Didático

Warrants autónomos

O que são?

Um warrant é um valor mobiliário cotado em bolsa que dá ao seu titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um bem subjacente numa (ou até uma) determinada data (data de expiração) a um preço estabelecido à partida (preço de exercício) e mediante o pagamento de um prémio. Visto que não existe obrigação, o detentor de um warrant só exerce o seu direito se lhe for financeiramente favorável.

Estes produtos gozam de alguma notoriedade entre os investidores nacionais dado o leque alargado de opções de investimento que permitem face aos diversos tipos de ativos e maturidades disponibilizadas. Além disso, apresentam como fatores atrativos a possibilidade de obter elevados ganhos com os movimentos de subida ou descida do mercado e a facilidade com que podem ser negociados.

Porém, nem tudo são rosas, e se a aplicação nestes produtos é relativamente simples, a mecânica do próprio produto e a sua avaliação é algo complexa. Deste modo, os warrants destinam-se a investidores com alguma experiência.

Segurança

O investimento em warrants pode ser bastante arriscado, dependendo também da estratégia adotada. Consoante o objetivo seja a especulação, cobertura de risco ou aumento de liquidez, o risco será diferente.

No caso do investimento puro e simples em warrants com intuito especulativo, os ganhos podem ser muito elevados, mas também é possível perder todo o investimento inicial num espaço de tempo relativamente curto. Assim, logo à partida deve fixar objetivos de preço. Faça uma previsão para a cotação do ativo subjacente e construa vários cenários de valorização ou depreciação. Também deve definir o nível de risco que está disposto a assumir.

Liquidez

Para reaver o investimento, é possível vender os warrants em bolsa ou exercer o direito junto da instituição financeira que emitiu o warrant.

Exercício de warrants

Quando um warrant de compra é exercido, o seu detentor está a usufruir do direito de adquirir o ativo subjacente ao preço de exercício fixado. Este exercício pode acontecer de duas formas: através da entrega física do ativo (ações) contra pagamento do preço de exercício ou através de liquidação financeira (diferença entre o preço do ativo subjacente e o preço do exercício multiplicada pela paridade).

O exercício de um warrant de venda corresponde à venda do ativo ao preço de exercício. Estes warrants são liquidados apenas em dinheiro e pela diferença entre o preço de exercício e o preço do ativo subjacente multiplicado pela paridade.

O preço de exercício é fixado pelo emitente no momento da emissão. O exercício pode acontecer apenas na data de expiração (estilo europeu) ou em datas anteriores a esta (estilo americano).

Para fins da liquidação financeira, o preço do ativo subjacente pode resultar do valor de fecho do último dia de negociação ou de uma média de valores do ativo nos últimos dias de negociação. Assim, em cada prospeto emitido, as instituições financeiras divulgam quais as datas que deverão ser consideradas para determinar o valor de referência a ser utilizado para o reembolso. Existem emissões em que se prevê o exercício automático do warrant, caso este se encontre in-the-money na expiração. Contudo, pode caber ao detentor do warrant declarar a sua intenção de exercício à instituição financeira.

Venda em bolsa

A possibilidade de exercício de um warrant é, contudo, meramente teórica, servindo “apenas” para lhe conferir valor. É muito raro serem exercidos, porque o ganho com o exercício é sempre inferior ao obtido com a venda do warrant em bolsa.

Este fenómeno acontece porque o preço de um warrant é composto pela soma de duas componentes: o valor intrínseco e o valor temporal. O valor intrínseco é o valor que o warrant teria numa determinada altura, caso o seu detentor optasse pelo seu exercício imediato. Por sua vez, o valor temporal decorre da probabilidade de subida do valor intrínseco, sendo calculado através da diferença entre a cotação do warrant e o valor intrínseco. No exercício ganha-se somente o valor intrínseco. Na venda, além desse, usufrui-se do valor temporal. Além disso, a venda de um warrant em bolsa é bastante mais prática para o investidor.

Rendimento

No mínimo, para não ter perdas, é necessário que a evolução do ativo corresponda às expectativas iniciais e que o exercício ou venda do warrant possibilite, pelo menos, cobrir o prémio pago inicialmente pela sua aquisição.

Mas o nível da alavancagem também é essencial para determinar os ganhos/perdas geradas pelo investimento.

