A rentabilidade das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos ultrapassou os 5%, atingindo níveis que não eram vistos desde 2007. Este movimento está a influenciar os mercados financeiros, criando novos desafios para a economia e oportunidades para investidores em obrigações.
Subscreva para aceder às melhores oportunidades em fundos e ETF obrigacionistas.
A rentabilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos superou a fasquia simbólica de 5% e atingiu o valor mais elevado desde 2007. Qual o impacto desta subida nos mercados financeiros e nos investimentos?
Porque estão as taxas de juro de longo prazo a subir nos EUA?
A subida das taxas de juro de longo prazo nos EUA é explicada pela persistência da inflação e a deterioração das contas públicas.
Desde fevereiro de 2021, a inflação mantém-se acima do objetivo de 2% da Reserva Federal norte-americana. Este mês, a Fed voltou a subir os juros para trazer a inflação de forma duradoura para a meta estabelecida. Ao reafirmar o seu compromisso no combate à inflação, a Fed tranquiliza um pouco os mercados de obrigações.
Quando emprestam dinheiro por períodos longos, os investidores querem ser compensados pelo risco de a inflação reduzir o valor real do capital ao longo do tempo. Por isso, exigem rentabilidades (yields) cada vez mais elevadas (pagam preços mais baixos) para comprar obrigações.
Dívida pública crescente desafia os mercados financeiros
A dívida federal ultrapassou 40 biliões de dólares e os défices orçamentais deverão permanecer elevados nas próximas décadas. É um risco acrescido para quem empresta por prazos longos.
Os EUA não são, aliás, um caso isolado. Muitos países continuam a recorrer significativamente ao endividamento para financiar as suas despesas. A multiplicação das emissões de dívida cria concorrência acrescida. Para atrair os capitais disponíveis, cada país tem de oferecer rentabilidades mais atrativas.
Inteligência artificial aumenta a procura de financiamento
A esta concorrência entre Estados junta-se a do setor privado, em particular das empresas tecnológicas. Os grandes grupos investem montantes colossais em inteligência artificial e nas infraestruturas necessárias ao respetivo desenvolvimento.
Os investimentos associados a estes projetos deverão aproximar-se de 800 mil milhões de dólares em 2026 e provavelmente 1,1 biliões em 2027. Uma parte importante destas necessidades é financiada através do mercado obrigacionista, o que aumenta ainda mais a procura de capitais e contribui para a subida das yields.
Obrigações voltam a atrair investidores e aforradores
Esta situação apresenta, ainda assim, uma vantagem para os investidores e aforradores, pois beneficiam de uma remuneração mais elevada.
Sendo os mercados obrigacionistas norte-americanos os maiores e mais líquidos do mundo, as respetivas rentabilidades servem de referência para todo o sistema financeiro.
Por efeito de contágio, as taxas oferecidas em muitos outros mercados também seguem o mesmo caminho. Os investidores beneficiam agora de yields mais atrativas comparativamente com os parcos rendimentos que vigoraram desde a crise financeira de 2008 até recentemente.
Por cá, o efeito é mais visível nos Certificados de Aforro.
Crédito mais caro trava famílias, empresas e governos
O aumento do custo do crédito afeta particularmente as famílias e os setores sensíveis ao financiamento, como o imobiliário. Mas é transversal à economia, pois taxas mais elevadas tornam determinados projetos menos rentáveis e podem levar ao adiamento ou mesmo ao abandono de investimentos.
Para os Governos, os maiores encargos com juros reduzem as margens de manobra orçamentais e podem obrigar ao aumento de impostos e/ou ao corte nos apoios e no investimento público.
Como investir num contexto de yields elevadas
Embora o mercado obrigacionista esteja atualmente a atravessar um período de forte volatilidade, os atuais níveis de rentabilidade tornaram-se mais atrativos. A dívida norte-americana proporciona uma remuneração interessante, preservando as vantagens associadas à profundidade do mercado norte-americano.
Xtrackers US Treasuries Ultrashort Bond UCITS ETF 1C
- Código ISIN: IE00BM97MR69; Ticker: XT01
- TER: 0,06%
- Variação 12 meses: 4,7%
Além dos EUA, outros mercados também merecem atenção. É o caso das obrigações em coroas norueguesas que beneficiam de emitentes particularmente sólidos.
Fundo Nordea 1 Norwegian Short-Term Bond E EUR
- Código ISIN: LU0173778332
- TER: 1,13%
- Variação 12 meses: 13,8%
Devido ao risco de maior subida das taxas longas, deve igualmente optar por fundos e ETF expostos a obrigações com maturidades mais curtas. Estes títulos são menos sensíveis a esse fenómeno, o qual é negativo para o valor das obrigações já emitidas.
Num enquadramento em que as rentabilidades voltam a ser atrativas, uma adequada seleção dos mercados obrigacionistas é essencial para trazer menos volatilidade à estratégia de investimento.