Depósitos a prazo perdem valor
Até ao momento não há nenhum depósito a 6, 12 ou 24 meses que iguale ou supere a inflação
Até ao momento não há nenhum depósito a 6, 12 ou 24 meses que iguale ou supere a inflação
Em dezembro, o Banco de Portugal atualizou as projeções económicas e reviu em alta a inflação estimada para este ano: 2,1% em vez de 1,8%, como previra anteriormente.
Embora esteja muito abaixo do máximo registado em 2022 (7,8%), continua a ter impacto nas finanças pessoais. Razão pela qual é importante ter presente que a inflação não é apenas um jargão económico, mas serve de bússola quando se escolhe um depósito a prazo. Se optar por remunerações líquidas mais baixas, o dinheiro perderá valor.
Por outras palavras, o fraco rendimento que obtiver não compensará a perda de valor real das poupanças. Segundo o Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares, em novembro, manteve-se nos 1,37%, não se alterando relativamente ao mês anterior.
No conjunto dos países da zona euro, cuja taxa média é de 1,80%, Portugal desceu uma posição no ranking, passando a apresentar a quarta taxa mais baixa.
Como vimos anteriormente, 10 mil euros aplicados a 12 meses rendiam, na maior parte dos bancos, menos de 100 euros, o que não dá para pagar sequer um café por dia.
Desde então, pouco se alterou. Se olharmos para os preçários dos bancos recolhidos a 5 de janeiro, não há nenhum depósito a 6, 12 ou 24 meses que iguale ou supere a inflação. A menos que as remunerações subam nos próximos meses, o que é pouco provável, este será um ano de rendimento real negativo!
Ainda assim, os portugueses continuam a preferir os depósitos bancários como o seu principal produto financeiro. O stock nos bancos residentes totalizava 199,9 mil milhões de euros, no final de novembro, mais 2436 milhões do que em outubro.
No entanto, em termos homólogos, há um abrandamento no crescimento, que pode estar associado ao aumento das subscrições de Certificados de Aforro e detenção de unidades de participação em fundos de investimento.
Apenas três dos 24 bancos que a DECO PROteste Investe acompanha fizeram pequenas alterações em janeiro: o Banco BPI e a Caixa Geral de Depósitos desceram algumas taxas, ao passo que o Best subiu.
Em termos líquidos, a única taxa que supera a inflação prevista é proporcionada pelo Banco BiG – o Super Depósito rende 3% a três meses (2,2% líquidos). Trata-se contudo de uma taxa promocional destinada a atrair novos clientes, pelo que não renova no final do prazo.
Mais nenhum depósito supera a inflação. A seis meses, a taxa mais elevada é oferecida pelo Banco BAI, aos subscritores da DECO PROteste Investe, e pelo Haitong Bank: 2,7% brutos (1,9% líquidos). Mas nenhum destes depósitos pode ser mobilizado antes do final do prazo.
Um aspeto importante a ter em conta, caso venha a precisar do dinheiro. Também a 12 meses, é nestas duas instituições e no Banco Português de Gestão que encontra a melhor taxa: 2,4% brutos (1,7% líquidos).
Embora o Banco Finantia ofereça esta mesma taxa a 12 meses, o montante mínimo é bem mais elevado e não acessível a todos os bolsos – 50 000 euros. Manter uma quantia tão elevada a render tão pouco não é a melhor estratégia para as poupanças.
Se optar pela parceria DECO PROteste com o Banco BAI, é importante referir ao gestor de conta que pretende ter acesso aos depósitos negociados pela DECO PROteste.
Já a dois anos, o Bison Bank oferece 2,5%, mas é uma taxa promocional para novos montantes – 25 mil euros é o valor mínimo. A segunda melhor oferta é do Haitong Bank, embora o depósito não possa ser mobilizado antes de decorridos os 24 meses.
Seja qual for o depósito que escolher, recomendamos não aplicar mais de 100 mil euros por titular da conta, para estar sempre protegido ao abrigo do Fundo de Garantia de Depósitos.
A série A e B dos Certificados de Aforro rendem 3,2% líquidos; a série B posterior a junho de 1989 rende 2,3% líquidos; a série D rende 2,9% e a série E entre 2,6 e 2,9%, consoante a data de subscrição. Todas elas acima da inflação. Por isso, mantenha!
No entanto, se tem a série mais recente, o cenário já é bem diferente: a taxa de juro bruta para novas subscrições de Certificados de Aforro, em janeiro de 2026, foi fixada em 2,046 por cento. Ou seja, em termos líquidos, a série F rende 1,5%, ficando também abaixo da inflação estimada para este ano e até abaixo dos melhores depósitos a prazo.
Embora o choque inflacionista tenha ficado para trás, não há pressa dos bancos em recompensar os aforradores, tão-pouco se sentem pressionados a subir as taxas de depósitos. Especialmente, os maiores bancos, com excesso de liquidez. Aceitar a taxa do seu banco habitual é, regra geral, uma má decisão.
Siga as recomendações da DECO PROteste Investe e consulte com frequência o comparador de depósitos.