Alavancagem

Outro factor determinante para os ganhos/perdas do investidor é a denominada alavancagem. À semelhança de outros produtos financeiros derivados, os warrants permitem que o investidor se exponha muito mais às flutuações do mercado do que se investisse diretamente o mesmo montante. Assim, a alavancagem indica quantos warrants podem ser adquiridos com a quantia necessária para comprar o ativo subjacente.

Para se saber qual o grau de alavancagem de um warrant basta dividir o preço do ativo subjacente pelo produto entre o preço do warrant e a paridade. O montante de ganhos e perdas será alavancado na proporção do rácio, se optar por investir um montante semelhante ao que efetuaria se comprasse diretamente a ação. Caso a evolução seja favorável, o investidor aumenta o rendimento do seu investimento. Caso contrário, assume perdas mais elevadas.

Valor dos warrants

"Acertar" na evolução do ativo subjacente é essencial para se obter ganhos com os warrants, mas pode não ser suficiente. Existem outros fatores que condicionam a evolução do valor dos warrants.

  • Preço do ativo subjacente: uma subida da cotação do ativo subjacente aumentará o valor dos warrants de compra e reduzirá o valor dos warrants de venda. Uma descida do preço do ativo terá o efeito contrário.
  • Preço de exercício: num warrant de compra, quanto mais baixo for o preço de exercício, maior será o valor do warrant, considerando que existirá uma maior probalidade de o preço de mercado da ação ultrapassar o preço de exercício do warrant. Num warrant de venda acontece o oposto. Quanto mais baixo for o preço de exercício menor será o valor do warrant. O preço de exercício é fixado na emissão.
  • Data de maturidade: consiste na data até à qual é possível exercer o direito no caso dos warrants americanos. Após a data de maturidade, o warrant deixa de existir. A uma maturidade elevada corresponde um preço maior (valor temporal), dado que aumenta as probabilidades do warrant atingir um valor mais elevado. Recorde-se que, no caso dos warrants europeus, o exercício só pode ocorrer mesmo na data de maturidade.
  • Taxa de juro: a aquisição de um warrant de compra corresponde à compra de um ativo com parte do pagamento a ser efectuado mais tarde. O pagamento inicial corresponde ao preço pago pelo warrant, enquanto o pagamento posterior será o valor atualizado do preço de exercício à taxa de juro sem risco. Um aumento das taxas provoca um aumento dos preços dos warrants de compra e uma descida dos warrants de venda. Em todo o caso, o efeito sobre o valor dos warrants é diminuto.
  • A volatilidade traduz o grau de incerteza dos preços futuros do ativo subjacente. A volatilidade influencia de igual forma os warrants de compra e venda. Num mercado com oscilações acentuadas, a probabilidade de, à data da maturidade, o ativo subjacente (ação, índice…) atingir o preço de exercício é maior, o que aumenta o valor dos warrants.

Os dividendos só influenciam os warrants no caso dos ativos subjacentes serem ações, cabazes de ações ou índices. Um aumento do valor dos dividendos a distribuir provocará uma descida da cotação da ação. Desta forma, sucede uma descida do preço dos warrants de compra e uma subida do preço dos warrants de venda. Todavia, este efeito na cotação dos warrants é, por norma, residual.

Custos

A negociação de warrants envolve diversos custos, normalmente semelhantes aos suportados com a transacção de ações em bolsa.

Fiscalidade

O rendimento das operações com warrants (venda ou exercício) é considerado como uma mais-valia para efeitos de IRS:

  • na venda de warrants, o rendimento sujeito a imposto é dado pela diferença positiva entre o valor de realização e o valor a que foi adquirido;
  • em caso de exercício, o rendimento sujeito a IRS para warrants de compra resulta da diferença positiva entre o preço de mercado do ativo subjacente e o preço de exercício mais o seu valor de aquisição. Para warrants de venda, o valor resulta da diferença positiva entre o preço de exercício deduzido do valor de aquisição e a cotação do ativo subjacente.

O investidor pode optar por tributar o saldo positivo das mais-valias e menos-valias à taxa liberatória de 25% ou proceder ao englobamento das mais-valias nos restantes rendimentos. Na generalidade dos casos, é preferível optar pela tributação à taxa liberatória.