O grupo americano Autodesk é um gigante global no design, modelação e software de criação digital. As suas principais aplicações são na arquitetura, construção, engenharia civil, mecânica e indústria no sentido lato.
Também oferece software de visualização e animação 3D para videojogos e media.
Os clientes são numerosos e bem diversificados a nível geográfico (41% América do Norte; 39% Europa, Médio Oriente e África; 20% Ásia-Pacífico).
Transição bem sucedida
À semelhança de outros grupos de software, a Autodesk teve de se adaptar a uma mudança do modelo de negócio. O software não é vendido sob a forma de licença única, mas como subscrição ao longo de vários anos e está acessível na nuvem.
Uma fase de transição que teve um impacto negativo nas contas, com perdas entre 2016 e 2019.
Desde então, os resultados têm crescido, prevendo-se que a receita e os lucros por ação aumentem 15% e 24%, respetivamente, no exercício de 2021/22, que terminará no final de janeiro.
Os objetivos para os próximos anos apontam para um forte crescimento e um aumento substancial da rentabilidade e da liquidez geradas.
Graças ao sistema de subscrição, mais receitas são recorrentes (97% no último trimestre), o que facilita a gestão e o financiamento dos investimentos.
Clientes fieis
A taxa de fidelização dos clientes é muito elevada. A taxa de retenção de contratos aproxima-se dos 100%.
Dada a complexidade e melhorias constantes feitas à sua oferta, dominar o software requer meses ou mesmo anos de formação contínua, o que aumenta o custo e os riscos para os clientes que pensem em mudar para outro fornecedor.
Além disso, a Autodesk tem vindo a disponibilizar gratuitamente o seu software a milhões de estudantes, nas áreas relevantes, criando futuros clientes. Esta lealdade permite-lhe mais margem para determinar os preços e ter bons níveis de rentabilidade.
A administração espera uma margem operacional de 31% no exercício de 2021/22, 38% em 2022/23 e depois entre 38% e 40%. Prevê ainda que o fluxo de caixa livre aumente 10% ao ano, entre 2022/23 e 2025/26.
A aceleração da digitalização é um poderoso catalisador. A modelação 3D ainda é subutilizada e tem um potencial de crescimento significativo.
Também a criação de metaversos deve beneficiar a Autodesk, dada a sua presença no software para criação de conteúdos, animação e efeitos especiais (Maya e 3ds Max) nos videojogos e media e em ferramentas para gerar réplicas digitais de edifícios.
Conselho
A Autodesk é um bom compromisso para beneficiar do avanço do metaverso sem correr riscos excessivos.
O grupo já tem uma perspetiva sólida para o seu software de modelação e design, onde o metaverso pode ser mais um importante motor de crescimento a prazo.
A ação é de qualidade e a valorização interessante, especialmente tendo em conta a boa liquidez gerada.
Iremos passar a seguir esta empresa. Estimamos lucros por ação de 2,55 dólares em 2021/22 (fecho anual: 31/01) e 3,4 em 2022/23. Recomendamos a compra.
Cotação à data de publicação 281,19 dólares
Pode obter mais informações sobre o investimento no metaverso na análise que fizemos em O futuro do investimento passa pelo metaverso.