A Galp já anunciou alguns dados relativos à sua atividade no segundo trimestre, embora só apresente os resultados semestrais a 25 de julho. O elemento mais negativo foi a queda de 7% da produção de petróleo face a igual período de 2021, devido, segundo a empresa, à realização de trabalhos de manutenção. De resto, os números são positivos.
As vendas de produtos petrolíferos (+22%), gás natural (+12%) e eletricidade (+7%) tiveram uma evolução favorável, com a subida dos preços a não implicar uma retração do consumo. Por outro lado, a margem de refinação surpreendeu (e bem), ao fixar-se nos 22,3 dólares por barril, o que compara com 2,4 dólares no trimestre homólogo de 2021 e 6,9 no trimestre anterior. Por fim, nas energias renováveis, a capacidade instalada cresceu 25% e a produção subiu 45%, embora esta área ainda tenha um peso diminuto no seio do grupo.
A subida de 65% do preço do ouro negro face há um ano beneficiará os lucros da Galp mas não tem tido efeitos tão positivos na cotação. Com a viragem estratégica da empresa para a transição energética, a incerteza aumentou e o bom posicionamento do grupo no setor do petróleo e gás, sobretudo no Brasil e Moçambique, é agora menos valorizado. Mantemos a previsão de lucros por ação de 0,76 euros em 2022 e de 0,81 em 2023.
O nosso conselho
Com exceção da produção, os primeiros dados da atividade do segundo trimestre são positivos. A longo prazo, o futuro do setor já não é tão promissor, mas a Galp está a preparar a mudança.
Cotação à data da análise: 9,73 euros