Um regresso histórico à compra de ouro
Os bancos centrais alteraram significativamente a sua estratégia em relação às décadas de 1990 e 2000, período durante o qual reduziram as suas reservas de ouro, chegando por vezes a vender parte destas.
Este movimento acelerou nos últimos anos. Entre 2010 e 2021, as compras foram cerca de metade dos níveis atuais, com uma média anual de 473 toneladas.
Diversificação de reservas como prioridade estratégica
Ao contrário dos investidores tradicionais, os bancos centrais não procuram sobretudo rentabilidade. Não compram ouro com o objetivo de beneficiar de uma subida do preço, mas para diversificar as suas reservas, ou seja, repartir os ativos de forma a reduzir o risco global.
A menor atratividade do dólar americano
Este renovado interesse pelo ouro explica-se, em parte, pela menor atratividade do dólar, que continua a representar uma parcela importante das reservas dos bancos centrais, frequentemente sob a forma de dívida pública dos Estados Unidos.
O aumento significativo da dívida pública norte-americana levanta questões sobre a sua sustentabilidade no longo prazo. Além disso, a orientação dos Estados Unidos no sentido de permitir uma depreciação da sua moeda incentiva algumas autoridades monetárias a reduzir a sua exposição ao dólar.
O impacto das tensões geopolíticas
A guerra comercial e as múltiplas tensões internacionais reforçam igualmente a atratividade do ouro. Trata-se de um ativo independente dos sistemas financeiros internacionais e que não pode ser facilmente bloqueado, como aconteceu com os ativos russos após a invasão da Ucrânia ou com os ativos iranianos no contexto das sanções relacionadas com o programa nuclear.
Além disso, o ouro pode ser mobilizado em emergências, independentemente das circunstâncias.
Não é por acaso que os maiores compradores dos últimos anos incluem a China e a Índia, visadas pela guerra comercial dos Estados Unidos, bem como a Polónia, particularmente exposta ao conflito na Ucrânia.
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