Investir nos mercados de fronteira: oportunidades além dos emergentes
Os mercados dos países em desenvolvimento apresentam um forte potencial de crescimento
Os mercados dos países em desenvolvimento apresentam um forte potencial de crescimento
Os mercados de fronteira são mercados financeiros de países em desenvolvimento. Estes apresentam um forte potencial de crescimento, mas encontram-se num estádio intermédio, sendo mais desenvolvidos do que as regiões mais pobres do globo, mas ainda não ao nível de poderem ser classificados como emergentes.
Este posicionamento oferece oportunidades, mas com riscos acrescidos: maior instabilidade política, fraca liquidez, pouca regulamentação e transparência e fortes flutuações cambiais.
Com ETF e fundos terá acesso a um conjunto de bolsas menos conhecidas. Naturalmente, implica suportar comissões de gestão superiores.
Os mercados de fronteira são menos acessíveis. Existe apenas um ETF dedicado aos mercados de fronteira. O Xtrackers S&P Select Frontier Swap (LU0328476410) é um ETF sintético que segue (com recurso a produtos derivados) o índice S&P Select Frontier.
O índice é composto por 40 ações de 10 mercados de fronteira. As dez maiores ações do índice representam 54% do total.
A repartição geográfica é a seguinte: Vietname 30%, Argentina 22%, Cazaquistão 11%, Marrocos 10%, Geórgia 9%, Panamá 5%... Em termos de setores, o índice está sobretudo centrado nas instituições financeiras (41%), imobiliário (18%), energia (11%) e industriais (8%).
Além do ETF existem fundos geridos ativamente que se concentram especificamente nos mercados de fronteira.
Em comparação com o ETF, os fundos destacam-se pela ausência da Argentina, mas uma maior aposta no Golfo. Neste momento, é uma aposta complexa. Os países beneficiarão com o aumento do preço do petróleo e do gás, mas estão limitados na exportação devido à guerra.
Os dois fundos ativos que, atualmente, obtêm melhor classificação são:
– HSBC GIF Frontier Markets AC (LU0666199749) e HSBC GIF Frontier Markets EC (LU0708055453) que tem o Vietname como mercado dominante (26%), seguido pelos Emirados Árabes Unidos (19%), Arábia Saudita (10%) e Egito (8%). O fundo distribui os investimentos por cerca de 70 ações.
– Schroder ISF Frontier Markets Equity (LU0562314475) investe em 56 empresas do Vietname (28%), Emirados Árabes Unidos (15%), Cazaquistão (11%) e Egito (7%).
Comparando com os “primos” emergentes, os mercados fronteira registaram rentabilidades discrepantes. Sobretudo no último ano, o bom desempenho da bolsa chinesa impulsionou os índices emergentes (30,8% contra 16,9% da média dos fronteira).
Num prazo mais alargado, como a cinco anos, o fenómeno foi o inverso, com o fraco desempenho da China a penalizar os fundos emergentes (5,8% contra 13,2% dos fronteira).
Neste horizonte de cinco anos, muitos fundos fronteira “bateram” mesmo o desempenho do índice global (13,2% versus 12,1% da média global).
Apesar de a China ser um fator diferenciador, o investimento nos mercados fronteira permite uma exposição a economias em crescimento, onde os países subjacentes estão também menos interligados do que os grandes emergentes. Em suma, podem proporcionar uma diversificação adicional à carteira.
Naturalmente, como se encontram ainda numa fase de desenvolvimento precoce apresentam riscos acrescidos. São apenas uma hipótese viável para investidores menos sensíveis ao risco e num máximo de 5% de uma carteira já bem diversificada.