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Petroleo

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Publicado em: 24 junho 2026
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Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers

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Autor: Rui Ribeiro

A queda do preço do petróleo coloca em risco os dividendos do setor petrolífero?

A atual descida dos preços do petróleo irá pressionar os lucros das grandes empresas energéticas. 
Grupos como a Shell, a TotalEnergies ou a Eni geram menos lucros quando o preço do barril recua, uma vez que uma parte significativa das suas receitas continua diretamente dependente desta evolução. Este contexto pode levar alguns investidores a questionarem-se se os dividendos distribuídos por estas empresas se manterão nos níveis atuais.

Como é que a queda do petróleo afeta as empresas?

Quando os lucros diminuem, as petrolíferas têm de fazer escolhas relativamente à utilização dos seus recursos financeiros. Têm de escolher entre várias prioridades: continuar a distribuir dividendos, proceder à compra de ações próprias ou financiar os projetos futuros, quer se trate de novos campos petrolíferos, quer de investimentos na transição energética. Com a rentabilidade em queda, este equilíbrio torna-se mais delicado, mas não se altera de um dia para o outro.

Uma situação financeira ainda sólida

Apesar desta conjuntura menos favorável, os grandes grupos petrolíferos continuam financeiramente sólidos. Nos últimos anos, beneficiaram de preços elevados da energia e do aumento da produção, o que lhes permitiu reduzir a dívida e constituir reservas de liquidez. Esta solidez permite-lhes enfrentar com mais serenidade a descida dos preços do petróleo.

Dividendos ou compra de ações próprias: o que será ajustado primeiro?

Para devolver capital aos acionistas, as empresas petrolíferas utilizam duas ferramentas principais: os dividendos e a compra de ações próprias.

• Os dividendos (parte dos lucros distribuída aos acionistas em numerário) representam um compromisso forte e visível, muito apreciado pelos investidores que procuram rendimentos regulares. Reduzi-los constitui um sinal negativo enviado pela empresa.

• A compra de ações próprias, pelo contrário, é mais flexível. Normalmente, é a primeira variável a ser reduzida quando a conjuntura se torna menos favorável. Nos últimos meses, várias empresas petrolíferas já anunciaram medidas de moderação nesta área.

Devemos preocupar-nos com os dividendos?

No cenário atual, os dividendos das grandes empresas energéticas não estão completamente garantidos, mas também não estão ameaçados no curto prazo.

Dependem da capacidade do setor para continuar a gerar lucros, o que continua a verificar-se apesar da descida do petróleo. As empresas petrolíferas poderão mesmo aumentar ligeiramente a dívida e reduzir os investimentos para manter os dividendos.

Se os preços da energia permanecessem muito baixos durante vários anos, as empresas teriam provavelmente de adaptar a sua política de remuneração dos acionistas. Contudo, não é essa a situação atual.

O que reter?

Os dividendos das grandes empresas energéticas não estão em risco no curto prazo. Contudo, dependem da capacidade do setor para gerar lucros, que continua fortemente ligada à evolução do preço do petróleo.

• Será sobretudo a compra de ações próprias a sofrer as consequências de um cenário prolongado de petróleo barato, antes de os dividendos serem postos em causa.

• Um dividendo elevado não deve, no entanto, ser o único critério de investimento. É igualmente necessário ter em conta a solidez financeira da empresa, as perspetivas de crescimento, a capacidade de investir no futuro e o preço pago pela ação. Uma rentabilidade atrativa pode perder interesse se a empresa enfraquecer ou se a cotação cair significativamente.

• Conservem os vossos investimentos no setor petrolífero, caso já detenham posições, mas mantenham uma visão global. O dividendo é um elemento importante, mas não constitui uma garantia nem uma razão suficiente, por si só, para comprar uma ação.

 

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