro por ação entre 8 e 8,50 euros. O dividendo deverá crescer anualmente pelo menos 6%. Revemos em alta as nossas estimativas para 7,70 euros por ação em 2026 e 8,20 euros em 2027.
A Ageas beneficia atualmente de uma dinâmica favorável. A Ageas gera um fluxo de caixa livre robusto, com um objetivo de 2,6 mil milhões de euros em 2027, que poderá utilizar tanto para novos investimentos como para remunerar generosamente os acionistas. As perspetivas são positivas e, apesar da subida da cotação, a avaliação permanece atrativa.
Nvidia
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O gigante dos processadores voltou a apresentar resultados recorde. Graças a uma aceleração no quarto trimestre de 2025/26 (exercício fecha a 31/01), a Nvidia registou um crescimento do volume de negócios e do lucro por ação de 65% e 60%, respetivamente, no conjunto do exercício. Para o trimestre em curso, a Nvidia aponta para um aumento de 77% do volume de negócios.
A procura pelos processadores para centros de dados (90% das receitas; 41% há quatro anos), deverá continuar a aumentar significativamente em 2026/27, tendo em conta os planos de investimento dos gigantes tecnológicos Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta, que preveem um aumento acumulado de 56% face a 2025. Estes grupos, principais clientes da Nvidia, competem intensamente no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial generativa e de infraestruturas cloud.
A dependência crescente de alguns clientes-chave constitui, contudo, um risco relevante. Apenas dois dos clientes representam 36% das vendas (34% de três clientes há um ano).
Este risco é mais significativo porque estes grupos desenvolvem internamente os seus próprios processadores dedicados à IA, com a Alphabet na dianteira (TPU).
Paralelamente, a concorrente AMD celebrou parcerias, nomeadamente com a Meta. Revemos em alta as estimativas de lucro por ação: 8 dólares em 2026/27 (antes 7,2) e 10,5 dólares em 2027/28.
A progressão dos resultados e as previsões continuam a ser espetaculares. Contudo, a procura depende de um número limitado de clientes, os quais desenvolvem os seus próprios processadores. Esta conjuntura explica que a Nvidia negoceie atualmente com múltiplos de valorização idênticos aos concorrentes.
Schneider
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A Schneider apresentou um desempenho dinâmico e de qualidade no quarto trimestre de 2025. O volume de negócios cresceu 10,7% em termos comparáveis (8,3% nos três primeiros trimestres). A atividade beneficia da procura proveniente de centros de dados e redes, segmento no qual regista um crescimento de três dígitos face ao ano anterior.
Esta procura é alimentada pelos colossais investimentos de gigantes como Microsoft, Alphabet e IBM. A procura mantém-se dinâmica na América do Norte e ganha igualmente dimensão na Europa.
A diversificação geográfica das atividades, América do Norte (39% das receitas), Europa (23%), Ásia (26%) e resto do mundo (12%), permite à Schneider capitalizar as tendências globais. A Schneider permanece bem posicionada para responder às tendências estruturais das economias, nomeadamente a eletrificação, digitalização e automação.
Esta dinâmica reflete-se num aumento de 18% das encomendas no último exercício, incluindo +21% na gestão de energia. A Schneider pode, assim, encarar 2026 com confiança, apontando para objetivos de crescimento em linha com os de 2025, apesar de efeitos cambiais negativos.
Mantendo uma postura prudente, prevê um crescimento das receitas de 7% a 10% (+8,9% em 2025) e um aumento do resultado operacional entre 10% e 15% (+12,3% em 2025).
Os resultados de 2025 confirmam que a Schneider figura entre os vencedores europeus do desenvolvimento da IA e da digitalização. A cotação já valoriza 16% desde o início do ano e atingiu um novo máximo histórico.