A Greenvolt anunciou esta semana a emissão de 100 milhões de euros em obrigações verdes (“green bonds”) destinadas a pequenos investidores. Com maturidade a 5 anos e uma taxa de juro bruta de 5,2%, as obrigações verdes Greenvolt podem ser subscritas entre 2 e 15 de novembro.
Como assim “Verdes”?
As Obrigações Verdes GreenVolt 2027 são emitidas ao abrigo do Green Bond Framework de outubro de 2021, que se encontra disponível no site da Greenvolt. Os fundos provenientes da emissão destinam-se aos fins previstos no referido Green Bond Framework. A Sustainalytics, entidade verificadora externa confirmou que, na sua opinião, aquele Green Bond Framework se encontra alinhado com os quatro princípios-chave dos Princípios de Obrigações Verdes.
Apesar disso, estas obrigações não são qualificáveis como “obrigações verdes europeias”, conforme definido nos termos e para os efeitos previstos na proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo a obrigações verdes – COM (2021) 391 final. Também não são qualificáveis como “obrigações de investimento social”, “obrigações sustentáveis” ou “obrigações ligadas a sustentabilidade”.
Quanto rendem?
A taxa de cupão bruta de 5,2% traduz-se numa taxa anual efetiva líquida de impostos de 3,744%. Contudo, há ainda que deduzir as comissões e custos que o intermediário financeiro irá cobrar e que afeta a rentabilidade final para o investidor.
Simulámos a rentabilidade tendo em conta outros custos e comissões que o seu banco ou corretora podem cobrar e chegámos a uma TAEL de 3,5% para um investimento de 5.000 euros até à maturidade. Esta simulação não inclui uma possível comissão de Guarda de Títulos que é cobrada por alguns intermediários financeiros. Tome especial atenção à existência da comissão de guarda de títulos, esta pode afetar muito negativamente o retorno do seu investimento.
Quais os riscos?
- A autonomia financeira da GreenVolt é de 31%, um valor aceitável. Está apenas ligeiramente acima do mínimo geralmente aconselhado de 30%, mas tendo em conta que a rentabilidade da atividade é elevada, ter uma grande parte da mesma financiada por capitais alheios não é problemático.A Dívida Líquida/EBITDA é de 4,05 um valor bastante elevado e por vezes considerado perigoso perante os mercados. No entanto, isto deve-se à fase de crescimento em que a empresa se encontra. Apresenta ainda poucos lucros pois reinveste todo o rendimento que obtém com a sua atividade.
Apesar de existir sempre risco, ainda para mais em empresas tão recentes, consideramos que o modelo de negócio da GreenVolt é bastante prometedor e que a empresa está a aplicá-lo eficazmente. A sua posição é sólida e privilegiada no contexto internacional em que as energias renováveis são, cada vez mais, apoiadas e valorizadas. Concluímos, portanto, que a probabilidade de incumprimento é baixa.
- Por ter taxa fixa, o investimento em Obrigações Verdes Greenvolt 2027 envolve o risco de taxa de juro. Em particular, se o valor das taxas de juro de mercado continuarem a aumentar (o que é praticamente uma certeza no curto prazo), será expectável que o valor de mercado (cotação em bolsa) das Obrigações Verdes Greenvolt 2027 diminua.
- O montante de juros e de reembolso de capital a pagar aos titulares estará ainda sujeito ao risco de inflação, na medida em que a subida da taxa de inflação implicará um rendimento real do investidor mais reduzido.
- Foi solicitada a admissão à negociação das Obrigações no Euronext Lisbon, pelo que os investidores poderão transacioná-las livremente em mercado regulamentado, uma vez admitidas à negociação, ou fora de mercado, após a Data de Emissão. No entanto, a admissão à negociação em mercado regulamentado não garante, por si só, uma efetiva liquidez das Obrigações.
