Apesar do seu potencial de crescimento, as avaliações elevadas e a forte procura introduzem riscos que exigem uma análise cuidadosa por parte dos investidores.
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O que são as MANGOS e porque ganharam destaque
Popularizada após o IPO da SpaceX, a sigla MANGOS (mangas, a fruta tropical, em inglês), surgiu na rede social X e designa a Meta Platformas (Facebook), Anthropic, Nvidia, Google (Alphabet), OpenAI e SpaceX.
As MANGOS reúnem, assim, os protagonistas da inteligência artificial, semicondutores, infraestruturas informáticas e dos chatbots. À medida que a IA se afirma como o motor de crescimento das bolsas, alguns analistas consideram que estas empresas merecem mais atenção do que as Magnificent Seven.
A empresa de Musk foi o catalisador para os MANGOS e não poderia ficar de fora. Aliás, a SpaceX assenta a sua narrativa na conquista do espaço, mas espera-se que o negócio seja outro.
Segundo o Financial Times, o banco Goldman Sachs justificou aos clientes a valorização astronómica da SpaceX na suposição de que a divisão de IA (prejuízo de 6,4 mil milhões de dólares em 2025) terá um aumento das receitas de 100 vezes até 2030, num mercado total de 26,5 biliões de dólares. Contudo, o mercado estimado para o serviço de internet Starlink e as operações espaciais da SpaceX é de apenas de 2 biliões de dólares, um valor comparativamente muito mais baixo.
E depois da SpaceX, estão previstas as IPO da Anthropic e OpenAI. Segundo a os proponentes das MANGOS, continuar centrado nas Magnificent Seven é ignorar parte da revolução da IA.
MANGOS vs Magnificent Seven: diferenças e complementaridade
Tal como as FAANG ou as Magnificent Seven, as MANGOS são, antes de mais, uma etiqueta para as empresas mais mediáticas do momento. No entanto, quando um setor se torna tão popular para ganhar um acrónimo próprio, significa que grande parte do otimismo já está refletido nas cotações.
Uma empresa excecional não corresponde necessariamente a um investimento excecional. Quanto mais elevadas são as expectativas, maior é o risco de deceção.
Além disso, o surgimento das MANGOS não implica o fim das Magnificent Seven. A Microsoft, Amazon, Apple e a Tesla continuam centrais para a tecnologia e investem também de forma significativa na IA.
A própria composição das MANGOS gera debate. Alguns analistas incluiriam a Broadcom ou a Micron, devido ao seu papel nos semicondutores. Outros consideram que a Apple deveria integrar as MANGOS em vez da Anthropic ou da OpenAI, que ainda não estão cotadas.
Diversificação e estratégia: como abordar o tema MANGOS
Vendo além da moda do momento, as MANGOS abrangem empresas bem diferentes no que diz respeito ao potencial de investimento. Os nossos conselhos refletem essa realidade, mas, em todos os casos, deve manter uma boa diversificação da carteira não negligenciando empresas de outros setores de atividade.
M -META PLATFORMS
(manter)O gigante das redes sociais e da publicidade online continua a registar um bom crescimento do volume de negócios. No entanto, os custos operacionais estão a aumentar.
Segundo a Meta, a tendência descendente da margem operacional deverá manter-se devido aos avultados investimentos para recuperar o atraso no domínio da IA. Esta estratégia é ambiciosa, mas arriscada.
A - ANTHROPIC
Ainda não são conhecidos os detalhes das contas da Anthropic. No entanto, alguns elementos permitem formar uma ideia. A trajetória de crescimento é impressionante, sendo que as receitas anuais deverão, em breve, atingir 47 mil milhões, contra apenas 9 mil milhões no final de 2025.
A Anthropic prevê ainda um primeiro lucro operacional no segundo trimestre de 2026. Durante o último aumento de capital, a Anthropic foi valorizada em 965 mil milhões de dólares. Ou seja, em 20 vezes as receitas da empresa, contra apenas 7 da média do setor tecnológico.
N -NVIDIA
(manter)
A gigante dos semicondutores tem superado consistentemente as expectativas em termos de receitas e do lucro por ação. Esta dinâmica resulta dos investimentos massivos dos gigantes da IA e da cloud, principais clientes da NVIDIA.
A procura colossal, combinada com uma oferta limitada, permite-lhe praticar preços elevados e ter uma margem operacional de 66%! Contudo, a concorrência intensifica-se: AMD, Intel e os gigantes da IA desenvolvem os seus próprios chips, o que traz maior incerteza para o ritmo de crescimento.
G – GOOGLE (ALPHABET)
(comprar)A Alphabet beneficia de uma posição vantajosa numa vasta parte da cadeia de valor da IA, incluindo centros de dados, modelos como o Gemini e ainda processadores próprios (TPU). O crescimento do lucro acelera e os indicadores permanecem favoráveis. Com um modelo integrado na IA e receitas publicitárias robustas, a Alphabet encontra-se bem posicionada para se destacar.
O - OPENAI
Ainda não há detalhes sobre o IPO do criador do ChatGPT. A última captação de capital atribuía-lhe uma valorização de 852 mil milhões.
S - SPACEX
(não comprar/vender)Um IPO histórico que conquistou um público alargado. Porém, a SpaceX está longe da rentabilidade, sendo demasiado cara e especulativa. Fique afastado da ação exceto se pretender especular a curto/médio prazo.