Lição 6 : Operações com CFD e Alavancagem
Segundo a CMVM, entre 74 e 89% dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD.
Segundo a CMVM, entre 74 e 89% dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD.
Os CFD (Contratos por Diferença) são instrumentos financeiros derivados que permitem aos investidores especular sobre a valorização ou desvalorização de um ativo ou instrumento financeiro sem necessidade de o deter.
Estes instrumentos tornaram-se populares entre traders devido à sua flexibilidade e elevada liquidez, à possibilidade de operar em mercados em alta ou em queda e à alavancagem que podem proporcionar.
Contudo, antes de abrir qualquer operação, é essencial compreender uma série de conceitos fundamentais para saber exatamente o que se está a fazer e manter uma abordagem eficaz e responsável no trading. Conceitos como:
Os ativos e instrumentos financeiros disponíveis para compra e venda através de CFD são numerosos: ações, índices bolsistas, matérias-primas, pares de moedas, criptomoedas, ETF, entre outros.
Antes de se aventurar, é fundamental entender como funcionam os CFD – conhecer conceitos como pips e lotes – e ter consciência de que corre um risco elevado de perder todo o dinheiro investido.
Segundo a CMVM, entre 74% e 89% dos investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFD.
No trading, deixar margem de manobra significa manter capital suficiente na conta para suportar oscilações de preço sem que a posição seja encerrada à força. Este conceito é essencial para evitar perdas desnecessárias, sobretudo quando existe alavancagem.
Quando abre uma operação, a corretora exige uma margem, que funciona como uma caução. Essa margem não é um custo, mas um montante bloqueado para manter a posição aberta.
Exemplo simples
Se comprar um determinado ativo cotado a 10 euros e tiver 100 euros na sua conta:
Se o mercado se mover contra a sua posição, surge um prejuízo flutuante (não realizado), ou seja, uma perda temporária enquanto a operação se mantém aberta. Só se torna prejuízo efetivo quando a posição é encerrada.
Se não existir margem de manobra suficiente, esse prejuízo flutuante consome rapidamente a margem disponível. Quando a margem livre atinge um nível crítico, a corretora emite uma chamada à margem (margin call), normalmente comunicada por email ou através da aplicação.
Essa chamada é um aviso automático de que o capital disponível já não é suficiente para sustentar a posição. Nesse momento, o trader deve:
Se o mercado continuar a mover-se contra a posição e o trader não atuar, a corretora procede à liquidação automática:
Um dos conceitos-chave no trading com CFD é o da alavancagem financeira. A alavancagem permite que o investidor assuma posições no mercado superiores ao montante de capital que deposita na conta de trading. Funciona, na prática, como um “empréstimo em margem temporário” concedido pelo intermediário financeiro (geralmente a corretora), permitindo:
Este conceito será detalhado na próxima lição (Lição 7), juntamente com o uso de lotes.
Um trader dispõe de apenas 100 euros para efetuar operações na sua carteira e não define limites de perda (stop loss) nem objetivos pré-definidos de lucro (take profit).
Compra uma ação da empresa A, cotada a 50 euros, e também tem intenção de comprar ações da empresa B, que tem acompanhado. No entanto, decide esperar por um preço mais baixo, pois a ação da empresa B está agora a 40 euros.
Uma semana depois, a ação da empresa A desvaloriza e passa de 50 euros para 35 euros. Neste caso, o trader já não dispõe de 50 euros de margem disponível, mas apenas de 35 euros (100 – 50 – 15 = 35 euros, considerando a perda flutuante de 15 euros). Agora, mesmo que queira, já não consegue comprar uma ação da empresa B — a menos que recorra à alavancagem.
Com o uso de alavancagem, surgem novos conceitos:
A margem utilizada é o montante de capital próprio do trader que fica bloqueado pelo intermediário financeiro como garantia para manter posições abertas com alavancagem.
A margem disponível é o capital que permanece livre após deduzir a margem utilizada.
A margem disponível varia constantemente, pois depende do valor atual da conta (equity), que é afetado pelos lucros e perdas flutuantes. Em resumo, a margem disponível é o que permite:
A chamada à margem ocorre quando as perdas nas posições em aberto reduzem o equity da conta até um ponto em que:
Com alavancagem 1:5, para abrir uma posição de 50 euros, a margem utilizada será:
50 euros ÷ 5 = 10 euros
Nota:
Alavancagem 1:5 significa que, se depositar 100 euros na conta, em vez de ter apenas 100 euros de capacidade de exposição, passa a ter 500 euros (100 × 5).
O trader consegue controlar 50 euros no mercado, ficando apenas com 10 euros do seu capital retidos como margem.
Outro exemplo: com alavancagem 1:30, para abrir uma posição de 300 euros, a margem utilizada será:
300 euros ÷ 30 = 10 euros.
Em Portugal, para serem reguladas, as corretoras devem limitar a alavancagem máxima consoante o tipo de ativo.
Principais pares de moedas: 1:30
Índices principais: 1:20
Metais preciosos: 1:20
Matérias-primas (exceto ouro): 1:10
Ações individuais: 1:5
Criptomoedas: 1:2
Contudo, investidores profissionais podem aceder a níveis mais elevados de alavancagem, após prova de conhecimentos e experiência, habitualmente através de testes.
O trader dispõe de 100 euros na conta.
Compra uma ação da empresa A a 50 euros e tem também intenção de comprar ações da empresa B, que tem acompanhado. No entanto, decide esperar por um preço mais baixo, pois a ação da empresa B está agora a 40 euros.
Dados da posição inicial (empresa A):
Situação inicial:
Passada uma semana, a ação da empresa A desvaloriza de 50 euros para 35 euros.
Esta perda é deduzida ao valor da conta (equity).
Situação da conta após a desvalorização:
A margem utilizada mantém-se inalterada enquanto a posição estiver aberta:
A margem disponível passa a ser:
Resumo:
Para comprar 1 ação da empresa B a 40 euros, com alavancagem 1:5, seria necessária uma margem de:
40 euros ÷ 5 = 8 euros
Apesar de o trader ter margem disponível suficiente (75 euros) para abrir a nova posição, o exemplo mostra que a perda na empresa A já reduziu o capital total e aumentou o risco global da carteira.
Se a ação da empresa A continuasse a cair, por exemplo para 20 euros:
100 euros – 30 euros – 10 euros = 60 euros
Concluindo, sem margem de manobra, pequenas oscilações normais do mercado podem provocar liquidações, mesmo quando a análise do trader está correta a médio ou longo prazo.
Por isso, muitos traders perdem dinheiro não por errarem na direção do mercado, mas por:
Na maioria dos casos, isso resulta de falta de planeamento ou de falta de paciência.
Conservar margem de manobra permite que o preço se mova temporariamente contra a posição sem provocar chamadas à margem ou liquidações. Dá tempo ao mercado para evoluir e reduz a pressão emocional, permitindo decisões mais racionais.
Em resumo:
A margem de manobra é o que separa uma operação controlada de uma operação frágil, em que qualquer movimento adverso pode resultar numa perda imediata.