Assim, as Obrigações Verdes Greenvolt 2027 não têm um mercado estabelecido na Data de Emissão e tal mercado poderá não vir a desenvolver-se. Se um mercado vier a desenvolver-se, poderá não ter um elevado nível de liquidez ou poderá não manter a todo o tempo o nível de liquidez esperado por determinado investidor. Pelo que, os investidores poderão não ter a possibilidade de alienar as Obrigações Verdes Greenvolt 2027 com facilidade, de um momento para outro, ou a um preço que lhes permita recuperar os valores investidos ou realizar um ganho comparável com aquele que obteriam através de outros investimentos similares em mercado secundário.
Deve investir?
Utilizámos como referência os índices “Markit iBoxx Euro Liquid high yield BB” e “IBOXX EURO EUROZONE BBB” que correspondem a obrigações da zona euro com rating de risco BB e BBB. Concluímos que estas obrigações estão atualmente a oferecer no mercado taxas brutas de rendimento (“yield to maturity” YTM) de 7,23% e 3,96% respetivamente. Estas taxas subiram bastante nos mercados obrigacionistas internacionais nos últimos meses devido à elevada inflação e consequentes atuações dos bancos centrais.
A GreenVolt não dispõe de notação de risco de crédito atribuída pelas agências de rating. Contudo, partindo da análise do seu modelo de negócio e da avaliação da situação financeira da empresa, consideramos que o nível de risco da GreenVolt se encontra entre estas duas categorias. Assim, fizemos uma média das yields dos dois índices anteriormente mencionados. O resultado foi 5,6%, portanto, a taxa bruta de 5,2% da Greenvolt está ligeiramente abaixo daquilo que é oferecido no mercado para níveis de risco semelhantes.
Uma alternativa “sem risco” seriam os Certificados de Aforro, utilizando o exemplo anterior (investimento de 5.000 euros a 5 anos) obtemos uma TAEL (Taxa Anual Efetiva Líquida) que pode variar entre os 1,82% e 2,6% consoante a evolução da Euribor. Ao comparar com a TAEL destas obrigações (3,5%) e considerando o cenário mais favorável para os certificados de aforro (2,6%), que é também o mais provável, verificamos que o prémio de risco é de apenas 0,9 pontos percentuais.
Este valor parece-nos francamente reduzido tendo em conta não só o risco de incumprimento, que como já referimos até é baixo, mas também o risco de liquidez visto que as obrigações em Portugal são tendencialmente bastante ilíquidas e pode ter dificuldades em desfazer-se delas no mercado, de um momento para outro, caso queira sair antes da maturidade.
Estamos perante títulos com um risco que não é elevado, mas que pagam um rendimento ligeiramente abaixo das obrigações de risco comparável no mercado da zona euro (5,2% vs. 5,6%) e cuja liquidez no mercado bolsista poderá não ser muito elevada. Para além disso, a TAEL está demasiado próxima da de um produto sem risco e com resgate antecipado fácil como são os Certificados de Aforro.
No entanto, se estiver seguro de que vai manter o seu investimento até à maturidade, as Obrigações Verdes GreenVolt 2027 podem ser uma alternativa a ter em conta. Especialmente se as taxas e custos de subscrição que o seu banco lhe oferece forem atrativos e ficar isento de comissão de custódia (ou se já tiver uma conta títulos).
Se decidir investir, não se esqueça de pedir ao seu intermediário a simulação com os custos incluídos, os quais podem afetar significativamente a rentabilidade. Ainda assim, o rendimento não deverá ficar muito acima do que poderá obter com a alternativa “sem risco” dos Certificados de Aforro, no cenário mais favorável.
Obrigações Verdes Greenvolt 2027: principais dados
- Período de subscrição: 2 a 15 de novembro
- Data de Emissão: 18 de novembro de 2022
- Prazo: 5 anos.
- Data de Reembolso: 18 de novembro de 2027
- Taxa Anual Nominal Bruta (Taxa de cupão) *: 5,2%
- Taxa Anual Líquida (após impostos) *: 3,744%
- TAEL para 10 titulos-5.000 euros (após dedução de custos subscrição, mas sem contar com uma possível comissão de custódia): 3,5%
- Valor Nominal de 1 obrigação: 500 euros
- Mínimo a subscrever (5 títulos): 2500 euros
- Pagamento dos juros: semestral, 18 de maio e novembro
- Notação de risco: não tem
- ISIN: PTGNVGOM0004